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Gonzalo García está prestes a orientar o primeiro jogo oficial do Arouca em 2024/25, diante do V. Guimarães, esta segunda-feira, pelas 20h15. O técnico uruguaio revelou que "há muito a provar" dentro de campo e que o grupo de trabalho dos lobos ainda não está totalmente fechado, mas salientou que as "experiências de pré-época" foram positivas para a preparação.
"É normal que possa haver dúvidas se olharmos só para os resultados de pré-época. Os resultados da pré-época não foram os melhores, mas é certo que temos muito a provar nestes jogos. Nunca jogamos sempre com o mesmo onze. Durante esta minha primeira experiência em Portugal já houve jogadores que foram embora e outros que vieram. Estamos a conhecer-nos, estamos a ver quais são as melhores maneiras de nos adaptar dentro de campo. Para mim, o mais importante é que a mensagem tenha sido transmitida, porque foram jogos duros, em condições também elas muito duras. O importante é que fomos experimentando. Estou tranquilo para esta estreia, porque creio que temos bons jogadores", disse o treinador, de 40 anos, embora tenha vincado que "é preciso mais" algumas peças para reforçar o grupo arouquense.
O Vitória é uma equipa forte. Sente o grupo preparado para este primeiro jogo?
"É certo que é uma equipa dura, da primeira metade da tabela e sabemos que vamos começar com uma das equipas mais importantes do país. Aliás, já tem um ritmo competitivo superior ao nosso, ainda esta semana jogou em Zurique. Nós também fizemos jogos, é verdade, mas não tiveram o ritmo nem a importância dos jogos deles. Têm, talvez, a equipa e o grupo mais fechado do que o nosso, que ainda estamos em construção, e isso é uma vantagem para eles. Mas não estou triste com o nosso nível. Vai ser o nosso primeiro exame e não creio que seja algo muito importante focar-nos nos resultados da pré-época. Estamos bem, em todos os jogos houve momentos em que a equipa esteve muito bem. Precisamos de um pouco mais de tempo, mas não estou preocupado, porque estamos a crescer."
Já tem um sistema de jogo definido para jogar com o Vitória?
"Sim, mas não acho que o sistema seja o mais importante. Pouco importa se vamos jogar em 4-3-3 ou 3-4-3, o que interessa é que a ideia fique definida e haja alternativas dentro da identidade que quero implementar. O Vitória tem uma equipa forte, dinâmica e agressiva, por isso temos de ser uma equipa unida e organizada dentro de campo. É isso que temos de melhorar e implementar, porque temos de ter alegria a jogar. Nas melhores equipas do mundo, não há dependência em um ou dois jogadores, apenas. Têm um grupo em que todos contribuem de igual maneira. Contra qualquer equipa vai ser preciso termos identidade, vamos tentar seguir isso. Mas é óbvio que temos de ser cautelosos e ter precauções."
Tem oito reforços, como correu a integração deles?
"Quem chegou adaptou-se muito bem, porque temos um excelente balneário. Todos têm uma personalidade muito aberta, trabalham muito e são como uma família muito unida. O mesmo acontece com o clube, com o staff e a equipa técnica e direção sempre muito concentrada em dar as boas-vindas. As contratações até foram pensadas antes de eu chegar, embora outras tenham sido com a minha avaliação. É normal prepararem a próxima época na época anterior, tenho a certeza que o mesmo aconteceu com o treinador. É por isso que eu gosto de mudar de país, para aprender como melhorar."
Já disse querer um jogo positivo e em torno da posse de bola. Vai adaptar essa ideia para o jogo com o Vitória?
"Para jogar de qualquer forma, o importante são os jogadores. Eu gosto de jogar em bloco alto, pressionantes e ativo, mas para isso é preciso ter os jogadores certos. Dentro de campo passam-se muitas situações e é preciso adaptarmo-nos conforme acontecem. A ideia depende do jogo e dos jogadores, porque eles é que são os atores. No ano passado o Arouca pressionava bem e tinha muita profundidade, os duelos eram constantes. Agora, creio que vai depender mais da organização. Eu gosto de ter a equipa colocada mais acima no campo, sem perder concentração e deixar que as bolas sejam colocadas atrás da linha defensiva. Mas tudo vai depender da organização. Eu gosto de jogar do meio-campo para a frente, mas é melhor não ir à guerra sem estar preparado."
É vantajoso ter mais jogos oficiais do Vitória para analisar?
"Obviamente que sim, já jogaram três jogos mais os que fizeram na pré-época, de grande nível, como aconteceu com o Middlesbrough e o Rayo Vallecano. Aí, jogaram com um bloco médio, mas firme. Construiram uma equipa sobre uma nova estrutura, e nós, se é que eles viram os nossos jogos, alterámos um bocado. Sim, dá-te uma vantagem termos jogos para analisar e saber o que se pode passar, mas ao mesmo tempo, têm muito mais ritmo competitivo do que nós.
Está à espera de mais jogadores chegarem em agosto, nomeadamente para o setor ofensivo?
"Sim, vamos ver. Isso são perguntas para o Flávio [Soares] e para o Joel [Pinho]. O meu trabalho implica dizer o que preciso e analisarmos em conjunto, porque há que ser uma equipa competitiva. Penso que precisamos de algumas peças especificas, mas temos uma equipa competitiva, segura e, talvez com algumas peças, na minha cabeça penso que se torne um campeonato mais fácil. Posições? Bom, isso novamente é para o Flávio, eu queria reforços em várias posições, não só no ataque. Também há jogadores que váo sair, e é possivel que haja equipas que venham pescar-nos um ou outro jogador. Naturalmente, os grandes pescam nos mais pequenos. O mercado continua aberto."
E o mercado aberto é uma vantagem?
"Penso que para as equipas grandes, sim. Lá, eles precisam de certas peças, têm dinheiro, vão busca. É uma pequena vantagem em relação às mais pequenas. Podes ir reforçar-te, mas podem vir buscar os melhores jogadores. Tens um barco bom, mas há quem te possa vir roubar o peixe."
Com Henrique Araújo em vez de Rafa Mujica, as dinâmicas ofensivas vão ser diferentes?
"É como disse antes, tu atacas dependendo dos jogadores e das peças que tens à disposição. Com o Mujica, é normal que haja muitas transições. Com o Henrique é mais difícil. As dinâmicas no ataque dependem muito da equipa. No ano passado, o Arouca fez muitos golos do David Simão para o Mujica ou do Cristo González para o Mujica. Eu quero é fazer golos, e os golos podem fazer-se de muitas formas e depende dos jogadores. Vai mudar um pouco a dinâmica, é claro. O Henrique é mais de combinações e o Mujica é mais de correr e de força. Cada um tem a sua qualidade."
O guarda-redes é a posição mais difícil para escolher?
"Todas as posições têm opções e são difíceis. Mas o guarda-redes tem de ter confiança. Não o trocas durante o jogo, por norma. Temos três bons guarda-redes, com diferentes caraterísticas, com bons reflexos e com bom jogo de pés. O Thiago tem presença e bom jogo de pés, por exemplo, enquanto o Nico [Mantl] tem muita confiança e é parecido com o Thiago. Em principio é o Nico na baliza, porque é a nova contratação e tem a nossa confiança. É a nossa escolha, mas tenho muita confiança nos outros, de certeza absoluta. Estou muito atento. Se houver um castigo, uma lesão ou maior rendimento de outro, trocamos como é óbvio, temos outros jogadores que podem fazer o trabalho. Se contratámos o Nico, é porque temos uma expetativa com ele."
Lesionados.
"Temos alguns jogadores em dúvida. O Lawal está de fora, e há outros jogadores que têm de ser analisados. Cristo? Sim, é um deles, mas não dependemos de ninguém, somos uma equipa."
Por João Albuquerque