Paulo Robles: «É fundamental possibilitar à 1ª equipa do Vilafranquense o recrutamento dentro de casa»

Técnico da equipa sub-19 aborda os objetivos mas também os problemas com a falta de infraestruturas e com o recrutamento de jogadores

• Foto: Vilafranquense
Paulo Robles reassumiu a equipa de juniores do Vilafranquense em janeiro último, acabando por findar a temporada com êxito desportivo: a tão desejada permanência. O técnico português, de 38 anos, lembrou o regresso ao Cevadeiro e as expectativas que tinha para o mesmo, mas lançou também um olhar ao futuro dos sub-19 e ao futuro do clube ribatejano.

"Regressei ao Vilafranquense na época passada, após seis anos ao serviço do clube, e após uma paragem de dois anos. Confesso que tive algum receio de que pudesse não conseguir atingir os objetivo. A velha máxima de que não se volta a uma casa onde já se foi feliz andou ali uns tempos a pairar no meu pensamento. Com calma, ponderação e ajuda de todos os intervenientes – jogadores, staff e administração da SAD – conseguimos alcançar o grande objetivo: a permanência. Num momento difícil, conseguimo-lo graças ao empenho de todos em atingir essa marca que era fundamental. Era e é fundamental para aquilo que é o projeto da SAD e do clube, da cidade e do que podem vir a ser os próximos anos da instituição", começou por dizer em declarações a Record.

O Vilafranquense arranca a temporada oficial já no sábado, em casa do Torreense. O líder da equipa técnica revelou que o grupo realizou um estágio de pré-temporada que serviu para entrosar todos os envolvidos, perante um difícil período de recrutamento "face às limitações do projeto" do emblema ribatejano.

"Neste período de pré-época tivemos a possibilidade, tendo em conta as ajudas de dentro e de fora do clube, de poder fazer um mini-estágio de quatro dias nas Caldas da Rainha. Levámos alguns jogadores à experiência e outros que já faziam parte do grupo. Foi proveitoso, não só para consolidar o que é normal neste tipo de estágio, ou seja, o espírito de grupo, faltando ainda mesmo muito por fazer, mas sobretudo para dar corpo à operacionalização do jogo que a equipa poderá ter em algumas das suas variantes e dinâmicas. O grupo portou-se muito bem e foi muito responsável. Devo destacar que a principal intenção de realizar este estágio era fazer face a uma grande dificuldade que é o facto de mais de 75 por cento dos jogadores serem oriundos de outros clubes e outras realidades. Não se conhecem. É importante haver um momento de ligação na tentativa de poder acelerar o processo de conhecimento das pessoas, dos jovens e do staff, entre todos. O plantel não está fechado. Existe a intenção e a colaboração junto da SAD de melhorar algumas lacunas em termos de posições. Esse processo poderá ficar finalizado neste mês. É importante para todos os intervenientes. Se for para enriquecer em qualidade e quantidade, todos os jogadores ficarão a ganhar no sentido de que aumentarão as dificuldades. Com elas, poderão melhorar as respetivas capacidades", considerou.

A formação de Vila Franca de Xira vai para o quarto ano seguido na 1ª Divisão sub-19 e, sobre este assunto, Paulo Robles adiantou que "face às dificuldades inerentes do projeto e à valia dos adversários apenas é possível lutar pela permanência", sendo que, para isso, "o apoio interno e externo terá de ser grande".

O técnico da última equipa de formação garantiu que O Vilafranquense detém uma grande diferença entre a equipa sub-19 e a equipa profissional e entre a equipa sub-19 e todos os escalões inferiores". "O preenchimento destes dois espaços é fundamental para fazer face às dificuldades agora existentes. O clube tem características e vicissitudes muito próprias, cresceu, e em dois escalões atingiu o topo a nível nacional, sendo que existe todo um processo global por resolver. Isto é futebol, é a orgânica de um clube a respirar. É fundamental que as equipas de escalões inferiores, possam atingir as competições nacionais e para isso, há que criar as condições para tal. É fundamental, até mesmo por uma economia de mercado e estratégia, a equipa profissional ter a possibilidade de recrutar dentro do próprio clube, novos ativos. O recrutamento, a qualidade do treino, a exigência diária, as infraestruturas, são fatores cruciais", atestou o responsável pela formação, que não antecipa um objetivo maior do que a permanência atendendo às condições do Vilafranquense e dos outros emblemas.

"Tendo em conta o panorama global da equipa e de alguns jogadores que poderão vir e também tendo em conta os adversários que teremos pela frente na 1ª Divisão, o objetivo passará sempre pela permanência em termos de resultados competitivos. Há uma primeira fase regular onde jogarão todos contra todos. Depois, o campeonato é dividido em dois grupos. Esta época, teremos deslocações a casa do Nacional e do Marítimo e aos recém-promovidos Torreense e Casa Pia. Jogaremos com equipas com larga tradição nesta série, todas elas com equipas nos campeonatos nacionais, sejam no escalão de juvenis ou de iniciados. Não é ‘conversa’, mas sim, a constatação de um facto. O Vilafranquense parte na cauda do pelotão. Como todos sabemos, isto é futebol e as coisas vão acontecendo e vão-se aprimorando ao longo dos jogos. É nossa intenção fazer com que a equipa cresça e que, assim, cresçam os resultados", referiu, vincando que ficaria também feliz com a subida de qualquer dos jovens que tem em mãos à equipa sénior.

"Ficaria satisfeito por lançar, pelo menos um jogador na equipa profissional. É uma tarefa muito difícil, pois para que se atinja esse objetivo, é necessária uma conjugação complexa de fatores, que se baseiam no recrutamento, no tipo de treino, da adaptação dos jogadores - ao país, à cidade, ao clube -, nos resultados desportivos e também nas necessidades da equipa profissional. Conseguimos lançar três jogadores sub-19 na época passada para fazerem a pré-época com a equipa profissional. Alguns ainda lá continuam a treinar, vamos ver o que acontece. Queremos que, aos poucos, não do ponto de vista irreal, mas do ponto de vista factual e concreto, possa haver mais jogadores a poderem fazer face às necessidades da equipa técnica profissional", frisou ainda Paulo Robles.
Por Flávio Miguel Silva
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