Vasco Seabra e a receção ao Rio Ave: «Vai ser um jogo de pormenores»

Treinador do Arouca sente a sua equipa desafiada pelo valor do adversário e pronta a dar uma boa resposta

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• Foto: Hélder Santos
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O Arouca-Rio Ave encerra, amanhã, a partir das 20:15, a 21.ª jornada da Liga Portugal Betclic. O treinador dos lobos fez, este domingo, a antevisão a esse encontro entre duas equipas com trajeto coincidente e que, nos últimos sete jogos, só perderam um.

"Vai ser um jogo de pormenores", considera Vasco Seabra. "Por isso, temos que estar por cima do Rio Ave para podermos, no final, sermos nós os vencedores", acrescenta.

Ainda sem derrotas em 2025, o treinador do Arouca vê esse dado como um fator de "pressão positiva" e indica: "Não nos vai ser nada dado de borla, temos que ser nós a conquistar. Esse é o nosso desejo, é a nossa mensagem interna e externa, porque ela, neste momento, é coincidente. Dessa forma, vamos com todas as forças que temos, com a energia que temos, com uma vontade muito grande de nos batermos positivamente e sairmos do jogo vencedores."

Nesta partida, Vasco Seabra só tem uma baixa por lesão, a do central Galovic, e outra por castigo, a de Popovic, que foi expulso no triunfo sobre o Nacional. Por isso, admitiu, sentirá dificuldades a elaborar a convocatória.

De resto, aplaudiu o Rio Ave e o seu ponta-de-lança, Clayton, mas sente que a sua equipa está desafiada e preparada para bater-se com esse adversário.

Que Rio Ave espera? "Um Rio Ave muito forte, que nos últimos sete jogos perdeu só com o Sporting. Ou seja, é uma equipa que nos últimos sete jogos só perde com o campeão nacional. É uma equipa que naturalmente vem num momento bom e de qualidade.  E acredito que vai ser um jogo muito competitivo, muito competente do adversário e que nos vai obrigar, naturalmente, a estar num bom nível. E acredito que vai ser um bom jogo. Que vamos passar por dificuldades, que vamos ter momentos por cima do jogo também. Quanto ao menor descanso do adversário, creio que não terá tanto impacto assim, porque do jogo com o São João de Ver para o nosso é mais um dia de recuperação do que aqueles que eles tiveram do FC Porto para o São João de Ver. E os jogos da Taça de Portugal criam sempre um elan de confiança, de estímulo positivo para a equipa.  Por isso acredito que o Rio Ave está motivado e que vai acabar por chegar fresco ao nosso jogo. E nós vamos ter que estar num registo muito alto. Queremos dar sequência também àquilo que temos vindo a fazer. São duas equipas que nos últimos sete jogos têm apenas uma derrota. Por isso, acredito que vai ser um jogo competitivo, competente, bem jogado e essencialmente muito equilibrado, onde todos os pormenores vão fazer a diferença. Vai ser um jogo de pormenores. Por isso, temos que estar por cima do Rio Ave para podermos, no final, sermos nós os vencedores.

Mais responsabilidades por o Arouca ainda não ter perdido em 2025?: "Sim, mas nós encaramos essa responsabilidade como uma responsabilidade positiva. Gostamos dela, gostamos dessa pressão positiva, de querermos jogar para ganhar, de nos desafiarmos. A equipa tem dado sempre sinais de crescimento, de crença, de união, de ligação uns com os outros, também de qualidade de jogo quando assim temos condições para o fazer.  E, por exemplo, quando tivemos que cerrar os dentes e fechar-nos e ajudar-nos uns aos outros e corrermos uns pelos outros, também o fizemos. Por isso, soubemos diferenciar momentos de jogo diferentes e soubemos estar neles. Por isso, temos a responsabilidade em tudo aquilo que é o esforço, a dedicação, a atitude, a paixão pelo jogo, nós aí temos uma responsabilidade muito grande de que temos que dar 100 por cento de nós.  Se depois, num outro momento, às vezes falhamos um passo, às vezes as coisas acontecem e nós não conseguirmos jogar tão bem, isso pode acontecer. Eu, apesar de não gostar, posso aceitar. O que não é negociável é essa atitude, essa paixão pelo jogo, essa responsabilidade por todos desempenharem o seu melhor.  Penso que esta foi a semana mais completa em termos de número de jogadores que tivemos para treinar e, como tal, a semana mais difícil de construir uma convocatória, o que também é mérito dos jogadores e que me deixa confiante e seguro de que estamos preparados para competir e para darmos o melhor de nós."

