José Eduardo Simões: «Amor à camisola está arredado»

O presidente da Académica criticou hoje "o mercantilismo no futebol actual", durante a apresentação do programa de homenagem ao antigo jogador Jorge Humberto, o primeiro português a ser transferido para Itália, nos anos 60.

"Esta homenagem peca por tardia, face ao mercantilismo no futebol. O amor à camisola está arredado, pois o que os jogadores querem é ganhar dinheiro. Noutros tempos, a Académica estava acima de qualquer individualidade", afirmou José Eduardo Simões.

PUB

O dirigente referiu-se directamente a Zé Castro, mas indirectamente a "casos mais recentes", como o do vice-capitão Nuno Piloto, que recusou recentemente uma proposta de renovação com o clube por divergência de verbas.

Simões acrescentou ainda que aquilo que mais o choca é "o jogador de formação esquecer a casa mãe, onde foi formado, virando as costas ao clube". Reconheceu, no entanto, que "é um sinal dos tempos".

Em sentido contrário, enalteceu as virtudes de Jorge Humberto, um avançado que "saiu de Coimbra há 46 anos e doou um terço da verba da sua transferência à Académica".

PUB

O presidente apresentou o programa da homenagem que vai ter lugar no próximo dia 25 de Janeiro, a partir das 18:30, aquando do jogo entre a Académica e V. Guimarães, com a presença do jogador que conta agora com 70 anos de idade.

Antes do jogo, será descerrada uma placa no Campo de Santa Cruz, local onde o antigo atleta treinava com a equipa da Briosa, e, no intervalo, irá ser projectado um vídeo sobre o seu percurso futebolístico.

Na próxima semana vai ser lançada uma campanha para sensibilização junto dos estudantes universitários, a fim de assistirem ao jogo a preços simbólicos (três e cinco euros).

PUB

O presidente dos Veteranos, Frederico Valido, associou-se, desde a primeira hora, para homenagear o ex-jogador, que definiu como um "exemplo vivo da Académica", na sequência de outros, já homenageados, como Bentes, Mário Torres e Isabelinha.

Valido apelou ao presidente academista para dar a conhecer aos novos jogadores os estudantes a história do clube e incutir a ideia de que a Académica "tem uma filosofia diferente de outros clubes".

Coube ao presidente da direção da Associação Académica de Coimbra, André Oliveira, apresentar um breve resumo da história de Jorge Humberto.

PUB

O jogador nasceu no Mindelo, a 17 de Fevereiro de 1938. Jogou na Académica do Mindelo e rumou a Lisboa em 1955. Matriculou-se, depois, na Faculdade de Medicina de Coimbra, na qual se licenciou, tendo apenas completado o Curso em 1966, após a sua aventura italiana.

Começou a jogar pela Académica aos 17 anos e estreou-se contra o rival U. Coimbra, marcando quarto golos. Após ter alinhado pelos juniores, entrou na equipa principal em 1957/58. Jogou quando João Moreno era presidente do clube e foi treinado por Cândido de Oliveira, tendo efectuado 100 jogos pela Briosa.

A convite de Helénio Herrera, ingressou no Inter de Milão, em Julho de 1961, e marcou três golos num célebre jogo com o Spartak de Moscovo, que os italianos venceram por 5-3. Jogou durante quatro anos em Itália, também nas equipas do Lanerossi e do Vicenza.

PUB

Depois de se ter licenciado, exerceu Medicina em Coimbra e partiu para Macau, onde residiu e trabalhou durante 26 anos. Regressou no passado mês de Dezembro a Coimbra, já aposentado.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Académica Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB