Daniel Sousa: «Gyökeres não vai ter uma dupla marcação ou três à volta dele»

Treinador prometeu um Arouca igual a si mesmo e não vê Sporting mais desgastado pelos jogos europeus

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• Foto: Ricardo Nascimento
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Daniel Sousa, treinador do Arouca, fez este sábado a antevisão ao jogo com o Sporting da 25.ª jornada da Liga Betclic, partida agendada para amanhã, às 18 horas. 

O que esperar do Arouca depois do que fez contra o FC Porto em casa e do que tem feito nos restantes jogos. E o que esperar do Sporting que também tem feito um excelente campeonato? "Esperamos um jogo difícil como todos os outros. As características são as que eu já falei nestes jogos contra equipas que tem outros objetivos, são jogos com um cariz mediático bem maior. Vamos ter uma casa, seguramente, mais composta que noutros jogos e isso é a grande diferença. Obviamente que duas equipas que tem estado bem no campeonato, particularmente o Sporting está bem desde o início, não é uma coisa recente. Por isso, vai ser um jogo difícil para nós, em que vamos tentar impor aquilo que tem sido o nosso jogo, aquilo que é a nossa identidade e não vamos alterar em função de qualquer que seja o adversário e que foi o que fizemos contra o FC Porto."

Rúben Amorim, nos últimos jogos, queixou-se um pouco da questão física da sua equipa. Acha que o Arouca pode ter alguma vantagem por estar mais fresco? "Não porque a questão física é sempre muito relativa. Há dois fatores aqui que têm peso. É óbvio que eles têm tido jogos durante a semana e isso tem algum peso, daí a gestão que ele também tem feito dentro daquilo que ele acha que deve ser feito. Mas há dois fatores aqui, nós também começamos o campeonato muito cedo e isso também é um peso. Há jogadores que efetivamente têm mais jogos do que os nossos, mas também temos jogadores com um nível de jogos já bastante elevado. O Mujica, o Cristo, o Javi, o Nacho têm menos um pouco porque não fez as taças, mas anda tudo ali com um registo bastante alto de minutos jogados. Obviamente que a série com que eles estão de jogos é importante e tem algum peso, tanto é que ele fez alguma rotação no jogo da Liga Europa, e depois há a questão motivacional que também tem um peso na parte de cansaço ou não. Neste caso, como a equipa está a lutar por todos os objetivos, há exceção da Taça da Liga, continua a lutar pela Taça de Portugal, Liga Europa e campeonato, há uma questão anímica aqui que faz com que o aspeto físico seja uma realidade, mas se não tivessem esses objetivos em causa era uma realidade ainda maior e tinha seguramente outro peso. Portanto, não esperamos uma equipa, de todo, fatigada, esperamos um Sporting na máxima força, fresco, por assim dizer. Agora, há todo um conjunto de condições que podem não ser favoráveis, acho que as condições meteorológicas não vão ser nada de especial, o campo pode estar um bocadinho pesado por isso, mas isso é para as duas equipas."

Daniel Sousa já tem experiência em tirar pontos ao Sporting. Que ilações ou comparações podem ser repescadas da época passada para ajudar no jogo? "Já faltam os elogios porque toda a gente já atribuiu os elogios todos e eu poderia fazê-lo também, mas  não é necessário. O que eu acho é que esta equipa do Sporting com a entrada de alguns jogadores, que também não é preciso mencionar quais são, ganhou bastante mais profundidade em relação aquilo que era o ano passado e acho que é mais ou menos óbvio aquilo que tem conseguido. Em termos de dinâmicas, é uma equipa relativamente parecida e mais completa também por causa dessa capacidade para esticar mais o jogo e para variar o tipo de jogo que tem, relativamente aquilo que era o ano passado."

Diz-se que este Sporting é muito fácil de identificar e difícil de contrariar. Sente exatamente isso e que cuidados têm de ter a sua equipa para contornar as dificuldades de enfrentar o Sporting? "Acho que é visível quando as equipas são regulares naquilo que apresentam ser mais fácil identificá-las. Também ao Arouca é fácil identificar que defendemos com uma linha subida, que gostamos de pressionar, se estivermos baixos gostamos de sair na profundidade e isso também é fácil de identificar. O que não quer dizer que seja fácil de anular sempre. Há coisas que mudam, há coisas que não mudam. Na altura do FC Porto, por exemplo, marcámos o golo cedo e isso também muda o curso do jogo e nós acabamos por ficar um bocadinho mais na expectativa do que propriamente andar à procura de outras coisas, ou seja, foi um circunstância do jogo, não foi uma estratégia definida logo à partida, que mudou um pouco o curso. Estamos preparados para isso se estivermos de estar e estamos normalmente, é isso que procuramos para estar preparados para diferentes tipos de cenários porque vamos ter de atacar, vamos ter de defender, vamos ter de defender baixo, vamos ter de defender alto, vamos ter de estar com a linha subida, vamos ter de estar com linha baixa. Agora, a gestão que fazemos disso durante o jogo é que é importante e acho que para isso estamos preparados."

