Rui Vitória: «Em Portugal todos acham que conseguem condicionar a arbitragem»

Treinador critica mentalidades no futebol nacional e dá exemplo de um cenário com árbitros estrangeiros

• Foto: Pedro Ferreira

Rui Vitória considera que, na generalidade, o ambiente futebolístico é mais saudável noutros países do que em Portugal. Durante a 1.ª conferência Bola Branca, o treinador do Al Nassr diz que foram ultrapassos limites e até deu um exemplo do que poderia acontecer caso a Liga Portugal 'importasse' árbitros estrangeiros para apitar os jogos nacionais - apenas num cenário hipótetico, sublinhando que não estava a defender tal hipótese.

"Faço um desafio. Nós, Espanha, França e Inglaterra. Fazemos um intercâmbio de árbitros. Faça-se essa experiência. Queria ver o que se ia falar nos programas. Fui expulso contra o Bayern por um holandês e estava fulo com ele. Falei com o quarto árbitro, disse-me que dei um pontapé na garrafa e fora. Levei 4 mil euros de multa. Ele foi para a Holanda, eu fiquei a chuchar no dedo e paguei a multa. Ninguém mais falou daquilo. O que seria se o árbitro a seguir ao jogo fosse para França... Porque todos acham que conseguem condicionar. Andamos nesta teia. As condições para a arbitragem exercer nao me parece que sejam as melhores", considerou o antigo técnico do Benfica, passando para a realidade que agora vive na Arábia Saudita.

"Há um aspeto comum nas conversas que vou tendo com as pessoas no estrangeiro. Falam que o ambiente é mais saudável. Na Arábia senti isso. Nas redes sociais há uma disputa grande, mas no estádio os adeptos circulam com a bandeira dos dois clubes. Fui ao campo do Al Hilal e só não meteram a passadeira vermelha porque não calhou. (...) Na Arábia disseram-me 'coach, não fales dos árbitros nem organização'. Deu-me vontade de falar da organização. Um dia, é sexta-feira e não sei onde vai ser o jogo no domingo. Deu-me vontade de ir para a televisão. Dá multas pesadas. Há a preocupação desta credibilização. É fundamental a firmeza nas tomadas de decisão. [Em Portugal] acho que ultrapassámos limites. Não há tolerância, não há compreensão. O Benfica pôs uma série de jogadores a falar. Não tenho problemas em falar mas é preciso ter responsabilidade. Uma frase tirada do contexto incendeia. Os jogadores também querem falar e depois têm de resolver um problema porque foi dito algo num contexto diferente", vincou.

Por Rafael Soares
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