Custódio Castro e a saída do Alverca: «Para mim não há duas verdades»
Treinador aborda saída do clube
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Custódio Castro garantiu durante a palestra que proferiu esta manhã no XX Congresso de Futebol da Universidade da Maia (UMaia) que ainda não sabe onde ou qual será o próximo capítulo da sua carreira, nem assumiu taxativamente os motivos pelos quais decidiu colocar um ponto final na sua ligação ao Alverca.
“Foi uma época dificílima, um desafio de vida se olharmos para os riscos inerentes, mas nunca me faltou coragem para assumir um projecto como o Alverca no meu primeiro ano como treinador na Liga Betclic. Reconheço que a saída apresenta-se como uma surpresa, mas, independentemente do grande trabalho que realizámos, há valores que não abdico e foi por aí, porque deixei muito claro que deixaria imediatamente a posição se sentisse que os valores que defendo não eram compatíveis”, comentou Custódio Casto no auditório da UMaia, garantindo que “profissionalismo, honestidade e falar a verdade todos os dias” são os valores que não abdica: “Para mim não existem duas verdades. É isto que passo aos meus filhos”.
Ponto final abrupto, contudo, que o treinador encara com naturalidade, até porque considera que a imagem patenteada em Alverca também vai servir de pretexto para novas oportunidades.
Disse ao dono como ia ser: 'se isto não acontecer dentro do campo podes despedir-me; se não valorizar os jogadores, podes despedir-me'. Entrei no jogo plenamente consciente do negócio
Custódio Castro
“Ainda não rescindi o contrato com o Alverca, mas dei a minha palavra nesse sentido e é isso que vai prevalecer. Sou um homem de sorte e de família. Sei que vão surgir outros contratos e nunca me faltará nada. Também acho que o nosso trabalho não passou despercebido e em função disso mesmo pode surgir uma ou outra situação. Quem olha para o Custódio vê valores e quem o contratar não só sabe quais são as suas competências técnicas, mas também o homem que terá”, justificou Custódio Castro.
'Se isto não acontecer dentro do campo podes despedir-me. Se não valorizar os jogadores, podes despedir-me'. Eu entrei no jogo plenamente consciente do negócio
Modelo de negócio
Para lá de uma rápida retrospectiva da carreira como jogador, da influência que Paulo Bento e outros técnicos tiveram no seu modelo como treinador, Custódio Castro também abriu o jogo sobre as circunstâncias que o levaram até Alverca, onde revelou que fez “três entrevistas antes de ser contratado”.
“Na primeira reunião apresentei o meu modelo de jogo. Na segunda apresentei ao scouting do clube as características do jogadores a contratar para cada posição mediante o meu modelo e na terceira reunião, esta já presencial, apresentei o meu plano para desenvolver o clube, porque ninguém pense que um treinador é contratato só para treinar. Nada disso. Um treinador tem de acrescentar valor neste modelo de negócio”, comentou Custódio Castro enquanto explicava os meandros que resultaram na contratação de mais de 30 jogadores: “Potenciar o lado económico é uma das obrigações do treinador. Um clube que tem um orçamento de 12 milhões e receitas de apenas 4 milhões rapidamente entra em défice se não tivermos noção de que é preciso acrescentar valor. E onde é que acrescentamos valor? No desenvolvimento de ativos. Considero que fizemos tudo aquilo a que nos propusemos no Alverca. Tinha um estilo de jogo agradável e desenvolvemos o clube. Contratámos mais de 30 jogadores, fisioterapeutas, equipa médica e um roupeiro e a meio da época vendeu-se um jogador por 8 milhões que pode chegar a 10 milhões. Antes de ir assumir o comando técnico o Alverca equacionar uma facturação entre 20 a 30 milhões era um cenário de loucura, mas depois desta época pode muito bem ser uma realidade. E tudo isto foi falado durante a minha primeira reunião, onde apresentei o meu modelo de jogo. Disse mesmo ao dono como ia ser. 'Se isto não acontecer dentro do campo podes despedir-me. Se não valorizar os jogadores, podes despedir-me'. Eu entrei no jogo plenamente consciente do negócio. Hoje ninguém contrata um treinador pelo seu modelo, mas sim pelo que oferece ao negócio porque a pessoa que comprou o Alverca sabe bem quais são as despesas, mas quer acrescentar receitas para tirar valor”.