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A longa cadeira do poder

A longa cadeira do poder
• Foto: MIGUEL BARREIRA

“Nunca pensei ser presidente do Benfica. Nunca me passou pela cabeça”. As afirmações foram feitas por Luís Filipe Vieira a 31 de outubro de 2003, dia em que venceu as eleições do clube pela primeira vez. Hoje, já no seu quarto mandato, torna-se no dirigente que mais tempo ocupou o principal cargo do Benfica ao atingir nove anos, um mês e um dia, ultrapassando assim Bento Mântua, líder dos encarnados no século passado, entre 1917 e 1926.

Se o seu nome já estava na história do clube devido à obra feita e à forma esmagadora como venceu alguns atos eleitorais, Vieira é agora também o dirigente com mais tempo na liderança do clube.

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Chegou à Luz em outubro de 2000 integrando a lista de Manuel Vilarinho, vencedor dessas eleições. O antigo presidente do Alverca não podia na altura pertencer à administração da SAD, pois deixara a sociedade desportiva do emblema ribatejano há menos de um ano, mas além de ser o homem forte do futebol dos encarnados acabou por ser também, juntamente com José Guilherme, um dos responsáveis pela construção do novo Estádio da Luz.

Em 2003, Luís Filipe Vieira candidatou-se pela primeira vez a presidente e a sua vitória sobre Jaime Antunes e Guerra Madaleno foi esmagadora, passando mesmo a constituir a maior percentagem num ato eleitoral, com 91,9 por cento dos votos. Durante esse primeiro mandato o clube recuperou a situação financeira e inaugurou o novo estádio, além de ter voltado a ser campeão nacional de futebol, na época 2004/05, terminando assim com o maior jejum do clube em termos de títulos no campeonato.

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Sem oposição

A recuperação do bom-nome do clube, as conquistas no futebol – em 2003/04 já vencera a Taça de Portugal – e a inauguração do Centro de Estágio do Seixal permitiram ao antigo presidente do Alverca candidatar-se sozinho a novo ato eleitoral, em 2006, apesar de um ano antes ter dito que “provavelmente” não seria candidato. Foi nessas eleições e nas seguintes, apesar de no futebol, o que mais interessa aos adeptos de todos os clubes, não ter voltado a ser campeão. Mesmo assim, em 2009 voltou a esmagar a concorrência, sendo eleito com 91,7 por cento dos votos, contra os 2,71 de Bruno Carvalho.

Aposta em Jesus

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Nesse ano, além da concretização de mais um dos seus projetos, a Benfica TV, Luís Filipe Vieira operou também a mais significativa alteração no futebol do clube com a contratação de Jorge Jesus. O técnico conduziu os encarnados ao segundo título de campeão na era do atual presidente e a equipa passou a ter presença mais assídua na Liga dos Campeões, prova que, apesar de não ter grande sucesso em termos de resultados, garantiu nas últimas épocas a entrada de importantes verbas nos cofres da Luz. Além disso, o Benfica passou a conseguir grandes encaixes financeiros com as transferências de jogadores, apesar de, por consequência, não conseguir segurar no plantel alguns dos principais trunfos na luta por título.

Nos últimos anos o clube continuou o seu projeto de desenvolvimento com a reorganização das casas do Benfica e o crescimento do número de sócios, sendo hoje o emblema com mais associados em todo o Mundo (cerca de 224 mil) – recorde reconhecido pelo “Guinness”. E nem o facto de ter perdido os dois últimos campeonatos para o FC Porto retirou a credibilidade a Luís Filipe Vieira que, em 2012, concorreu ao seu quarto mandato para presidente.

O ato eleitoral voltou a ter resultados esmagadores, embora não tanto como nos anteriores, e Vieira ganhou com 83,02 por cento dos votos, contra 13,83 de Rui Rangel. Ao entrar neste mandato o presidente prometeu três títulos de campeão e uma final europeia nos próximos quatro anos, sendo a da Champions 2013/14, a disputar no Estádio da Luz, a preferida da direção das águias.

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Já deixou de ser sócio dos dragões

O facto de ser sócio do FC Porto desde 1985 passou a ser uma cruz para Luís Filipe Vieira desde a sua chegada ao Benfica. A oposição recordava o assunto quando podia, e os seus negócios com o clube nortenho, enquanto presidente do Alverca, também não o ajudavam. Vieira nunca escondeu a história e explicou-a, acabando por pedir ao amigo que lhe pagava as quotas para deixar de o fazer. Hoje já não é sócio do rival.

Oposição tentou impugnar eleição

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Antes das eleições de 2009 Bruno Carvalho, candidato da oposição, tentou impugnar o ato, alegando que Luís Filipe Vieira não era ilegível. Defendia que o facto de o presidente ter pedido a demissão do cargo obrigava-o a ser alvo de um processo disciplinar, ficando impedido de concorrer. Manuel Vilarinho, então líder da AG, não aceitou os argumentos. Vieira venceu com 91,7 por cento dos votos.

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