Vitória pode dar salto na tabela: "Nós sentimos que cada jogo que agora passa, principalmente após aa entrada da segunda volta, reveste-se sempre de uma importância grande, porque sempre que conseguimos dar uma sequência positiva de resultados, a possibilidade de crescimento, tanto em termos motivacionais como em termos de pontuação, faz-nos saltar degraus. Nós queremos sempre o degrau acima, ou seja, se este agora é o próximo jogo, sentimos que agora é um jogo altamente desafiante contra uma equipa que também se reforçou muito, que tem expectativas altíssimas para aquilo que é também a luta para os seis, sete primeiros lugares. Nós queremos desafiar-nos sempre contra os melhores, contra as equipas que querem competir para esses lugares e que nós queremos mostrar também a nós mesmos que temos essa capacidade e essa confiança para nos podermos desafiar com elas e sermos nós a sairmos vencedores desses mesmos jogos. Por isso, temos que olhar para este jogo precisamente desta forma. Sabemos que é um adversário muito competente, individualmente muito capaz, coletivamente uma equipa que também deu um salto grande, está muito próximo de nós. Em duelo nós sabemos que podemos ultrapassá-los, por isso temos que correr por isso, temos que andar muito por isso porque não nos vai ser nada dado de borla, temos que ser nós a conquistar. Esse é o nosso desejo, é a nossa mensagem interna e externa, porque ela, neste momento, é coincidente. Dessa forma, vamos com todas as forças que temos, com a energia que temos, com uma vontade muito grande de nos batermos positivamente e sairmos do jogo vencedores."

Como melhorou a equipa do Arouca? "Eu quero acreditar e aquilo que me dão os sinais é que foi mudando tudo um pouco. Não queria tanto dizer melhorando, porque não quero também colocar em causa aquilo que era feito antes, porque eu também não o conhecia a fundo, só externamente, mas aquilo que nós fomos sentindo é que a equipa, do ponto de vista emocional, se sente mais confiante, mais confortável e que consegue lidar com as adversidades do próprio jogo com naturalidade. Ou seja, tal como na vida, não há muito espaço para a gente ficar muito agarrado às feridas que nos aparecem, temos que lamber e seguir. Nós temos que continuar, dar seguimento e manter o foco na tarefa, naquilo que nós conseguimos cumprir do ponto de vista tático e coletivo, individual e como equipa. Também nos centrámos um bocadinho em tudo aquilo que era o ponto de vista emocional, essa segurança e essa força, e aquilo que era do ponto de vista tático procurarmos estabilizar aquilo que é a organização defensiva para diminuirmos aquilo que eram os remates do adversário à nossa baliza, o número de cruzamentos que o adversário conseguia fazer, o número de progressões que conseguia ter no nosso meio campo defensivo, assim como os golos esperados nós queríamos diminuí-los. Felizmente, desde que nós chegamos, eu acho que nos últimos 10 jogos já conseguimos ter um 'score' de 12-12, 12 marcados, 12 sofridos, que acaba por ser uma marca que é difícil de alcançar para equipas que estão a tentar crescer e evoluir. Valorizarmos essa conquista, que depois felizmente também se tem representado e valorizado em pontos, nos últimos 5 jogos fizemos 11 pontos, ou nos últimos 7, fizemos 14. Representam uma pontuação muito positiva para nós, mas que tem que nos criar esse desafio e essa ambição de, no próximo jogo, conseguirmos fazer melhor, e de forma mais consistente. Indo de encontro à pergunta, para que consigamos nos 90 e tal minutos ter essa consistência, independente de, durante o jogo, sentirmos que vamos passar por dificuldades, porque quase nenhuma equipa consegue aguentar 90 e tal minutos sem passar por dificuldades, temos que saber lidar com elas e sabermos lidar com elas como equipa. Isso leva-nos a essa consistência.

