Patrick de Carvalho quer abrir portas a investidores: «A não subida de divisão marca o fim de um ciclo»
Presidente do Belenenses acredita que novos acionistas podem dar as condições necessárias ao clube
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Após partilhar que pediu para serem convocadas eleições antecipadas no Belenenses, o presidente Patrick Morais de Carvalho reconheceu a necessidade do clube acolher novos investidores. Com a participação na 2.ª Liga fora do alcance na próxima época, depois de falharem a promoção, o dirigente acredita que esta é a altura certa para fazer mudanças na estrutura do emblema de Belém.
"Esta não subida de divisão marca o fim de um ciclo. Deverá ser um fim de um ciclo do nosso futebol profissional e na estruturação acionista da nossa sociedade desportiva que criamos em 2023-2024. Não significa ignorar tudo o que foi feito, nem desvalorizar o caminho que percorremos até aqui, antes pelo contrário, fizemos um caminho épico entre a última distrital e a Liga 3. Mas o clube não estava preparado, moral e emocionalmente, em 2023/2024 [quando garantiram a subida à Liga 3], para ter acionistas na sociedade desportiva. Por tudo aquilo que passamos de 2018 a 2023, não era possível ter-se feito outra coisa. Mas temos que reconhecer que o futebol tem vindo a mudar todos os anos e que o Belenenses tem de se preparar para uma nova etapa da sua história", afirmou, em declaração à Belém TV.
O dirigente explica ainda porque acredita ser relevante "abrir as portas a parceiros na estrutura acionista": "A realidade competitiva alterou-se significativamente. Os recursos necessários para discutir a subida, à 2.ª Liga e depois à 1.ª Liga, e sobretudo para depois aí permanecer com estabilidade, são muito superiores àquilo que o Belenenses consegue gerar sozinho. Por isso, a minha convicção é que chegou o momento de entrarmos numa quarta fase da nossa história, aquilo a que chamo, ou quero chamar, a Era 4 do Belenenses."
Temos que reconhecer que o futebol tem vindo a mudar todos os anos e que o Belenenses tem de se preparar para uma nova etapa da sua história
Patrick Morais de Carvalho
Presidente do Belenenses
Sem certezas se será o escolhido a iniciar essa etapa, podendo deixar a direção do clube nos próximos meses, Patrick Morais de Carvalho explica apenas o seu ponto de vista para que o próximo responsável possa decidir o melhor para a equipa. Deixa também claro a importância de salvaguardar sempre os interesses do Belenenses.
"A próxima direção deve ter uma solução que permita a transformação da SDUQ numa SAD integralmente controlada pelo clube, mas procurando um parceiro credível, estratégico. Um acionista que aceite uma participação minoritária na nossa sociedade, numa posição minoritária que nunca possa ser transformada em maioritária através de aumentos de capital. Uma situação que esteja devidamente bloqueado a ponto jurídico, e um parceiro que nos traga músculo financeiro e que aponte competências em áreas que precisamos de nos profissionalizar e de modernizar, áreas em que nós não temos revelado competências. Um acionista não para retirar poder ao Belenenses, mas precisamente para lhe dar capacidade de competir", clarificou o dirigente, reforçando ainda que "o objetivo deve ser sempre manter o clube como entidade dominante e decisora, mas criar condições para que permita reforçar as infraestruturas, desenvolver o futebol de formação, melhorar a incapacidade de recrutamento, assegurar e reter o talento e principalmente desenvolver em áreas complementares ao futebol."
Patrick Morais de Carvalho reconhece a dificuldade de "encontrar um acionista minoritário que tenha capacidade financeira e que tenha integridade", uma tarefa que "muitos especialistas dizem até ser impossível". Contudo, relembra a história do clube como incentivo: "Tenham todos presentes que a história do Belenenses está cheia de impossíveis que se tornaram possíveis."
"Esta é a minha visão pessoal para o futuro do Belenenses e não pretendo, de forma alguma, condicionar o debate que agora se vai abrir. Tenho e terei sempre profundíssimo respeito por todos aqueles que convictamente continuarem a defender a continuação do modelo de SDUQ. Aquilo que repudio é o Belenenses, num qualquer ato de fé ou de desespero, voltar a entregar o seu futebol profissional, que tanto nos custou a todos trazer até aqui, nas mãos de um qualquer Messias Salvador. Estarei sempre do outro lado da barricada contra uma possível solução que pense numa coisa dessas. O Belenenses sempre soube encontrar o seu caminho nos momentos decisivos da sua história e acredito também que desta vez será assim e que os sócios saberão escolher quem melhor pode liderar aquilo que eu acredito vai ser um novo ciclo no nosso clube", rematou.