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Prestes a iniciar a sua terceira temporada no Académico Viseu, o médio Luís Silva, de 33 anos, foi um dos jogadores mais influentes na caminhada rumo à subida de divisão na época passada. Apesar do orgulho em recolocar o clube no principal escalão, o capitão está com o foco já no que aí vem.
"É sempre especial subir de divisão, sobretudo num clube que estava afastado do futebol da 1.ª Liga há 37 anos. Tem sempre um gosto especial colocar este tipo de clube e estas cidades, como Viseu, que é uma capital de distrito, na elite do futebol. Ficámos muito felizes, mas já passou e agora temos que pensar naquilo que vem no presente e no futuro. Claro que ficámos contentes com o que fizemos, mas agora queremos mais", referiu, em conversa com os jornalistas durante o estágio em Cádiz, Espanha, fazendo um balanço positivo das primeiras semanas de trabalho.
"Tem sido muito bom. Temos uma base muito grande daquilo que foi o plantel da época passada. Temos aqui dois jogadores que chegaram de novo, foram bem recebidos e estão bem integrados dentro daquilo que é o grupo de trabalho. O grupo era bom e continua a ser bom, integra bem toda a gente e acho que está a ser muito positivo. Este estágio também vai servir para o plantel conhecer melhor a equipa técnica e para a equipa técnica conhecer melhor o plantel", explicou.
Em relação a Bruno Pinheiro, treinador que sucedeu a Sérgio Fonseca no comando do Académico, Luís Silva estar "muito surpreendido". "É uma pessoa sem truques, que diz aquilo que pensa e dá liberdade com responsabilidade ao jogador. Não vê ‘fantasmas’. É uma pessoa muito exigente e estamos a gostar todos muito de trabalhar com ele", afirmou o médio, sem esquecer o homem do leme da subida. "O Sérgio Fonseca é uma pessoa que teve um trajeto muito positivo e que ficou na história deste clube. Gostamos muito dele, mas o futebol é assim."
Apesar da mudança de treinador, o plantel mantém praticamente intacto, o que o médio vê como um trunfo para 2026/27. "Como em todas as equipas que sobem, é importante manter aquilo que é um núcleo duro, porque vimos de um espírito de vitória e de uma época em que ganhámos muitas vezes. Sabemos que este ano se calhar não vamos ganhar tantas vezes, mas já nos conhecemos uns aos outros. Claro que precisamos de mais qualquer coisa e quem vier é para aportar qualidade, tanto dentro como fora do campo. Não partimos do zero totalmente porque temos uma base, mas partimos com novas ideias porque o treinador mudou. Sinto que temos todas as capacidades para fazer um bom trabalho", frisou.
Estreia contra Benfica "tem peso diferente"
Ditou o sorteio que o regresso do Académico à 1.ª Liga vai-se iniciar logo com uma visita ao Benfica, algo que Luís Silva admite ter "um peso diferente". "Vamos ao Estádio da Luz e todos os jogadores querem jogar grandes jogos com muita gente nas bancadas. Não sei se vai ser o caso [de ter público], mas gostamos sempre de defrontar os melhores. É aí que nos vamos colocar à prova. Sabemos da dificuldade, mas também sabemos o nosso valor. Vamos trabalhar muito. O Benfica é o primeiro adversário e o maior foco neste momento, mas antes temos uma preparação para chegar ao campeonato com as ideias bem cimentadas e a parte física já assinalável. A malta está a reagir de forma natural. Alguns vão jogar na 1.ª Liga pela primeira vez e existe entusiasmo, fosse qual fosse o adversário, mas claro que o Benfica tem um peso diferente", atirou.
Estágio longe da família custa, mas não é sacrífico
Apesar das excelentes condições à disposição de todo o grupo de trabalho na unidade hoteleira em que se encontra a estagiar, Luís Silva reconhece que estar longe da família "é sempre difícil". "Tenho uma filhota com 9 meses e é complicado, porque bate a saudade, mas faz parte do nosso trabalho. Não é um sacrifício, é o preço a pagar pela profissão que temos. No dia em que um estágio for um sacrifício, não faz sentido andar aqui", explicou.
Por Marques dos Santos