Daniel Ramos voltou, este sábado, à Noruega, através da conferência de imprensa de lançamento da deslocação do Arouca ao terreno do Vizela, amanhã, em jogo da 2.ª jornada da Liga Betclic. O treinador dos lobos ibéricos admitiu que a eliminação na Conference League está a gerar um "sentimento de revolta" na equipa e quer usar isso como arma no regresso ao campeonato.
O treinador lamentou a ausência de VAR na prova da UEFA, pois acredita que com essa ferramenta o Arouca ainda estaria em prova. Mas agora é tempo de apontar baterias ao campeonato, contra um Vizela que tem uma "grande equipa" e num jogo em que já poderá contar com os mais recentes reforços, Matías Rocha e Alfonso Trezza: "Eles estão mortinhos por jogar". Jogo histórico sem transmissão televisiva
Vizela só caiu com o Sporting no fim: "Espero dificuldades, o campeonato português é muito equilibrado. Poderá haver resultado desnivelado, mas a maioria dos resultados e dos jogos serão equilibrados. O Vizela, como grande equipa que é, fez uma recuperação fantástica em casa do Sporting e mostrou que tem qualidade e que nos merece todo o respeito. Estamos a preparar neste curtíssimo espaço de tempo, chegamos ontem à tarde, tentamos recuperar e só hoje vamos direcionar para o jogo. São apenas dois dias, estamos a tentar o melhor possível passar informação certa para irmos o mais preparados possível para o jogo. Existe preocupação da recuperação e de recolher informação para os jogadores e amanhã estamos a chegar outra vez. Vamos tentar melhor forma fazer o nosso jogo, acredito muito nos meus jogadores, no que podemos e temos vindo a fazer. Mesmo neste último jogo, sem a cobertura direta da imprensa, a equipa fez bom jogo. É verdade que se distraiu em alguns momentos e fomos muito penalizados por isso. Fomos muito penalizados, porque há dois lances claríssimos para penálti, com VAR teriam sido penálti e acabamos por ficar fora. Contudo, a equipa sabe que está no caminho certo, sabe o que tem de continuar a fazer. Estou muito orgulhoso do que temos feito até agora, a equipa está a demonstrar personalidade, capacidade, resiliência, grande atitude competitiva, nunca desiste, trabalha sempre e é isso que espero ver novamente em campo. Uma equipa que vai à procura de ganhar com todo o respeito pelo adversário."
Ilações da derrota com o Brann: "Várias, internas, falamos à chegada, já visionámos imagens e, portanto, há a preocupação de melhorarmos determinados aspetos e continuar a valorizar muitos outros que estão a ser bem feitos. São essas ilações que nos fazem crescer, do ponto de vista coletivo e individual. Queremos que cada jogador consiga ser melhor a cada dia que passe, a cada dia que passe... É isso que lhes digo todos os dias. A melhoria tem a ver com o que se faz de bem e de menos bem. Aquilo que se faz de bem, continuar a fazer e muitas vezes, aquilo que se faz de errado, reduzir número de erros, trabalhando em cima desses aspetos, visionando, falando, corrigindo, incentivando, dando umas duras de vez em quando, porque também é preciso. Assim se faz uma equipa.
Alterações no onze em Vizela: "É perfeitamente possível que as faça. A ganhar ou a perder não sou daqueles que assume os mesmos ou tem de mudar muita coisa. Não, eu tenho de mudar em função daquilo que são as prestações e daquilo que é também o plano e a exigência para cada jogo. Portanto, a escolha também será direcionada para aquilo que achamos que é o melhor para nós contra este próximo adversário. A equipa está a trabalhar bem, jogadores que não têm sido titulares, mas estão próximos de o ser."
Eliminação na UEFA e o moral do grupo: "Não acredito que haja nenhum tipo de abalo negativo na equipa, porque temos a consciência do que fizemos nos dois jogos [da Conferene League]. Em casa tivemos uma prestação fantástico, o resultado de 2-1 foi muito magro e, fora, pelo que fizemos, foi um resultado que nos penalizou muito, porque percebemos que o nosso adversário foi eficaz e aproveitou erros que em condições normais não acontecem na nossa equipa e não podem acontecer. Pagamos caro esses erros, mas continuámos a jogar bem, a criar oportunidades, faltou-nos eficácia novamente, foi o nosso calcanhar de Aquiles na prova, porque as oportunidades criadas foram muitas em relação aos golos que concretizámos. Isso foi fator decisivo. Estamos as certamente capazes de fazer muitos bons resultados no futuro. Apesar de tristes pela eliminação, porque tínhamos expectativas em passar ao playoff, ficámos cientes da importância de ser dar o melhor de nós, mesmo havendo contrariedades como aquelas que existiram, porque com VAR teria sido diferente, estaríamos a falar de outra forma e o Arouca estaria na próxima eliminatória. Temos perfeita noção do que fizemos. Se houvesse justiça, por vezes não acontece, nós estaríamos na próxima eliminatória."
Espírito de revolta em Vizela: "Vamos levar todas as armas possíveis, todas, todas elas podem contar para um resultado positivo. Claro que há esse sentimento de revolta e se isso nos ajudar a conseguirmos um resultado positivo, levem tudo para campo... todas as armas são necessários."
Calendário e os interesses do Arouca: "É difícil fugir, acho que houve preocupação por parte da Liga também na altura da calendarização, mas a quantidade de jogos faz com que seja apertado também. Não é por aí, sabíamos que ia ser assim, é preferível andar nestas andanças do que não andar e temos é que nos preparar para arranjar ferramentas para que a equipa consiga responder jogo após jogo. Estamos fora, mas não me importaria nada de continuar a jogar seguido, com três dias de descanso."
Matías Rocha e Alfonso Trezza: "Estão mortinhos por jogar... [risos] Estão preparados, estavam em competição. O Trezza com menos tempo, chegou mais recentemente do que Matías Rocha, que está mais integrado, mas são duas soluções. E eu conto com todos."
Casos clínicos: "Há jogadores quase a 100 por cento, no plano final da recuperação e a trabalhar normalmente, apenas com uma ou outra preocupação. O Pedro [Moreira] já está a treinar a 100, o Vitinho está próximo. São jogadores que estão a evoluir do ponto de vista físico e táctico, porque estiveram muito tempo parados. Estão a evoluir a vários níveis, mas estão a ser solução ao nível do treino. Ainda vamos treinar na parte da tarde, teremos feedback do departamento médico para percebermos quem são os jogadores mais habilitados, preparados, quem está a 100 por cento para poder fazer parte das escolhas."
Por Nuno Barbosa