Anderson: «Já estou a torcer pelo Benfica»

RECORD – Como é que descreve o seu futebol?

ANDERSON – Gosto de actuar pelo lado direito da defesa, mas também sei jogar pela esquerda, sem problemas, embora seja destro. Nunca tive dificuldades em relação à velocidade, sou rápido, tenho um bom rendimento nas bolas aéreas. Enfim, nunca tive deficiência em qualquer aspecto, mas é claro que sempre procuro aprimorar o meu futebol. Para a função de defesa tenho todos os fundamentos.

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RECORD – Todos dizem que é um jogador tecnicista. É verdade?

ANDERSON – Eu não sou um jogador violento, faço poucas faltas. Procuro sempre visar a bola, levei apenas um cartão amarelo em 2005, em 14 jogos que disputámos. Sou um jogador de defesa acostumado a clássicos, encontros difíceis, mas graças a Deus sempre fiz o meu trabalho lealmente.

RECORD – Que ideia tem do futebol português?

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ANDERSON – Tenho amigos que jogaram em Portugal, como o Filipe Alvim. Conheci o Luisão na selecção brasileira, joguei contra o Paulo Almeida e o Liedson trabalhou comigo. Sei que há três clubes fortes, que lutam sempre pelo título, mas não conheço muito as equipas mais pequenas. Sei que o Sporting, FC Porto e Benfica são grandes, disputam a Liga dos Campeões e a Taça UEFA.

RECORD – Já procurou referências sobre o Benfica com o Roger e o Carlos Alberto, seus companheiros do Corinthians?

ANDERSON – Costumam falar como é o Benfica e o futebol português. Dizem que Lisboa é linda. E que o idioma facilita a adaptação. Dizem que os três grandes lutam pelo título e são as equipas que mais contratam jogadores importantes. Sei que o Benfica está há longo tempo sem ganhar a SuperLiga. Pelo que referem, a pressão é forte, mas estou habituado a isso.

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RECORD – O Benfica é o clube com maior número de adeptos, como o Corinthians em São Paulo. Portanto, já está habituado à pressão que se sente nestas equipas?

ANDERSON – Jogo no Corinthians, sei como isso é. Temos de vencer sempre. São poucos os jogadores que fizeram quase 200 jogos pelo “Timão” como eu. Até hoje julgo que fiquei de fora apenas em dois jogos da equipa, por contusão. Os adeptos sempre gostaram de mim, sou muito querido dentro do clube. Quem joga na defesa precisa manter uma regularidade. E 200 jogos sem qualquer lesão, nem nenhum tipo de cirurgia, têm algum significado. E agora estive na selecção brasileira em Hong Kong, realizando um sonho. Foi uma grande oportunidade oferecida pelo Carlos Alberto Parreira, com quem trabalhei no Corinthians em 2002 e fomos campeões. Tive a chance e não quero deixá-la escapar. A primeira internacionalização é sempre a mais difícil, mas depois o jogador fica mais visível. Quero regressar à selecção.

RECORD – O Benfica será uma boa porta de entrada no futebol europeu?

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ANDERSON – Se a transferência for confirmada, em Junho. O Benfica é uma das equipas mais fortes de Portugal. Se fizer um bom trabalho, será mais fácil para dar um pulo ainda mais adiante. Mas o importante é lutar para jogar, pois não adianta nada chegar ao Benfica e só pensar em ganhar dinheiro. Quero subir cada vez mais. Tenho 24 anos, sete deles no Corinthians, nunca fui suplente. Quero jogar sempre, seja onde for.

RECORD – Confirmada a negociação com o Benfica, que sonho pretende realizar no clube?

ANDERSON – Se eu for para o Benfica, quero conquistar o campeonato português. Mas já estou a torcer para que o Benfica vença o campeonato nesta época. Certamente sentirei saudades do Corinthians, mas é a minha profissão e quero jogar na Europa, se tudo der certo. Sinto que estou cada vez mais próximo de realizar esse sonho.

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RECORD – Chegar ao Estádio da Luz com o Benfica já campeão seria mais fácil para a sua adaptação?

ANDERSON – Com certeza. Mesmo ainda não tendo nada certo, já tenho carinho pelo Benfica e espero que o clube possa ser campeão já nesta época. Seria mais fácil para mim, a pressão seria menor, mas se o título não vier chegarei tranquilo, pois o Corinthians tem 30 milhões de adeptos, sei como é ter cobrança forte da imprensa.

RECORD – O Anderson é um defesa, mas costuma avançar sempre nos pontapés de canto e nos livres. Já fez muitos golos?

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ANDERSON – Este ano fiz apenas um golo, contra o Sampaio Correia, pela Copa do Brasil. No ano passado apontei seis, sendo o terceiro melhor marcador da equipa. Julgo que ao todo fiz 12 golos. Quando há hipótese, vou lá. Mas o importante é defender. Hoje, o Corinthians tem a defesa menos batida do Paulistão, tendo sofrido 9 golos em 12 encontros.

RECORD – Como foram os seus primeiros pontapés na bola?

ANDERSON – Sempre gostei muito de futebol, desde miúdo. Estava sempre com a bola debaixo do braço. O meu pai, João Beraldo, sempre me acompanhou e incentivou. Felizmente não precisei trabalhar quando era criança e isso facilitou um pouco o meu começo. Com 16 anos, já jogava nos profissionais do Grémio Maringá, disputando o Campeonato Paranaense, como titular. O Corinthians contratou-me, vim para São Paulo por empréstimo de cinco meses para os juniores. Fui campeão da Taça São Paulo de 1999, com a equipa fazendo 21 golos e sofrendo apenas 3, em sete jogos. Fomos campeões invictos.

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RECORD – Há algum jogador que o inspire?

ANDERSON – Trabalhei com o Gamarra. É um dos melhores defesas que já vi jogar. Faz poucas faltas, desarmando muito os adversários, mas sempre na bola. Tenho um carinho especial por ele. Tentei aprender alguma coisa com essa convivência. Não cheguei a jogar ao lado dele, mas participei em alguns treinos com ele. Hoje, o Brasil tem o Juan, o Lúcio. O Edmilson é um jogador diferente porque joga até como trinco, tem muita qualidade.

RECORD – Como é que gosta de passar as folgas?

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ANDERSON – Sempre me cuidei muito, fico bastante em casa. Não gosto de sair à noite, nem de ir a discotecas. Também não bebo, não fumo, e nem de cerveja gosto. Por isso, estou a jogar todo este tempo sempre bem, com regularidade, que é o mais importante. Jogador de clube grande precisa de ser regular. Não adianta jogar bem um encontro e outro mal. Se fizer isso, perde a posição, pois a competição dentro do plantel é muito grande. Ser o capitão do Corinthians não é para qualquer um. É preciso merecer, ter uma boa conduta dentro do clube. É preciso ser respeitado por toda a gente e conquistar a confiança do técnico.

RECORD – Isso quer dizer que a sua personalidade é forte?

ANDERSON – Eu dou sempre muito de mim no relvado. Gosto de me dedicar nos treinos. Para ter uma boa atitude dentro do campo, é preciso treinar bem. Dificilmente corresponderá sem estar preparado. Sempre fui assim. Respeito muito os meus superiores, nunca tive problema com colegas. Tenho a confiança de toda a gente. Na altura de trabalhar, sou uma pessoa séria, não gosto de brincadeiras, prefiro deixá-las para outros momentos. Quando o Tite chegou ao Corinthians, o Rogério, que foi para o Sporting, era o capitão. Há quase um ano que sou o capitão. Lamentavelmente, o Tite foi-se embora na semana passada, mas espero merecer a confiança do Daniel Passarella.

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RECORD – Conhece Giovanni Trapattoni. Acredita que terá alguma dificuldade de adaptação ?

ANDERSON – Eu trabalhei com praticamente todos os grandes técnicos do Brasil. Comecei com o Vanderlei Luxemburgo. Depois trabalhei com o Oswaldo de Oliveira, o Carlos Alberto Parreira, o Geninho e, por fim, o Tite, que foi muito importante na minha carreira. Sempre fui titular, com todos eles.

RECORD – Ou seja, trabalhar com grandes treinadores não o assusta?

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ANDERSON – Eu não conheço a forma de trabalhar de Trapattoni, mas conheço grandes técnicos. O Luxemburgo está no Real Madrid, o Parreira na selecção brasileira. Estão habituados a trabalhar com jogadores de qualidade e fui titular com eles, o que é motivo de orgulho.

RECORD – Quem é o melhor defesa do Mundo?

ANDERSON – Há vários. Para jogar na selecção brasileira é necessário ser muito bom. O Brasil ganhou duas das últimas três Copas do Mundo. Juan, Lúcio e Edmilson estão entre os melhores, ao lado de Paolo Maldini e Rio Ferdinand, mas poderia citar uns 20 nomes.

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RECORD – Que mensagem envia para os adeptos do Benfica?

ANDERSON – Posso falar em relação à hipótese de jogar no Benfica. Se Deus abençoar e der tudo certo, sei que existe interesse, que haverá conversas... Posso dizer que, se for para o Benfica, serei muito dedicado. Cheguei à selecção brasileira com muito trabalho, não foi à toa. Há muitos jogadores de qualidade no Brasil para a defesa. Espero fazer um bom trabalho e conquistar títulos, mas estarei a torcer para que a equipa vença o campeonato já esta época. Se não acontecer, vou tentar ajudar a conquistar esse título.

Débora quer viver o sonho do marido

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A mulher de Anderson está tão entusiasmada quanto o marido com a hipótese concreta de mudar-se para Lisboa a partir da metade do ano. A vontade de atravessar o Atlântico é tanta, que Débora aceita adiar a ideia de abrir uma clínica de fisioterapia em São Paulo, onde poderia praticar o ofício de médica enfermeira.

“Penso no sonho do Anderson. Vamos sonhar juntos, pois somos uma pessoa só. Viveremos juntos o sonho europeu e também de um retorno à selecção brasileira”, referiu a apaixonada Débora. “Tenho o melhor marido do mundo e quero que ele seja muito feliz. O Anderson tem um coração enorme”, elogia a mulher, que há um ano está casada com o central paulista e ainda não tem filhos.

“Antes de pensar nisso preciso decidir o meu futuro”, comenta Anderson, com a aprovação de Débora. Nesta altura, a mulher de Anderson está a colher informações sobre Lisboa. Quer saber como é a cidade, o povo português e, principalmente, os principais pontos turísticos, como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, o Castelo de São Jorge, Alfama, o Chiado, tudo.

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Débora ficou muito feliz ao saber através de Record que estará a poucas horas de carro, ou de comboio, de Espanha e que poderá a qualquer momento voar para algumas das maiores cidades europeias sem precisar gastar muitas horas de avião, especialmente para visitar Londres, por exemplo. “Realmente é uma beleza”, disse Débora, lançando um olhar afectuoso ao marido, quase uma súplica.

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