Quando a fúria dos adeptos é a protagonista

As cores clubísticas não importam para o que aqui vamos contar até porque são poucos os que "escapam"...

Quando a fúria dos adeptos é a protagonista
Quando a fúria dos adeptos é a protagonista • Foto: VÍTOR CHI

Era bom que as datas nos ficassem na lembrança apenas pelos bons motivos. Mas há acontecimentos que marcam a história do desporto português que estão na memória coletiva pelos piores motivos. Desde 1996, os incidentes no Dragão, que culminaram em 48 feridos ligeiros, passaram a ser o capítulo mais recente – e grave – do lado negro do futebol português.

A 18 de maio de 1996, numa final da Taça de Portugal que o Benfica viria a conquistar ante o Sporting, por 3-1, Rui Mendes, adepto dos leões que se encontrava no Estádio do Jamor, foi atingido mortalmente por um “very-light” vindo das bancadas pintadas de encarnado... e o futebol português ficou de luto. Desde então, muitos foram os incidentes que mancharam o futebol português. Recordamos aqui alguns dos casos:

Janeiro de 2003
Estádio de Alvalade

Seis feridos ligeiros foram o resultado dos incidentes ocorridos após o Sporting-FC Porto, da 17.ª jornada (vitória portista por 1-0) entre agentes do Corpo de Intervenção da PSP e membros da claque do FC Porto. A claque do clube visitante foi mantida no interior do estádio até que existissem condições para retirá-la, mas, fartos de esperar, os adeptos portistas tentaram forçar as barreiras policiais que os impediam de se aproximar dos varandins. O Corpo de Intervenção investiu e os apoiantes portistas recuaram em direção à bancada e precipitaram-se uns sobre os outros. Vários caíram e abriram-se os portões de acesso ao relvado para que os feridos pudessem ser assistidos

Abril de 2007
Estádio da Luz

Antes do clássico na Luz entre Benfica e FC Porto registaram-se vários confrontos entre adeptos e, durante o jogo a claque portista, situada no anel superior do estádio atingiu os espectadores da bancada inferior com vários objetos. No final da partida direção dos encarnados atribuiu as culpas dos incidentes à claque do adversário e às forças policiais.

Junho de 2008
Pavilhão da Luz
Os problemas nos duelos entre Benfica e FC Porto deixaram de estar associados apenas ao futebol. Na pavilhão da Luz disputou-se uma partida de hóquei em patins e enquanto o encontro decorria o autocarro que transportara os adeptos do FC Porto, estacionado perto do recinto, foi incendiado. A viatura ficou completamente destruída. Anos antes, já o hoquista Filipe Santos ficara seriamente ferido, depois de uma “emboscada” de uma claque benfiquista.

Janeiro de 2010
Estádio da Amoreira
A deslocação do FC Porto ao terreno do Estoril, para a Taça da Liga, deixou más recordações aos portistas. Na A5, pouco antes da saída para o Estoril, o autocarro dos adeptos dos dragões e o carro no qual seguia o Pinto da Costa foram apedrejados. A viatura do presidente foi mesmo atingida, ficando com o pára-brisas rachado

Março de 2010
O Algarve foi o palco dos maiores confrontos entre os adeptos do Benfica e FC Porto antes da final da Taça da Liga. Os incidentes começaram na área de serviço de Alcácer do Sal e continuaram nos arredores do estádio onde, inexplicavelmente, os elementos das forças de segurança estavam em número reduzido quando as claques começaram a chegar ao local. A batalha campal envolveu também as autoridades e terminou com feridos dos dois lados, além de alguns detidos.

Março de 2010  
Estádio de Alvalade

Um inferno. A chegada dos adeptos do At. Madrid ao Estádio de Alvalade antes do jogo com o Sporting para a Liga Europa ficou marcada por confrontos com claques do Sporting, tendo-se registado o arremesso de pedras, tochas e garrafas entre os dois grupos de apoio, provocando o pânico nas imediações do Estádio de Alvalade. Os 400 polícias destacados tiveram de intervir com bastonadas e tiros de balas de borracha. Resultados ao final da noite? Um empate (2-2) dentro das quatro linhas e 10 polícias feridos, 16 pessoas assitidas e 4 detenções fora delas.

Março de 2011:
No regresso de Paços de Ferreira, onde ganhou por 1-5, o autocarro do Benfica e o carro do presidente foram apedrejados, perto do Porto. As pedras, lançadas de um viaduto, acertaram no Vermelhão e na viatura na qual seguia Luís Filipe Vieira, amolgando o capot e partindo o pára-brisas. O dirigente sofreu ferimentos ligeiros.

Abril de 2011
Estádio da Luz
Antes do clássico com o FC Porto, o corpo de intervenção tentou alargar o perímetro de segurança para a chegada da claque portista. Os adeptos dos encarnados não gostaram e começaram os confrontos. Garrafas e bolas de golfe foram atiradas contra o autocarro e de seguida contra a polícia que respondeu com tiros de intimidação.

