Vasco Seabra e a 1.ª vitória no Arouca: «Tal como disse Cristiano Ronaldo, é como o ketchup...»
Treinador dos lobos acredita que será possível arrancar um resultado positivo na visita à Reboleira
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O Arouca vai à Reboleira esta segunda-feira enfrentar o Estrela da Amadora, no jogo que encerra a 13.ª jornada da Liga Portugal Betclic agendado para as 20h15.
Vasco Seabra, técnico dos lobos, acredita mesmo que será possível conquistar a primeira vitória da sua era na Serra da Freita, considerando que é mais importante do que a pontuação, porque "não há como fugir da classificação". "Não fazemos com que o nosso trabalho dependa do lugar, muito menos quando estamos a 20 e tal jornadas do final do campeonato. Temos é uma crença muito grande do nosso desempenho e uma convicção da qualidade dos nossos jogadores. Temos de ser competitivos e mais agressivos a cada semana que passa. O nosso crescimento não pode ser sustentado por vitórias só. Vamos lutar para que a estrelinha esteja do nosso lado, mas que não seja esporádica", realçou o técnico, a caminho de orientar o quinto encontro ao leme do Arouca e ainda à procura do 1º triunfo: "Queremos, obviamente, uma grande vitória, porque tal como diz o nosso campeão, Cristiano, é como o ketchup. Na nossa Liga, há adversários difíceis de ultrapassar, mas acreditamos que vamos ultrapassar este com confiança."
Estrela tem tido resultados positivos em casa.
"Seria a primeira vitória, sinto uma esperança convicta daquilo que temos vindo a fazer. É verdade que as nossas exibições foram em crescendo, tirando a 1ª parte do jogo com o Farense. Melhorámos em cada jogo. O jogo com o Benfica já foi mais consistente, intenso, mostrámos um jogo mais completo e sentimos que esta evolução pode trazer-nos resultados, porque andamos atrás deles no sentido de criar consistência, no sentido de fazer o trabalho e ter o lucro. Trabalhar sobre vitórias é muito mais agradável. Temos essa confiança no grupo, do que nos tem apresentado. Vai ser um adversário difícil, nos últimos jogos em casa tem sido consistente e capaz, tem um estádio e adeptos com uma envolvência e energia muito alta. A esse nível, tem sido muito. Vamos ter que estar no nosso melhor nível para igualar o adversário."
O Estrela está numa posição e sequência semelhante ao Arouca. Vê isto como uma oportunidade?
"A tabela tem esta parte, a competitividade na Liga. Uma ou duas vitórias seguidas vão catapultar-nos para cima. Não olhámos para algo que nos atormenta, mas sim como um desafio. Podemos olhar para a tabela e focarmo-nos naquilo que nos diz, ou controlar o que podemos, que é ter uma atitude fortíssima em campo e sentir que somos capaz de nos bater com os outros. Isto é o que controlamos e conseguimos fazer. Quando assumimos o Arouca sabíamos que este era o calendário. Não há como fugir, mas não temos medo dele. Conseguimos competir com o Sp. Braga e com o Benfica, apesar de não vencermos, sentimos sensações positivas. As vitórias morais não existem, não dão pontos, mas dão-nos sensações boas para trabalhar sobre."
Há especial importância nesta jornada?
"Não há como fugir do jogo, não vou esconder que esperamos coisas positivas dele. Mais do que isso, mais do que ter importância, temos de fazer entender aos jogadores que cada exercício é vital no treino. Se não houver exigência diária não nos interessa dizer que este jogo é importante por ser um adversário difícil e o outro não. Não podemos dar facilidade nos treinos, trabalhamos e, depois, eu também dou folgas para eles estarem com as famílias e não terem que me aturar. Mas em trabalho, eles sabem da exigência que existe e que têm de criar entre nós."
Houve uma espécie de preocupação extra com a finalização?
"Sim, é verdade. Durante a semana tivemos o maior números de minutos dedicados à nossa parte ofensiva. Tivemos uma preocupação maior no que podemos fazer quando estivermos instalados no último terço, também o número de jogadores que temos a preparar para defender uma bola parada ou um cruzamento, para que possamos conseguir ser mais fortes a atacar, porque os nossos jogadores têm qualidade para chegar ao último terço. Temos de ter mais gente aí, não quer dizer que com um jogador não seja possível fazer um golo, mas quantos mais jogadores dimensionarmos para atacar a baliza adversária, melhor. Todas essas coisas vamos forçando. Não nos agarramos ao que falta, mas ao que vai passar."
O Arouca realizou a menor taxa de duelos ganhos do ano com o Benfica. Foi algo trabalhado nesta semana?
"Desde o primeiro dia que chegámos foi um dos aspetos que sentimos que podia crescer pelo nosso modelo de jogo. Não é uma crítica ao que está para trás, mas são formas de estar. Gosto que a minha equipa seja muito agressiva, portanto, temos que competir. Na semana do Benfica fizemos trabalho de duelos e eu nem sabia desta estatística. A olho nu, senti a equipa muito mais intensa e mais capaz na pressão, esse foi o aspeto mais positivo para mim. Em termos de roubar a bola, sentimos que a equipa está a crescer. A minha sensibilidade é que estamos a melhorar nesse sentido e vamos levá-la para os jogos."
Que vantagens vê em ter o Trezza como ponta-de-lança?
"Olhando para o jogo com o Benfica, enviámos duas bolas ao poste, temos uma situação dentro de área que seria claríssima para nós, poderia ter dado para nós. Temos ainda a oportunidade do Trezza, que obriga a uma grande defesa do Trubin. Criar, contra o Benfica, quatro ou cinco oportunidades claríssimas de golo são situações que demonstram que andámos ali atrás. As situações acabam por ser finalizadas com naturalidade quando a equipa se sente mais estável, até pelos resultados. O Trezza tem predicados que outros não têm, pode jogar em quatro posições da frente e essa versatilidade é importante, cria mais condições. Mas temos outros jogadores que podem jogar mais curto, o Guven, o Henrique ou o Marozau dão outras características e personalidade. Se nos instalarmos mais na área, esses jogadores vão ter mais oportunidades."
E são alterações que implicam treino ou já estão bem oleadas?
"Implicam, a equipa sabe que, jogando diferentes jogadores, outros trocam de posições e isso é treinado. Os posicionamentos trocam, há uma adaptação. Depende se quisermos jogar em apoio ou com mais profundida. Jogando o Esgaio ou o Alex Pinto, por exemplo, são distintos. Treinámos de forma a que sintam que é diferente. Acaba por variar. Estas relações são sentidas e, no sentido global, fazem uma equipa."
E já estão totalmente trabalhadas?
"Estamos há cinco semanas cá, com jogos, com um plantel grande. Se eu dissesse isso, era quase dizer que o treinador tem pouca influência na forma como a equipa joga. Acredito que, ao final de dois anos, as coisas são mais capazes de acontecer. Por isso, é óbvio que sentimos muitas coisas passadas dos jogadores, mas falta tempo para agilizar e implementar naturalmente."
O FC Porto escorregou depois de saber de uma derrota do Sporting. O Arouca pode ultrapassar o Nacional e o Estrela na tabela e já sabe o resultado de um deles. É algo que facilita o seu trabalho?
"Não, as equipas ainda vão perder, empatar e ganhar. Se fosse as duas últimas jornadas e estivessemos no limbo, haveria sempre esse estímulo. Não nos condiciona, jogamos sempre para ganhar."