Pablo Gozálbez como espelho: "Eu fico muito satisfeito pelo Pablo, como fico muito satisfeito, já falamos anteriormente do Trezza, do Henrique [Araújo], o Güven teve um momento muito importante, e ultimamente até nem tem tido, e continua a trabalhar muito bem, o Chico [Lamba] também penso que se desenvolveu, o Fukui e o Pedro Santos têm andado à luta, o David Simão com o Loum. Focando no Pablo, que é quem tem a ver com a questão, eu acho [que a evolução] tem a ver primeiro com ele, com ele próprio, com o desenvolvimento dele próprio, porque tem sempre tudo a ver com aquilo que é a entrega que cada um deles dá à equipa, e aquilo que eles próprios fazem todos os dias para se aproximarem daquilo que é a melhor versão deles. O Pablo tem um talento muito grande, que começou a acreditar mais nele, e que o crescimento da equipa o ajudou a ter essa possibilidade de aparecer mais no jogo. Ele é um jogador refinado, um jogador de entrelinhas, de boas recepções, bom remate de longe, bom último passe, tem que se dimensionar, mas tem que se continuar a desafiar, porque ele sabe que se abrandar um por cento, neste momento na forma como a equipa está a trabalhar, vai outro saltar para o lugar dele, por isso ele tem que se desafiar todos os dias. E esse desafiar-se todos os dias leva a que essa competitividade interna faça crescer o grupo, nós falamos aqui anteriormente noutras entrevisões que o grupo estava a crescer em termos competitivos internamente, o Pablo é um exemplo disso, de que esse crescimento individual o levou a bater-me à porta e a dizer que quer entrar no onze - não desta forma, de forma mais metafórica -, mas essencialmente teve a ver com o jogador, como tem a ver com o Puche, que trabalha todos os dias e tem tido mais entradas do que teve no início. Tudo é um processo e um desenvolvimento, cada semana que entra é uma semana nova para mim, por isso eles sabem que têm que mostrar esse serviço. O Pablo, felizmente, tem feito isso, espero que dê continuidade também a esse momento, porque ele tem talento e capacidade para o fazer."

O dono do lugar de ponta-de-lança: "Felizmente tem rodado por motivos muito positivos. Nós queríamos dimensionar um pouco mais o ataque, por isso é que fizemos duas contratações para frente, um extremo e um ponta. Acredito que a luta vai ser dura até o final entre os três. Neste momento, o Henrique fez um bom jogo, felizmente, o Dylan tem feito boas entradas, o [Güven] Yalçin tinha-me dado também boas indicações anteriormente... A luta está feroz, a verdade é que isso sente-se em treino e também tem sido visível em jogo. Quando a luta é saudável e quando eles olham para o lado e sentem que têm mesmo que dar o melhor deles, porque senão o outro vai ultrapassá-los... Portanto, valorizo os três. E eu não estou a dizer isto para os valorizar de borla, porque se tivesse que lhes puxar as orelhas, entre aspas, isso também aconteceria. A verdade é que os três têm tido um comportamento exemplar em treino. A convocatória está difícil de fazer, neste momento são 22 jogadores de campo disponíveis para poderem ser chamados, só podemos levar 18 na convocatória mais o guarda-redes, e portanto a luta fica feroz, fica difícil, e esse é um lugar que atualmente me dá garantias, e também obviamente me deixa feliz por isso."

Rio Ave e o perigo Clayton: "Cada equipa tem realmente as suas características, e isso é um dado bom, positivo, nós sabemos que é um adversário difícil. O Clayton está num momento fantástico. E isso, contrariamente àquilo que por vezes dizemos, dá-nos gozo, nós somos competidores e, nesse sentido, para valorizarmos os nossos jogadores, para podermos ficar mais fortes a cada semana que passa, jogar contra os melhores é sempre altamente impactante. Podermos sentir que jogamos contra adversários bons, desperta-nos o nosso nível de foco. Temos em atenção aquilo que é o adversário, sabemos que é um adversário que realmente joga muitas das vezes na profundidade do Clayton, outras vezes com a mobilidade dos médios para que ele depois possa aparecer entrelinhas, porque também é um jogador que consegue deixar de frente para os colegas com alguma facilidade. Vai exigir de nós, em termos de bloco defensivo, que a bola entre menos vezes, que nós consigamos controlar a profundidade muito bem, e que a nossa equipa, toda ela, consiga lidar com um adversário que individualmente é capaz e que tem realmente uma referência de ponta de lança que é forte, que está num momento bom, e que nós queremos que ele neste jogo passe despercebido e que seja um jogador que nós consigamos anular do ponto de vista coletivo."

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