Patrick liga recandidatura à SAD e acredita no regresso à I Liga: «Seria um ato de cobardia ir-me embora»

Patrick Morais de Carvalho
• Foto: Luís Manuel Neves

Patrick Morais de Carvalho defendeu esta quinta-feira, no Portugal Football Summit, que a entrada da Apex como acionista minoritária da sociedade desportiva do Belenenses é determinante para concretizar o objetivo de regressar à 1.ª Liga, assumindo que foi precisamente essa solução que o levou a avançar para uma recandidatura à presidência do clube, cargo que ocupa há 12 anos.

O dirigente, que será novamente candidato nas eleições marcadas para outubro, considerou que o emblema do Restelo já esgotou grande parte do potencial de crescimento apenas com recursos próprios e que a entrada de capital externo é o caminho para encurtar a distância para o futebol profissional.

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“Queremos regressar à 1ª Liga e somos conscientes da realidade da 1ª e da 2ª Liga. Procurávamos capital, não procurávamos financiamento nem empréstimos”, explicou, considerando que a Apex poderá trazer “músculo, experiência, competência e conhecimento” para ajudar o Belenenses a atingir esse objetivo.

Em declarações aos jornalistas, Patrick, de 56 anos, fez questão de sublinhar que o clube não é contra o modelo das sociedades desportivas, recordando que os conflitos do passado com Rui Pedro Soares e não com a existência de uma SAD. “O Belenenses nunca foi contra as sociedades desportivas. Foi contra um determinado investidor que não conseguiu ter uma relação minimamente pacífica com a massa associativa”, referiu.

Na sua perspetiva, continuar com uma estrutura integralmente detida pelo clube tornaria extremamente difícil a escalada da Liga 3 até ao principal escalão do futebol português. “O caminho não é impossível, mas o Belenenses, apenas com os seus recursos, conseguir dar o salto da Liga 3 para a Liga 1, passando pela Liga 2, é muito difícil”, admitiu.

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O presidente dos histórico clube destacou ainda as transformações realizadas nos últimos anos no complexo do Restelo, lembrando projetos como o supermercado, a bomba de combustível e a instalação da British School of Lisbon, mas considera que essas receitas continuam a ser insuficientes para sustentar, sozinhas, a ambição de regressar à elite. “Temos 11 ou 12 modalidades e cerca de cinco mil atletas. As receitas do clube têm de ser distribuídas por muitas secções e modalidades”, justificou.

Olhar para o futuro

Questionado sobre as eleições, depois do aparecimento de novos candidatos, Patrick mostrou-se satisfeito com o aparecimento de várias listas, entendendo que isso demonstra a vitalidade do Belenenses. “Quando estávamos a morrer não aparecia ninguém. Agora isso é saudável”, afirmou, acrescentando que acredita numa disputa final entre apenas duas listas.

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Apesar dos 12 anos na presidência, recusou assumir-se como favorito. “Seria menosprezar os sócios dizer que alguém é favorito”, declarou. O dirigente, de 56 anos, explicou que a possibilidade de apresentar aos associados a parceria com a Apex foi decisiva para avançar para mais um mandato. “Podia dizer que salvámos o Belenenses, saneámos o Belenenses e que quem viesse a seguir fizesse melhor. Mas, tendo esta solução da Apex, que acredito convictamente que nos vai levar à 1ª Liga, seria um ato de cobardia da minha parte ir-me embora e não apresentar esta solução aos sócios.”

E deixou uma mensagem dirigida ao eleitorado azul: “Não quero o apoio dos sócios por aquilo que fiz nos últimos 12 anos. Isso já está no museu. Quero o apoio deles por aquilo que pretendemos fazer nos próximos quatro anos.”

Arranque perfeito

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No plano desportivo, Patrick mostrou-se satisfeito com o início de época da equipa orientada por Gonçalo Brandão, depois da desilusão sofrida na temporada passada, quando o Belenenses liderou praticamente todos os indicadores estatísticos da Liga 3, mas falhou a promoção. “A equipa que teve mais vitórias, mais pontos, mais golos marcados e menos golos sofridos não subiu de divisão. Foi uma terrível desilusão”, recordou.

Ainda assim, considera que o arranque da nova temporada demonstra a consistência do trabalho desenvolvido no Restelo. “Entrámos muito fortes e até ao momento só temos vitórias”, salientou. “Mantivemos a espinha dorsal do grupo e praticamente só perdemos um jogador nuclear. Reforçámos a equipa com cinco ou seis jogadores que vieram acrescentar qualidade. Temos um plantel mais profundo. Voltamos a ser candidatos à subida e garantidamente vamos estar na luta até à última jornada.”

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