Sporting e Arouca têm ataques muito fortes. O último terço e a eficácia vão ser fatores determinantes? Sendo que o Sporting defende diferente do FC Porto? "A eficácia é sempre o que determina o jogo. O Sporting defende de forma diferente porque se estrutura em campo e posiciona-se de forma diferente. Logo à partida tem mecânicas completamente distintas da outra equipa. Agora, não é uma equipa diferente no sentido de 'esta equipa pressiona muito alto' ou 'esta equipa fica mais na expectativa', não. Há efetivamente equipas que se demarcam em termos de 'ok, estamos tranquilos aqui, esperamos pelo erro', é uma opção. Nestas equipas não vejo muito isso, mas que em momentos do jogo também tem de defender, isso seguramente e independentemente da forma como se posicionam no campo. Agora, há aqui questões da forma como se posicionam em campo que estamos acautelados porque vamos tentar explorar pelo posicionamento e pelas dinâmicas que tem em campo, defensivas também."

Como é que se lida, depois do resultado frente ao FC Porto, para que a equipa não fique com confiança a mais? "Isso foi resolvido no jogo a seguir em que perdemos. Infelizmente tivemos que… não é tivemos que, atenção. Apesar de tudo, aquele jogo foi um jogo em circunstâncias difíceis para nós porque, e isto não é para arranjar desculpas porque não quero estar a dizer que o terreno estava seco, podemos apontar para isso tudo, mas não fomos eficazes e não conseguimos criar tantas situações de golo como costumamos e o adversário apresentou-se num bloco bastante baixo. Tudo isto são características daquele jogo que não nos permitiram procurar os três pontos. Para todos os efeitos, recordamos que na primeira volta o Arouca quase que ganha no Dragão e depois perde também com o Casa Pia, ou seja, foi uma sequência igual. Isso está arrumado e não há deslumbramentos com resultados porque sabemos que apesar de tudo ainda temos muitas coisas a melhorar. Sabemos que o Sporting viu o jogo em Chaves e também viu que há ali coisas que não fizemos bem. Eles vão tentar explorar essas coisas que fizemos menos bem para tirar o máximo partido do jogo."

Vão entrar fortes como contra o FC Porto ou tentar segurar o resultado nos primeiros minutos? Alguma atenção especial ao Gyökeres? "Tentar segurar o resultado não, não é a nossa estratégia. Vamos procurar atacar e trazer três pontos, faz parte daquilo que tem sido o nosso registo independentemente do adversário. Relativamente ao Gyökeres, é um dos tais jogadores que mencionei, mas não tinha dito o nome, que trouxe coisas diferentes a este Sporting. Não carece de uma atenção especial, carece de uma atenção que já temos com outros. Pegamos naquilo que é um ponta de lança, o Clayton, que saiu agora do Casa Pia, e dedicamos-lhe a mesma atenção que dedicaremos ao Gyökeres. Não vai ter uma dupla marcação ou três à volta dele a marcá-lo ou qualquer coisa do género. Vamos fazer o nosso trabalho de casa no sentido de preparar que determinado tipo de situações não ocorrera porque sabemos que este jogador é forte e vamos tentar evitar que isso aconteça, mais do que prevenir ou preocuparmo-nos demasiado com esse jogador."

 

O Gyökeres é forte, mas o Arouca também tem três muito fortes, sobretudo o Jason, o Mujica e o Cristo. Pode ser um fator motivacional, apesar de nestes jogos não ser muito preciso, ter o Mujica a dois golos do Gyökeres, se conseguirem anular o sueco, podem também abrir portas ao Mujica? "Não creio. Primeiro, não são só três, são quatro porque o Sylla também está a um nível muito alto. Eu faço questão de o salientar porque o foco tem estado e com mérito nos jogadores, mas também muito mérito da equipa. Eu tenho que deixar essa ressalva sempre porque todos os jogadores têm estado a um nível excecional. Relativamente à segunda parte, não porque se perguntarem isso ao Rafa [Mujica], se ele prefere ganhar o jogo ou marcar três golos e não ganhar, ele vai preferir ganhar o jogo. Isso logo à partida revela o que é mais importante aqui."

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