Jorge Pinto: «Não me recordo de um remate do adversário na 1.ª parte»

Treinador do Lusitânia de Lourosa viu um bom jogo da sua equipa frente ao Feirense e espera manter o nível na 2.ª mão do playoff

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• Foto: Lusitânia de Lourosa/Facebook
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O Lusitânia de Lourosa venceu a primeira mão do playoff de permanência/subida à 2.ª Liga, frente ao Feirense (1-0), e Jorge Pinto foi à sala de conferência de imprensa satisfeito, mas igualmente cauteloso, alertando que ainda faltam 90 minutos.

Equipa entrou com tudo

"Sim, acho que foi um bom jogo da nossa equipa. No cômputo geral e dentro de todos os momentos do jogo fomos muito competentes. Sabíamos que o nosso adversário ataca muito bem os espaços e dentro do jogo conseguimos perceber os momentos que tínhamos de controlar esse espaço e conseguimos fazê-lo. Fomos competentes e agora temos de ter noção, ser humildes e perceber que a equipa que está na 2.ª Liga é o Feirense. É nessa base da humildade que vamos preparar o próximo jogo porque é um jogo de 180 minuto, 90 minutos já estão jogados, mas faltam outros 90 e temos a perfeita noção que vamos sofrer muito na Feira. Vamos ter de correr muito e ser muito competentes porque senão fica curto para aquilo que queremos."

A exibição que a equipa fez hoje dá-lhe esperança para o 2.º jogo?

"Naturalmente, quando ganhamos a equipa fica confiante, mas é preciso controlar essa confiança dentro da equipa. É preciso percebermos que está a meio e se nós acharmos que já está tudo feito, acho que fica muito mais difícil. Agora, sabemos aquilo que fizemos e sabemos aquilo que queremos fazer. A equipa deu uma resposta cabal daquilo que é a nossa valia, daquilo que é o nosso jogo e nunca fugindo à nossa ideia. Teve a coragem de assumir o nosso jogo contra uma equipa de um patamar superior. O meu trabalho nesta semana é mais alertar os jogadores que nada está feito. Pedir à cidade e às pessoas que sejam moderadas porque temos de ser humildes e perceber que tem está na 2ª liga é o Feirense, neste momento."

Não tem faltado apoio desde que chegou

"Sim, sabemos que nossa massa adepta e que este jogo tem um significado muito grande para eles. Estão felizes, ganhamos e esta semana vai ser mais feliz do que em condições normais e queremos dar felicidade à nossa cidade. Claro que neste jogo conseguimos agregar muita gente. Foi um jogo muito bonito de se ver, tanto no estádio como na televisão. Acho que é uma propaganda muito grande desta cidade, destes jogadores e deste clube, por isso, é preparar o próximo jogo como mais uma batalha."

Trabalhar sobre vitórias é sempre melhor?

"Naturalmente que sim porque ganhamos confiança, mas é o que já disse, sempre com muitos alertas para aquilo que é o próximo jogo. Temos de ser muito moderados também. Temos de ser humildes e competentes como fomos hoje. Se acharmos que as coisas já estão feitas, aí vamos sofrer, com toda a certeza."

O resultado foi curto?

"Foi o possível. Costumo dizer que o futebol é sempre justo. Foi o possível, agora, sabemos que analisando o jogo nas duas partes: uma 1ª parte em que não me recordo de um remate do adversário e uma 2ª parte onde o adversário tem um remate com perigo. De resto, estivemos instalados dentro do meio-campo adversário durante muito tempo, mas também sabemos que o adversário queria isso para atacar espaços e provocar esse próprio espaço nas nossas costas. Fomos competentes a anular esse espaço. Falhamos alguns golos? Parece-me que sim, mas é o que o jogo nos ditou e aquilo que temos de aceitar."

O Lourosa dominou completamente o jogo. É importante entrar com a mesma atitude no próximo jogo?

"Nós tentamos sempre ter esta atitude, só que às vezes não é como queremos. O estado emocional dos jogadores também mexe. Há um conjunto de fatores que não conseguimos controlar. Acredito que os meus jogadores vão entrar no próximo jogo com esta atitude. Vamos preparar o jogo para que isso aconteça. Agora, se isso vai acontecer ou não, só no domingo é que podemos ver. Nós estamos preparados e vamo-nos preparar para entrar com uma atitude forte e esquecendo este jogo. Este jogo vai ficar dentro do balneário e não vamos levá-lo para fora porque pode dar algum comodismo emocional. Com o caudal que tivemos, pode criar algum comodismo e é isso que não queremos. Temos de manter os alertas bem presentes porque vai ser um jogo muito difícil na Feira, não tenho qualquer dúvida acerca disso."

Que dificuldades espera desse jogo no Marcolino Castro?

"É sempre difícil. É um jogo em que o adversário vai ter de se expor mais um bocadinho para tentar aproveitar o espaço nas costas e ir atrás do resultado e da eliminatória. O grau é sempre de dificuldade é sempre muito elevado. Sabemos que são jogos diferentes, com estratégias diferentes e também devido a este resultado podemos mexer na estratégia em função dele porque estamos a ganhar 1-0. Dentro de casa do Feirense, com os adeptos deles também vão dar-lhes um apoio brutal e os nossos adeptos, aqueles que podem ir e que sei que vão, vão-nos apoiar. A dificuldade do jogo é muito alta."

Que aspeto tático, técnico e psicológico espera melhorar para o próximo jogo?

"Boa pergunta, o que é que pode melhorar? É manter a concentração durante os 90 minutos. A grande dificuldade dos treinadores é percebermos e os jogadores dentro do jogo perceberem as nuances que o jogo nos dá e sermos os equilíbrios que temos de meter dentro do jogo porque, às vezes, estamos a jogar e até nos esquecemos de alguns posicionamentos e envolve-se mais do que aquilo que tem de se envolver. A concentração, a lucidez emocional neste tipo de jogos, jogos que empolgam as pessoas, os jogadores tremem um bocado, emocionalmente mexe com os jogadores e é essa lucidez emocional que temos de ter dentro do jogo e preparar bem a mente. Vai ser uma semana normal porque se alterasse a minha semana era sinal que tinha feito tudo mal até aqui. Eu preparo todos os jogos da mesma forma e vamos preparar este como mais um jogo, sabendo da importância dele e do que decide dentro de uma época desportiva, onze meses de trabalho. É exatamente o mesmo que temos feito até aqui", terminou.

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