Águias e leões separados no projecto de estádio municipal

Águias e leões separados no projecto de estádio municipal

A POSSIBILIDADE de construir um estádio municipal, a ser partilhado pelos dois grandes clubes de Lisboa, Sporting e Benfica, uma ideia cuja paternidade foi assumida já em 1997 pelo presidente da Câmara, João Soares, foi relançada há cerca de duas semanas. Uma ideia que numa primeira fase não foi avante pela rejeição de Vale e Azevedo e que posteriormente acabou por ser posta de parte, a despeito das várias tentativas de João Soares para a pôr em prática.

O ressurgimento deste projecto no actual contexto decorre da conjugação entre a difícil situação económica que Benfica e Sporting atravessam e a necessidade de o actual presidente da Câmara reforçar o seu peso político e eleitoral numa altura em que as sondagens indicam um empate técnico entre as intenções de voto na sua previsível candidatura e na de Pedro Santana Lopes, às eleições autárquicas, a realizar em Dezembro próximo. Uma vitória eleitoral de João Soares seria claramente do agrado de ambos os clubes, que mantêm com o actual elenco camarário uma colaboração próxima e profícua.

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Acresce, ainda, que Santana Lopes, apesar da sua condição de ex-presidente e sportinguista, não colhe simpatias junto do círculo de actuais responsáveis do clube.

Não surpreende, pois, que esta nova abordagem aos dois grandes de Lisboa tenha sido por estes acolhida, com agrado, em particular o Sporting, cuja situação financeira é mais problemática do que transparece para a opinião pública.

Mas se o Benfica mostrou, à partida, receptividade para encarar essa hipótese, a verdade é que está a ultimar o “dossier” da construção do novo estádio, que recolhe o apoio esmagador da maioria dos membros dos órgãos sociais do clube, no âmbito do Euro-2004.

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Neste momento, tudo aponta para uma decisão nesse sentido e não foi por acaso que o presidente do Conselho Fiscal, Luís Nazaré, veio há poucos dias a público dizer que, ao contrário da posição que assumiu há semanas atrás, não irá demitir-se se o Estádio da Luz for demolido. Ele sabe que o projecto para a construção do novo estádio já ganhou uma embalagem difícil de travar e que o “dossier” para a remodelação do estádio não tem pés para andar face à ausência de apoio dos investidores individuais e institucionais.

Em recente entrevista ao jornal “A Bola”, um dos principais investidores do Benfica, Vítor Santos, afirmou que já havia dinheiro para a construção de um novo estádio e que não contribuiria nem com um prego para a remodelação do actual.

Segundo Record apurou junto de uma fonte da Direcção encarnada, o Benfica tem praticamente assegurados os apoios em termos de financiamentos para a construção do novo estádio, faltando apenas ultrapassar algumas questões, nomeadamente a recuperação dos terrenos vendidos por Vale e Azevedo à Euroárea, que não são impeditivas de uma resposta positiva que será dada a conhecer dentro uma semana, aproximadamente.

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