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Águia de sentido único

Águia de sentido único
• Foto: LUÍS MANUEL NEVES

O Benfica fechou a fase de grupos da Taça da Liga com mais uma vitória e manda a verdade dizer que o resultado do jogo de ontem acaba por não traduzir com rigor a exibição responsável e serena da equipa encarnada. Sem deslumbrar, os jogadores escolhidos por Jorge Jesus para uma partida que nada decidia fizeram o suficiente para justificar triunfo, digamos, mais gordo. Faltou o acerto no remate nalgumas ocasiões e sobrou a presença do guarda-redes Adriano noutras, valendo assim a recarga certeira de Sulejmani a uma bola repelida pela trave após cabeceamento de Funes Mori.

Consulte o direto do encontro.

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Uma das dúvidas que podia colocar-se antes do jogo passava pela atitude de ambas as equipas face a 90 minutos para cumprir calendário. Mais ainda quando ambos os treinadores apostavam em alterações, chamando jogadores menos utilizados – a segunda equipa, no caso do Benfica. O reflexo dessas mexidas e a irrelevância do jogo trouxeram um ritmo tranquilo, pausado, com um ou outro momento de maior intensidade.

Focados

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A diferença ficou por conta da abordagem: os encarnados sempre focados em chegar perto da baliza de Adriano; os gilistas num estranho bloqueio que os fez chegar ao final do jogo sem conseguir incomodar Paulo Lopes.

Jorge Jesus apostou em Amorim para uma posição no meio-campo ligeiramente mais recuada do que André Gomes, entregou as alas a Ivan Cavaleiro e Sulejmani, aparecendo Djuricic no apoio a Funes Mori. O treinador do Gil Vicente, um pouco como se estivesse a lutar pelo pontinho, estruturou a equipa em 4x1x4x1, condenando o único dianteiro, Paulinho, à inexistência. O resto eram... duas linhas colocadas à frente da baliza de Adriano.

Os encarnados demoraram algum tempo até conseguirem criar situações de perigo. André Gomes tentava armar jogo, mas as alas não reagiam da mesma forma. Menos esclarecida a esquerda; mais ativa a direita, onde Cavaleiro conseguia descompensar Vítor Vinha. E foi assim que apareceu a jogada em que Funes Mori terá sofrido falta. O jovem argentino foi cobrar a grande penalidade e permitiu a defesa de Adriano.

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A agitação daquele momento, aliado a outro em que André Gomes quase fazia golo de canto direto, foi contraponto a uma primeira parte maioritariamente desinteressante. O Benfica dominava, tinha mais bola, mas esbarrava nos “diques” gilistas, que pareciam apostar apenas em não sofrer golos. Como se dessa proeza dependesse algo de substancial.

Melhor

O segundo tempo teve mais qualidade. E maior rapidez. E mais oportunidades de golo, acabando o Benfica por conseguir chegar à vantagem. A equipa de Jorge Jesus manteve os pressupostos, mas aumentou a velocidade, ao mesmo tempo que os recursos técnicos de elementos como Cavaleiro, Djuricic (melhorou bastante após o intervalo), André Gomes ou Sulejmani, começaram a estabelecer diferenças. Para um adversário sempre bloqueado; sempre preso a uma lógica de espera que nunca se alterou nem depois do golo sofrido. O guarda-redes do Gil Vicente ainda evitou males maiores, mas o Benfica ficou a dever golos a si próprio por faltar pontaria aos jovens que entraram a partir dos 77 minutos. Principalmente Bernardo Silva, que teve duas ocasiões fazer o 2-0. Ficou o resultado pela diferença mínima, suficiente afinal para premiar quem quis vencer o jogo.

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Quanto ao Gil Vicente, apenas uma nota: não nos lembramos de uma partida de futebol em que uma das equipas deixasse o terreno sem... fazer um remate à baliza.

Árbitro: Bruno Esteves (nota 3)

Bruno Esteves começou por apitar em quase todos os lances divididos e assim chegámos a ter 9 faltas em... 9 minutos. Depois a cadência abrandou e o resto do jogo acabou por seguir escorreito. Cremos que terá ajuizado bem no lance da grande penalidades, mas não assinalou algumas faltas que, de facto, o foram. O cartão amarelo a Djuricic pareceu exagerado. Os avançados não podem cair na área sem simulação?

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Momento: minuto 56

Escolha óbvia para o momento em que Sulejmani fez o golo, após Funes Mori acertar na trave. O Benfica já justificava a vantagem e aquela recarga no interior da pequena área abriu o marcador e acabou mesmo por decidir o jogo.

Nota técnica

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Jorge Jesus. Aproveitou, como era esperado, para rodar elementos menos utilizados e, principalmente na segunda parte, conseguiu que a equipa mostrasse ritmo. (3)

João de Deus. Quando uma equipa acaba um jogo com zero remates, a responsabilidade é do técnico e da lógica que pretendeu seguir ao longo dos 90 minutos. (1)

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