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O presidente do Varzim, Lopes de Castro, mostrou-se hoje favorável a uma regra que impeça os clubes com salários em atraso de disputar as competições profissionais de futebol, como propõe o presidente da Liga, Hermínio Loureiro.
"Não conheço a proposta em pormenor para a comentar, mas se o pressuposto final for impedir os clubes com salários em atraso de competir, concordo", disse Lopes Castro à Agência Lusa, apesar de o clube ter três meses de vencimentos em atraso.
Lopes de Castro confirma que os vencimentos de Fevereiro, Março e Abril ainda não foram liquidados, mas garante que dentro de "uma ou duas semanas", antes de os futebolistas seguirem para férias, vai ficar "tudo em dia", como "sempre aconteceu" nos seus mandatos.
"De uma vez por todas, os clubes não podem deixar passar os salários em atraso de uma época para a outra", afirmou o presidente poveiro, que aponta essa situação como "o verdadeiro drama do futebol português".
O timoneiro dos lobos do mar desvalorizou a proposta de Hermínio Loureiro, já que os jogadores têm "a faca e o queijo na mão": "podem recorrer à Comissão Paritária da Liga, que dá razão a quem tem salários em atraso, e o clube fica impedido de competir e de inscrever atletas".
De acordo com o dirigente, o plantel do Varzim "conhece a realidade e gere-a bem", já que sabe os créditos que o clube tem a receber, nomeadamente do Estado e da Câmara da Póvoa de Varzim, são "muito superiores às dívidas".
"Este clube não tem receitas, estão todas penhoradas, quanto a nós indevidamente, pelas Finanças. Os tribunais já nos deram razão duas vezes, mas acho que nunca vamos ver o dinheiro, centenas de milhares de euros", lamentou.
"O Varzim sobrevive com o apoio de empresas e receitas de bilheteira, poucas. Os clubes da Liga de Honra vivem de meia dúzia de carolas", frisou Lopes de Castro, que diz ter apelado a uma reflexão sobre a situação na última Assembleia Geral da Liga.
O Varzim vive há vários anos em situação de crise financeira, sendo que o relatório e contas relativo à época desportiva 2006/07 apresenta um passivo de seis milhões de euros.