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De foguete até à festa

De foguete até à festa
• Foto: Miguel Barreira

O Benfica conquistou o 33.º título da sua história num jogo em que teve de esperar – com a calma possível, atendendo às circunstâncias – pelo momento certo para desferir o golpe e garantir a festa que os mais de 60 mil adeptos presentes no estádio ansiavam.

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A equipa de Jesus teve um início fulgurante, mas à medida que o tempo passou e o golo não apareceu, foi obrigada a repensar a estratégia. Na 2.ª parte, voltou a “entrar com tudo” e, ao beneficiar de dois erros defensivos, resolveu o problema do golo, “matando” de imediato o jogo.

Aquilo que parecia ameaçar eternizar-se (levando inclusivamente o “speaker” da Luz a intervir, puxando pelos adeptos numa atitude inusitada no decorrer de um jogo), acabou por ser desbloqueado com duas arrancadas de Lima. Na primeira, o brasileiro ainda contou com a intervenção de Rodrigo e Gaitán; na segunda bastou a “colaboração” do guarda-redes Belec. O título ficou garantido e a Luz tirou finalmente total partido da festa.

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Massacre

Jesus pediu à equipa aquilo que se impunha: marcar cedo. Mantendo a aposta em André Gomes e Salvio, oBenfica fez uma entrada a todo o gás, tendo criado três situações de golo iminente nos primeiros 10 minutos de jogo: Gaitán (Luís Filipe cortou a bola quando esta ia a caminho da baliza), Rodrigo (falhou desvio à entrada da pequena área na sequência de cabeça de Garay) e Lima (atirou por alto após lance elaborado por Enzo e Rodrigo).

O treinador italiano Galderisi, talvez inspirado por um sistema que o futebol do seu país consagrou, o “catenaccio”, ergueu uma muralha defensiva que naquele início estonteante tremeu por todos os lados mas que, aos poucos, lá foi solidificando e resistindo.

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Com Luís Filipe a jogar como central (ao lado de Ricardo Ferreira e Diakhité), Galderisi formou uma segunda linha de cinco homens que deveria fechar todos os caminhos para a baliza de Belec. No processo defensivo, Sampirisi e Jander desciam e fechavam as laterais, pelo que, na prática, oOlhanense fechava-se num 5x4x1, uma vez que Lucas Souza também recuava, soltando-se apenas para o apoio a Dionisi quando a equipa tinha a bola.

Mesmo sobressaltado por um erro de Garay que poderia ter dado golo (Lucas Souza na cara de Oblak atirou ao lado), o “massacre” do Benfica continuou mas foi perdendo intensidade à medida que o tempo passava e o golo não aparecia.

A equipa de Jesus passou a circular mais a bola (André Gomes muitas vezes era o homem mais recuado da equipa), convidando o Olhanense a subir as linhas para tentar aproveitar o espaço na sua retaguarda.

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Mais perto do intervalo, oBenfica voltou a apertar o cerco – talvez seja melhor escrever apertar o nó, tal a sensação de estrangulamento que provocou no adversário. O golo, porém, não surgiu, muito por culpa dos encarnados, que mesmo perante o apelo “chuta!” gritado em uníssono por 60 mil almas nas bancadas, insistiam no “tricô”, bonito mas ineficaz, em plena área dos algarvios.

Lima a abrir

Com Markovic em vez de Salvio, o Benfica voltou a entrar forte na 2.ª parte, mas desta vez aproveitou os erros defensivos – até aí praticamente inexistentes – do Olhanense para arrancar decidida e definitivamente para a conquista do título. Lima parecia um foguete quando roubou a bola a Luís Filipe e, depois de a entregar a Rodrigo, beneficiar da defesa incompleta de Belec para fazer o 1-0. Que explosão na Luz! Não foi preciso esperar muito pela seguinte. De novo Lima, outra vez como se fosse um foguete, arrancou do meio-campo, reagindo a passe de Enzo, e rematou já na área para um golo a “meias” com Belec.

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A partir daí foi mais festa do que jogo. OOlhanense desmontou a teia superdefensiva mas não teve armas para discutir o resultado. OBenfica criou mais três oportunidades ao ritmo “campeões, campeões, nós somos campeões” e desfrutou da merecida festa.

NOTA TÉCNICA (notas de 0 a 5)

Jorge Jesus. O plano de jogo passava por marcar cedo, mas as oportunidades foram desperdiçadas. Foi preciso ter paciência, sem ter de correr riscos. (3)

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Giuseppe Galderisi. Armou uma tática superdefensiva para resistir o máximo tempo possível. Não tinha um plano B capaz de pôr em causa a vitória do Benfica. (2)

ÁRBITRO: Carlos Xistra (2). Ainda ouviu muitos assobios e foi alvo da contestação algarvia, mas o pecado maior de Xistra na prática foi um: não assinalar um penálti por falta de Ricardo Ferreira sobre Rodrigo, aos 70’. Cometeu outro erro por responsabilidade de um dos seus assistentes ao validar a indicação de off-side a Dionisi (79’) num lance de golo iminente que Oblak defendeu.

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