António Bentes merecia mais neste derradeiro adeus
Velhos companheiros de equipa – Mário Torres, Wilson e Azeredo –, muitos jogadores da Briosa de outros tempos – Curado, Gervásio, Crispim, Rocha, Mário Campos, etc. –, mas uma cidade a passar ao lado do derradeiro adeus ao homem simples e bom que durente 18 anos escreveu páginas de ouro com o emblema da Académica sobre o coração.
António Bentes teve uma despedida terrena simples, como, afinal, simples foi sempre a sua vida, a sua atitude, a sua maneira de ser. Mas merecia mais. Muito mais.
Nos rostos de quem o acampanhou até à última morada, no cemitério da Conchada, lágrimas de saudade, de emoção na despedida do homem que Manuel Alegre tão bem cantou. Figura de uma época em que o profissionalismo não existia, Bentes soube ganhar o futuro e tirar o Curso do Magistério Primário, meio necessário para, na Escola dos Olivais, ensinar gerações e gerações de miúdos que o adoravam como professor e como futebolista. Conseguiu, rapidamente, o estatuto de Figura de Coimbra, mas rejeitou sempre o epíteto de "histórico", como se isso fosse uma honraria que os seus feitos não justificasse.
Cinco vezes internacional – três pela selecção A e duas pela B – não escondeu, em depoimento publicado no livro "Académica um Clube com História", a apreensão pela chamada á selecção: "Tive uma grande alegria ao ser escolhido para a selecção nacional mas muita apreensão e o medo de não corresponder ao que era solicitado".
Bentes era assim: humilde e simples, como humildes e simples são os grandes homens. Paz à sua alma.