_
O Estádio do Dragão é uma espécie de cabo das tormentas para Jorge Jesus, que lá passou os piores momentos ao leme do Benfica. Ali sofreu a mais copiosa derrota (0-5) do seu consulado no clube da Luz e ali se ajoelhou aos pés de Kelvin, o qual marcou o golo que abortou a hipótese de o emblema da águia conquistar o título em 2012/13.
O treinador não atribui especial relevância ao passado, encontrando-se apostado em dar um final feliz ao filme, naquela que, no domingo (18H15), para as meias-finais da Taça da Liga, será a sétima visita ao anfiteatro azul e branco enquanto responsável técnico do Benfica.
Uma vitória, um empate e quatro derrotas. Este é o saldo de JJ no Dragão com a águia ao peito. O percurso tem início com o desaire (1-3) sofrido a 2 de maio de 2010, o "dia das bolas de golfe". O jogo dizia respeito à 29.ª jornada e o Benfica precisava só de um ponto para se sagrar campeão. Liderava o campeonato com 73 pontos, mais 6 do que o Sp. Braga e 11 do que o FC Porto. Perdeu e adiou a festa do título para a derradeira ronda.
O segundo episódio ocorreu a 7 de novembro de 2010, dia que Jorge Jesus jamais esquecerá, pois saiu do Dragão com uma goleada (0-5). Essa foi a derrota mais dilatada de todo o seu consulado. O duelo era referente à 10.ª jornada e o Benfica seguia em segundo, a 7 pontos do FC Porto. De lá saiu a 10. Roberto, esse, foi presenteado com... uma galinha viva.
Mais quatro etapas
À terceira é de vez. A 2 de fevereiro de 2011 Jorge Jesus saiu finalmente vitorioso (2-0) do Dragão, por ocasião da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. O autocarro do Benfica seria alvo de apedrejamento na zona dos Carvalhos quando regressava a Lisboa. O triunfo acabaria por ser estéril, dado que o FC Porto viria a carimbar o passaporte para o Jamor ao vencer (3-1) na Luz. O único empate (2-2) sucede a 23 de setembro de 2011. FC Porto e Benfica lideravam a Liga em igualdade pontual, continuando de braço dado depois desse encontro relativo à 6.ª ronda.
O penúltimo último episódio da saga foi traumático. Jogava-se a 29.ª jornada, a 11 de maio de 2013, e o Benfica comandava a Liga com mais dois pontos do que o FC Porto (74-72). Se vencesse era campeão e se empatasse entraria na última ronda numa posição privilegiada. A igualdade subsistiu até aos 90'+2, surgindo então o golpe de teatro que acabou... no museu do FC Porto. Kelvin marcou e deu o xeque-mate. Impotente, Jorge Jesus ajoelhou-se e só a custo conteve as lágrimas.
Já esta temporada, o Benfica regressou ao palco da tragédia. Na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, precisamente há um mês, Jesus foi novamente derrotado no terreno dos azuis e brancos. Apresentando uma equipa com algumas alterações, face aos compromissos europeus, o Benfica perdeu por 1-0 e o seu treinador somou a quarta derrota naquele estádio.
O Benfica de Jesus no Estádio do Dragão:
Registo: 1V, 1E, 4D
Maxi e Luisão totalistas
Maxi Pereira e Luisão não falharam sequer um minuto nas seis visitas do Benfica ao Dragão durante o consulado de Jorge Jesus. O treinador dos encarnados confia plenamente na experiência de ambos, mas o facto de os encarnados estarem a meio da eliminatória com a Juventus para a Liga Europa pode ditar a poupança de um - ou dos dois - no jogo de domingo. Tanto o lateral como o central já marcaram no recinto dos azuis e brancos, embora o golo do uruguaio tenha sido... na própria baliza.