Direcção vai herdar 10 milhões de passivo
A Direcção do Belenenses que resultar do acto eleitoral agendado para 29 de Março vai encontrar um passivo no clube superior a 10 milhões de euros. O total do passivo nunca foi assumido pelo então presidente Cabral Ferreira, mas na Assembleia Geral de 30 de Abril de 2007, na qual foi aprovado, por maioria, o exercício de 2006, com um prejuízo de dois milhões de euros, o sócio Duarte Ferreira denunciou o montante.
O candidato derrotado por Cabral Ferreira nas eleições realizadas em Abril de 2007, responsabilizou o presidente pela gestão e salientou que o passivo aumentou 52 por cento, de 6,5 para 10 milhões de euros.
Parte dos 10 milhões de euros de passivo refere-se às dívidas do Belenenses à Segurança Social e às Finanças, cujo total ascende a 3 milhões. No caso da Segurança Social, a dívida é de 520.000 euros e foi negociada pela Direcção presidida por Cabral Ferreira.
Depois de ter sido apresentado um terreno como garantia, em Outubro de 2007, o Belenenses estabeleceu com a Segurança Social um pagamento faseado em 150 meses.
Cerca de 2,5 milhões de euros, um quarto do total do passivo do clube, correspondem a dívidas relativas ao IVA, IRC e IRS, também com pagamento negociado pelo elenco directivo presidido por Cabral Ferreira em 60 prestações. Como garantia, o executivo de Cabral Ferreira, que se demitiu em 21
de Janeiro, deu as rendas do posto de abastecimento de combustíveis da BP (cerca de 47.000 euros anuais) e da cadeia de restaurantes McDonald's (48.000).
Ao abrigo do protocolo com a SAD que gere o futebol profissional, cujo capital social é detido maioritariamente pelo Belenenses, o clube tem ainda uma dívida de 1,8 milhões de euros, resultante da compra de bilhetes para os jogos. Contudo, a esse valor serão abatidos 300.000 euros, relativos ao aluguer das instalações do complexo do Estádio do Restelo utilizadas pela SAD, que apresenta uma situação financeira estável, após encaixar cinco milhões de euros com a venda dos direitos desportivos de Nivaldo (Saint-Etienne) e Dady (Osasuna).
A Direcção eleita a 29 de Março terá, contudo, de fazer uma gestão por duodécimos até final do ano, uma vez que a proposta de orçamento para 2008 foi rejeitada na sessão magna realizada no início de Dezembro de 2007.