O clássico do quarto grande (II)

VIRAGEM. Quando subiu à I Divisão, em 1969, o objectivo do Boavista parecia bem definido: consolidar finalmente a relação com a elite do futebol português. Se na primeira época (69/70) os traços gerais do confronto entre as duas equipas prosseguiu – o Belenenses venceu por 3-0 –, na temporada seguinte aconteceu a surpresa: na última jornada do campeonato 1970/71, o Boavista venceu no Restelo pela primeira vez (2-1): BELENENSES – Mourinho; Virgílio, Quaresma, Freitas e João Cardoso; Quinito, Carlos Serafim e Estevão; Laurindo, Camolas e Ernesto. BOAVISTA – Rui Paulino; Zeca Pereira, Mário João, Barbosa e Alberto; Celso, Fraguito e Taí; Moínhos, Jorge Félix e Juvenal.

Moínhos inaugurou o marcador, Laurindo empatou e Jorge Félix selou o momento histórico do primeiro triunfo boavisteiro no reduto azul.

RESISTÊNCIA. Se a década de 60 é relevante por uma espécie de falta de comparência boavisteira – ausente da ribalta entre 1960 e 1969 –, não deixa de ter significado que foi precisamente nesse período que o Belenenses perdeu expressão como potência alternativa, cada vez mais longe do domínio imperial do Benfica de Eusébio. O FC Porto atravessava o deserto, o V. Setúbal e a Académica espreitavam a oportunidade. No início dos anos 70, porém, os azuis resistiram ao processo de esvaziamento e guiados pelo génio do paraguaio Paco Gonzalez conseguiram uma primeira metade da década respeitadora do seu passado.

BOAVISTÃO. A época 1975/76 teve condimentos únicos na história dos dois clubes. Se a luta de hoje sobre quem é o quarto grande alimenta as mais diversas discussões, o facto é que só nessa época as equipas assumiram um confronto mais ou menos directo: o Boavista de José Maria Pedroto e João Alves foi segundo (atrás do Benfica de Mário Wilson), o Belenenses de Peres Bandeira e Gonzalez foi terceiro. O confronto, no Restelo, foi a 7 de Dezembro de 1975, em jogo da 11ª jornada: BELENENSES – Melo; Sambinha, Quaresma, Freitas e Cardoso; Isidro, Pietra e Godinho; Vasques, Artur Jorge e Gonzalez. BOAVISTA – Botelho; Trindade, Mário João, Carolino e Taí; Barbosa, Alves e Acácio; Francisco Mário, Mané e Salvador.

Isidro deu vantagem aos azuis (aos 54') mas Alves empatou já na fase final (80').

O mágico das luvas pretas

Foi um dos melhores jogadores de sempre do futebol português e, naturalmente, o expoente máximo do futebol boavisteiro de todos os tempos: João Alves, o mágico das luvas pretas, emblema do Boavistão de Pedroto, aquele que lançou as primeiras sementes do campeão nacional em 2000/01.

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