Tráfico de influência e cúmplice de corrupção

Tráfico de influência e cúmplice de corrupção
Tráfico de influência e cúmplice de corrupção • Foto: Manuel Araújo
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Valentim Loureiro passou ontem o dia em... Gondomar. Não na Câmara mas no tribunal, onde foi apenas identificado. O Major almoçou no tribunal e depois ainda surgiu numa das janelas a fumar um dos seus famosos charutos. Ao fim da tarde, o presidente da Liga voltou aos calabouços da Polícia Judiciária do Porto e só hoje será ouvido pela juíza de instrução criminal do Tribunal de Gondomar, Ana Cláudia Nogueira.

Sobre o Major resultam, conforme Record apurou, indícios consistentes, segundo o Ministério Público, da prática de crimes de tráfico de influência, um crime punível com uma pena que oscila de seis meses a cinco anos de prisão. O que se sustenta no facto de ter usado a sua influência política e desportiva em diversas situações, para conseguir benefícios junto de agentes desportivos e ligados ao mundo da política.

A influência do também presidente da Câmara de Gondomar, do Metro do Porto e da Junta Metropolitana do Porto também se faria sentir, segundo as nossas fontes, sobre empresários da construção civil, casos de Joaquim Camilo Nunes da Silva e de Sousa Cintra, este último ex-presidente do Sporting. O objectivo seria o de obter benefícios próprios e para terceiros (Boavista Futebol Clube e Liga Portuguesa de Futebol Profissional) como consequência da adjudicação por aqueles de obras do Estado. Em causa estará também o licenciamento de uma construção.

Valentim Loureiro é, por outro lado, suspeito de cumplicidade em crimes de corrupção activa de que estará indiciado José Luís Oliveira, presidente do Gondomar SC, clube que luta pela subida à II Liga, com o Dragões Sandinenses como adversário directo.

Para o crime de corrupção activa corresponde uma moldura penal que vai também de seis meses a cinco anos de prisão e para o segundo crime, o da cumplicidade, alegadamente praticado pelo Major, uma pena de um mês e três anos.

O caso está a ser conduzido por Carlos Teixeira, procurador do Ministério Público de Gondomar, que determinou, com base nas investigações, os mandados de busca e as prisões dos 16 envolvidos na "Operação Apito Dourado" já no dia 8 de Abril. Do processo constam mais de 100 transcrições de escutas telefónicas.

Pinto da Costa consta do processo

O nome de Pinto da Costa surge aliado ao de Hernâni Silva, presidente do Paços de Ferreira, no lote dos factos que potencialmente incriminam Valentim Loureiro. Segundo foi entendido pelo Ministério Público do Tribunal de Gondomar, o Major usou a sua influência junto da Comissão Disciplinar da Liga para conseguir corresponder a solicitações dos presidentes do FC Porto e do Paços de Ferreira em processos que contra estes corriam naquela instância disciplinar apenas constituída por juízes-desembargadores.

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