Novembro de 2011
Estádio da Luz

Algumas cadeiras do Estádio da Luz arderam na zona que foi reservada para os adeptos do Sporting, no final do encontro entre os rivais lisboetas. Na zona onde as chamas lavraram terão sido detetados indícios de líquidos inflamáveis

Casos internacionais

Lá fora, os casos de violência entre adeptos repetem-se. Recordamos aqui alguns casos marcantes do futebol internacional que resultaram em centenas de mortes

Local: ESTÁDIO PORT SAID, PORT SAID, EGITO

Data: 01/02/2012
N.º de mortes: 74

Os adeptos do Al Masry invadiram o terreno de jogo no final da partida com o Al-Ahly, em Port Said, desenvolvendo uma verdadeira batalha campal. O treinador português, Manuel José, que na altura comandava o Al-Ahly, revelou que foi atingido com pontapés e socos na cabeça e no pescoço.

Local: ESTÁDIO NACIONAL, LIMA, PERU

Data: 24/5/1964
N.º de mortes: 318
Numa partida de qualificação olímpica entre Argentina e Peru, a selecção das pampas passou para a frente do marcador e os adeptos peruanos reagiram da pior forma. Tudo se precipitou quando o árbitro anulou um golo do Peru perto do fim.

Local: ESTÁDIO ACCRA SPORTS, ACRA, GANA

Data: 9/5/2001
N.º de mortes: 126
O Hearts of Oak vencia o Asante Kotoko por 2-1 quando, a cinco minutos do final, os adeptos do Asante começaram a arremessar garrafas de vidro e cadeiras para o campo. A polícia dispersou a multidão com gás lacrimogénio, o que piorou a situação.

Local: ESTÁDIO DE HILLSBOROUGH, SHEFFIELD, INGLATERRA

Data: 15/4/1989
N.º de mortes: 96
Encontro entre o Nottingham Forest e o Liverpool. A polícia abriu as portas do estádio para os milhares de adeptos que esperavam na rua entrarem. Resultado: 96 pessoas morreram esmagadas e cerca de 175 ficaram feridas.

Local: ESTÁDIO NACIONAL, KATMANDU, NEPAL

Data: 12/3/1988
N.º de mortes: 93
Uma equipa local defrontava outra do Bangladesh quando os adeptos tentaram invadir o relvado. Relatos de testemunhas afirmam que apenas umadas oito saídas de emergência estava aberta, o que precipitou a tragédia.

Local: ESTÁDIO NACIONAL MATEO FLORES, CIDADE DE GUATEMALA, GUATEMALA

Data: 16/10/1996
N.º de mortes: mais de 80
Venda de bilhetes falsos deu origem à sobrelotação do estádio no encontro entre a seleção guatemalteca e a congénere da Costa Rica, a contar para a qualificação para o Campeonato do Mundo de 1998, em França.

Local: ESTÁDIO MONUMENTAL, BUENOS AIRES, ARGENTINA

Data: 23/06/1968
N.º de mortes: mais de 71
Durante a partida entre os grandes rivais River Plate e Boca Juniors, adeptos do Boca atiraram bandeiras em chamas aos apoiantes do River, que responderam de forma igual ou mais violenta.

Local: ESTÁDIO LUZHNIKI, MOSCOVO, RÚSSIA

Data: 20/10/1982
N.º de mortes: mais de 66
No final do jogo entre Spartak Moscovo e HFC Haarlem, para a
Taça UEFA, mais de 66 pessoas morreram esmagadas quando se dirigiam para o exterior do estádio. Resta dizer que se encontrava aberta apenas uma saída.

Local: ESTÁDIO IBROX, GLASGOW, ESCÓCIA

Data: 2/1/1971
N.º de mortes: 66
No estádio do Glasgow Rangers, a equipa da casa marcou um golo aos eternos rivais do Celtic e os apoiantes dos protestantes, no meio dos festejos, incendiaram parte da bancada, resultando em 66 mortos.

Local: ESTÁDIO VALLEY PARADE, BRADFORD, INGLATERRA

Data: 11/5/1985
N.º de mortes: 56
No dia em que o Bradford City iria celebrar o título de campeão da 3.ª Divisão, o jogo ante o Lincoln City ficou marcado por um incêndio que, segundo testemunhas, começou quando um adepto deitou um cigarro para um caixote do lixo.

Local: ESTÁDIO KAYSERI ATATURK, KAYSERI, TURQUIA

Data: 17/9/1968
N.º de mortes: 44
Adeptos do Kayserispor e Sivasspor utilizaram todo o tipo de armas nos confrontos logo após o encontro. Em pleno relvado, morreram 44 pessoas e cerca de 600 ficaram feridas.

Local: ESTÁDIO HEYSEL, BRUXELAS, BÉLGICA

Data: 29/5/1985
N.º de mortes: 39
O ambiente tenso vivido fora do estádio antes da final da Taça dos Campeões Europeus, entre Liverpool e Juventus, resvalou para o interior. As claques, separadas apenas por uma grade, envolveram-se em confrontos.

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