Gonzalo García: «Não sou um romântico que só pensa em atacar»
Treinador do Arouca diz que a equipa tem de estar preparada para qualquer que seja a forma como o AVS SAD se apresente
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Depois da derrota no Estádio do Dragão, o Arouca recebe este sábado, pelas 18 horas, o AVS SAD, em duelo da 8.ª jornada da Liga Portugal Betclic. No lançamento da partida, o técnico Gonzalo García garantiu que a equipa estará pronta para os desafios que o adversário lhe colocará e frisou que o seu trabalho não está apenas direcionado para o momento ofensivo.
Expectativas para o jogo: "O nosso rival fez um bom mercado e com muitas mudanças. Frente ao Farense, mostraram que têm bons jogadores, com velocidade e que tentam jogar. Estão bem organizados e, como todos os jogos nesta competição, vai ser um jogo difícil e disputado. Vamos ter de trabalhar muito para ganhar os três pontos em casa."
Impacto de um possível regresso de Nenê: "Se joga o Nenê, por exemplo, é um jogador diferente que faz jogadas melhores, com bons passes e boas decisões. Se jogam outros, têm mais velocidade. Para nós, a nossa ideia é fazer o nosso jogo, jogue quem jogue. É certo que há alguns que são novos e é mais difícil conhecer. Têm jogadores de muitas regiões e sinto que não conhecemos todos, mas damos sempre uma ideia geral da equipa e vamos organizar-nos como fazemos em todos os jogos. Se joga o Nenê é uma coisa, se joga outro, é outra coisa."
Uma vitória nesta fase é urgente para os objetivos da equipa? "Urgente não, mas importante sim. Sinto que estamos a fazer melhor as coisas, mas é sempre necessário obter pontos. Temos seis neste momento e sinto que os merecemos. Podíamos ter mais alguns de outro jogo, como o do Rio Ave, e se tivéssemos esses pontos estaríamos tranquilos. É um processo normal, porque a equipa sofreu muitas mudanças, mas penso que podíamos ter mais alguns. Espero que este sábado possamos ganhar os três pontos e colocar-nos numa posição tranquila. Sinto que a equipa está a jogar melhor e quando vejo a equipa a jogar revejo-me naquilo que vai acontecendo no campo. Para mim, isso é o importante. Claro que o importante é ganhar, mas acho que o caminho para ganhar é este. Em Faro, com muitas dificuldades, creio que poderíamos ter feito outro golo e terminado o jogo com outro golo, já que não aconteceu mais nada a não ser a pressão adversária. Não temos sido suficientemente efetivos nas transições e no Dragão, na 1ª parte, viu-se o que a equipa pode fazer. A 2ª parte, foi o que foi com menos um jogador. Não tivemos a sorte de ser estáveis e ver o que acontecia."
Como vai reinventar o ataque para suprir as baixas? "O AVS SAD está muito bem organizado defensivamente e é uma boa equipa. Temos três golos e creio que podíamos ter marcado mais, mas, ao mesmo tempo, não é fácil. Começamos com um avançado, logo a seguir outro avançado, mais dois/três jogos outro porque há sempre algum problema. Agora é o Güven [Yalçin] que não vai estar. O Henrique [Araújo] temos de ver hoje: treinou ontem, não o treino todo, mas quase todo e vamos ver o que fazemos. Temos bons jogadores e diferentes opções. O certo é que é sempre mais fácil dar a responsabilidade a um ou outro jogador que tem mais jogos. É difícil se jogas um ou dois jogos e tens de sair. É como falei, o Henrique [Araújo] estava a ganhar confiança e teve de sair. Eu sentia que o Güven [Yalçin] estava a crescer e agora têm de sair. Tentarei ter no campo jogadores que sinta que são os melhores para o jogo e depois do treino tomaremos as últimas decisões."
Há alguma esperança para o Henrique Araújo poder ser utilizado? "Sim. Vamos ver ainda hoje, mas temos de ver se queremos correr um risco ou não. Não gosto de arriscar a saúde dos jogadores, só numa necessidade muito grande. Vamos ver como terminar hoje o treino e se pode ser utilizado de início ou mais para a frente."
Opção por Nico Mantl para construir a partir de trás: "Sinto que o Nico [Mantl] com os pés é muito bom. Sinto que fez um bom trabalho, embora que no golo sofrido frente ao FC Porto fez um passe que não era necessário. Acredito que no resto dos jogos esteve bem. Jogou no Aalborg, no Viborg e jogava com os pés e bem. É normal que, às vezes, aconteça algum erro. No outro jogo esteve bem, nos momentos em que teve de jogar longo, jogou longo, está tranquilo e a trabalhar bem. Seria, da minha parte, feio e oportunista ficar só com a jogada do golo porque era uma situação do jogo. Foi uma má decisão, mas como qualquer outra que pode acontecer a qualquer outro jogador. Está a crescer. Temos confiança nele e isto não quer dizer que não temos no [João] Valido ou no Thiago [Rodrigues], mas o primeiro guarda-redes é o Nico [Mantl] e estou contente com ele. Vão sempre existir erros, mas temos de trabalhar para isso não acontecer."
Capacidade para saltar a primeira linha de pressão: "Variamos sempre um pouco de jogo para jogo, não é exatamente igual. O caminho que segues com a bola varia com a pressão que faz o rival. O certo é que quando trabalhas uma coisa, é difícil, no início, que saia bem ou 100%. Se jogas 4x4x2 e bola para a frente, isso sai-te no primeiro dia, mas se exiges que só joguem longo quando tenham necessidade, em situações de um para um, e, mesmo assim, não é para a frente porque sim, tem de ser um passe, é diferente. Às vezes, quando pedes coisas aos jogadores que, ao início, não estão confortáveis a fazê-lo, tens de esperar que, pouco a pouco, comecem a compreender a situação e a reconhecer de onde vem a pressão, só que isso dá trabalho. Para quem jogou com treinadores que jogavam desta maneira é fácil, mas se é a primeira vez que fazem este tipo de coisas é mais difícil. Ainda mais se não podemos repetir a mesma defesa mais de um jogo. Este foi o primeiro jogo onde repetimos o quarteto defensivo mais o guarda-redes e os dois médios à frente. Os automatismos começam a aparecer e os alas começam a perceber que precisamos de amplitude. Não deveria ser um problema o perder a bola, mas depende de como perdes a bola. Há sempre dificuldades, por isso, tens de ter o controlo de como perdes a bola e onde a perdes. A ideia dos onze tem de ser global."
O AVS SAD também precisa de pontos e poderá subir mais no terreno para conquistar os três pontos. Está preparado para isso? "Temos de estar preparados para todos os cenários. É possível que o AVS SAD venha e pressione alto e também é possível que tenham um bloco médio ou baixo. Temos de estar preparados para todas as situações e sinto que estamos a crescer em certos aspetos na construção. Estamos preparados tanto para uma pressão alta como para encontrar um bloco baixo e a trabalhar para ser melhores. Eles até podem fazer as duas coisas. Para mim, jogar bom futebol não é só jogar bem com a bola, é também defender bem seja em que zona do terreno for. Com bola é preciso atacar todos juntos. Não sou um romântico que só pensa em atacar. É preciso fazer tudo bem, atacar, defender, transitar no ataque e transitar na defesa. Eu treino-os para fazerem tudo bem e chegarem à partida a aplicar isto com a qualidade que têm, que é muita."