O plantel do Varzim denunciou esta quinta-feira aquilo que considera ser "uma grave situação que se vive no balneário do clube" devido aos três meses de salários em atraso. O capitão Pedro Santos, atuando como o porta-voz do grupo, afirmou que há atletas que estão "a viver momentos dramáticos".
"Há jogadores sem dinheiro para pagar as prestações, combustível e até sem possibilidades para colocar comida em casa, comendo em algumas refeições apenas bolachas", disse Pedro Santos, garantindo que "há elementos que querem ir embora".
Na presente época, o plantel varzinista recebeu apenas o mês agosto, tendo alguns jogadores mais um mês e meio de atraso relativamente à última temporada.
"Vamos apenas esperar até ao próximo dia 11 para recebermos, pelo menos, dois salários. A partir dessa data iremos tomar medidas drásticas", ameaçou o capitão de equipa, sem especificar se falava em cenários de rescisões ou greves.
O jogador não escondeu a angústia do grupo e a desilusão com a direção do clube: "Sentimo-nos sozinhos. Chega de promessas. Garantiram, há duas semanas, que nos pagariam dois meses mas até agora nada. E nem foram ao balneário dizer o que falhou".
No entanto, o diretor-desportivo Miguel Ribeiro negou que tenha faltado apoio ao plantel. "Surpreende-me estas declarações do capitão porque desde o início da época nunca falhei uma unidade de treino. É falso que não tem havido apoio e diálogo da direção com o plantel. O apoio da direção tem sido o ideal".
Miguel Ribeiro apelou ao "bom-senso de jogadores, sócios, e força vivas da cidade", mas não adiantou uma data para que verba seja liquidada juntos dos atletas: "Neste momento, não posso acrescentar mais nada. Apenas que nos falta o dinheiro".
O treinador Eduardo Esteves, comentando o atual momento do clube, admitiu a falta de motivação nos atletas. "Noto que falta a alegria e concentração nos treinos. Ainda assim eles têm sido grandes profissionais na entrega que têm demonstrado. Espero que esta situação não prejudique a prestação da equipa".