Suspeita de adepto armado em jogo de juvenis gera discórdia em Setúbal
Monte Caparica denunciou o caso, que foi mais tarde desmentido pela equipa adversária Os Amarelos
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O Campo Municipal Júlio Adrião, em Setúbal, acolheu no sábado passado um jogo de juvenis entre o Monte Caparica Atlético Clube e o GD Os Amarelos, que está a gerar discórdia entre os clubes devido à alegada presença de uma arma de fogo no local. O MCAC divulgou o ocorrido através de um comunicado das redes sociais, com Os Amarelos a responder no dia seguinte, o que, consequentemente, levou a uma segunda nota emitida pelos visitantes.
Tudo começou com um comunicado emitido pelo Monte Caparica Atlético Clube no dia do encontro, em denúncia dos supostos "graves acontecimentos ocorridos" no jogo de juvenis, em casa da equipa Os Amarelos. Segundo os visitantes, um adepto da equipa da casa terá entrado em campo "alegadamente na posse de uma arma de fogo", criando "terror entre atletas, equipa técnica, árbitros e os restantes presentes."
"O Monte Caparica Atlético Clube vem por este meio lamentar e repudiar veementemente os graves acontecimentos ocorridos hoje [sábado] no Campo Municipal Júlio Adrião, em Setúbal, durante o encontro frente à equipa Os Amarelos. Até ao momento do incidente, o jogo decorreu dentro da normalidade, com total tranquilidade dentro das quatro linhas, sendo a derrota da nossa equipa absolutamente justa e aceite desportivamente. No entanto, de forma inesperada e inaceitável, um adepto da equipa da casa entrou dentro do terreno de jogo alegadamente na posse de uma arma de fogo, gerando momentos de enorme pânico e terror entre atletas, equipa técnica, árbitros e restantes presentes. Perante a gravidade da situação, os nossos atletas refugiaram-se de imediato no balneário, assim como a equipa de arbitragem, tendo sido necessária a chamada das forças policiais", pode ler-se no comunicado da formação da Caparica, que mostrou-se disponível para ajudar na investigação do caso: "Tudo faremos para que os factos sejam devidamente apurados pelas entidades competentes."
Contudo, Os Amarelos recorreram também às redes sociais este domingo para repudir o comunicado emitido pelo adversário e desmentir a informação partilhada, afirmando que não houve qualquer arma presente no recinto.
"A Direção de Os Amarelos vem por este meio repudiar o comunicado emitido pelo Monte Caparica Atlético Clube e repor categoricamente a verdade sobre os incidentes alegados no Campo Municipal Júlio Adrião. Inexistência de arma: É totalmente falso que tenha sido vista qualquer arma de fogo ou que algum adepto estivesse na posse da mesma dentro do terreno de jogo. Origem do alarmismo: Um dos PCS solicitou a presença das autoridades policiais única e exclusivamente devido ao clima de falso alarme e pânico infundado gerado no recinto. Intervenção policial: A Polícia de Segurança Pública (PSP) esteve no local. Ausência de indícios: Um dos PCS abordou o jovem visado e, perante a total ausência de testemunhos visuais ou indícios reais que sustentassem a denúncia", pode ler-se na nota emitida.
Os visitados lamentaram ainda a difamação de informação: "Repudiamos de forma veemente a criação de uma narrativa ficcionada de terror que apenas serve para manchar o bom nome, a história e os valores da nossa instituição. Os Amarelos pautam-se sempre pelo civismo e pela segurança. Não permitiremos que falsas alegações e um alarmismo irresponsável belisquem a integridade do nosso clube e dos nossos adeptos."
Apesar da discórdia entre os clubes, Rodrigo Pimenta, presidente do Monte Caparica, que afirmou não ter estado presente no encontro, não tendo, portanto, a clareza do ocorrido, garantiu que a intenção da nota emitida pelo clube nunca foi de difamar o adversário.
"Não estive presente no jogo, sei o que me contaram, que foi o que escrevemos no nosso comunicado. Um homem terá entrado em campo alegadamente armado e o árbitro mandou recolher as equipas e a própria equipa de arbitragem para o balneário até a PSP chegar ao local. Calculo que para o árbitro tomar essa decisão, algo tenha ocorrido, mas agora resta-nos esperar pelo relatório do árbitro. Mas a nossa intenção nunca foi denegrir Os Amarelos, é muito difícil para nós clubes controlarmos estas coisas. Não vamos revistar todas as pessoas à entrada e não sabemos quais são as intenções ou o que é que se passa na cabeça das pessoas, não sabemos o que é que trazem nos bolsos. Vivemos em tempos complicados, parece que anda tudo descompensado, é lamentável e não lembra a ninguém", realçou o dirigente, em declarações a Record.
Para esclarecer a situação, o Monte Caparica publicou um segundo comunicado em resposta ao clube Os Amarelos, reforçando a ideia já partilhada pelo presidente: que a intenção nunca foi culpar o adversário, mas reportar o ocorrido devido à gravidade da situação.
"Face ao recente comunicado emitido pelo GD Os Amarelos, o MCAC vem por este meio manifestar o seu total repúdio relativamente ao teor do mesmo, esclarecendo os seguintes pontos. Ausência de Acusações ou Difamação: O MCAC esclarece que, em momento algum do seu comunicado anterior, acusou, difamou ou atribuiu responsabilidades diretas ao GD Os Amarelos pelo sucedido. Limitamo-nos a relatar os factos ocorridos no recinto desportivo. O Incidente Relatado: Foi mencionado e reafirma-se que um adepto invadiu o recinto de jogo, alegadamente portando uma arma de fogo. Gravidade dos Factos: A prova inequívoca da gravidade e do perigo real da situação foi a necessidade de a equipa de arbitragem se abrigar imediatamente no seu balneário, bem como a obrigação de os nossos atletas e comitiva permanecerem fechados e protegidos nas instalações, por ordem da equipa de arbitragem. Solidariedade Institucional: O MCAC tem plena noção de que episódios desta natureza e gravidade podem acontecer em qualquer recinto desportivo. Reconhecemos que os clubes, por si só, não têm capacidade nem meios de controlo absoluto para prever ou evitar a atuação isolada de indivíduos desta índole", pode ler-se na segunda publicação do MCAC.
Confira os comunicados do Monte Caparica Atlético Clube e Os Amarelos na integra: