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ANTÓNIO Simões foi apresentado segunda-feira como director-geral para o futebol do Benfica, caso a lista liderada por Manuel Vilarinho vença o acto eleitoral do próximo dia 27.
Na sede de candidatura, perante uma sala repleta de associados - a maior audiência até ao momento -, a antiga glória do clube da Luz disse que não hesitou perante o convite da lista B. E não deixou de lembrar o passado, criticando fortemente Vale e Azevedo.
"Há sensivelmente três anos estava na mesma situação, mas com uma grande diferença. Enquanto agora estou ao lado de uma pessoa honesta e que fala verdade, há três anos estava sentado ao lado de uma pessoa que é precisamente o inverso", afirmou, acrescentando: "Na altura aceitei o convite de boa-fé, mas fui enganado. O sr. Vale e Azevedo revelou-se um mentiroso. Infelizmente as coisas correram mal, mas mais para o Benfica do que para mim. Não estou a fazer campanha mas tenho a obrigação moral de defender a honra do clube e alertar: de um lado está a verdade, do outro a mentira. Temos de recuperar a honra e credibilidade do Benfica."
No que diz respeito à equipa de futebol, Simões prometeu reforços "em qualidade e não em quantidade", garantindo uma "forte aposta na formação". E sublinhou: "Não acontecerão mais casos como o de Deco."
Uma situação que fez questão de explicitar: "Na altura, fui ao Brasil porque entendia ser um jogador que nos interessava. Tínhamos a opção sobre ele e tratei de ir ao Brasil, onde fiz um negócio fantástico, um contrato de quatro anos, de acordo com o qual o jogador ganharia 8 mil dólares no primeiro e treze mil no último ano. Como se pode constatar, valores bastante baixos. Além disso, ficámos com opção sobre o Caju e o Anderson e ainda a garantia de que o clube retiraria as queixas da FIFA relativas ao Leónidas e ao Alemão. No total, o Benfica fecharia o negócio por 220 mil contos. Qual não é o meu espanto quando o sr. Vale e Azevedo me disse que era um negócio leonino. E a verdade é que foi para a assembleia geral dizer que o Deco custava 650 mil contos. Como é possível mentir tanto ainda para mais numa assembleia geral?"
Por agora, António Simões, que Vilarinho destacou como "um grande benfiquista", continuará a exercer as funções de treinador adjunto do Marítimo, só assumindo as novas funções, na eventualidade de Manuel Vilarinho sair vencedor das eleições.
"O sr. presidente do Marítimo está sintonizado com esta situação e mostrou total compreensão", frisou.