Ex-deputado do PCP e o caso da criança em Famalicão: «Insensatez que contraria o espírito do desporto»

• Foto: Lusa

O caso da criança que assistiu ao Famalicão-Benfica em tronco nu, depois de ter sido obrigada a despir a camisola das águias para poder ter acesso ao sector da bancada onde estavam adeptos minhotos, continua a dar que falar. Desta feita, foi António Filipe, ex-deputado do PCP, a repudiar o caso, tendo até recordando um episódio que se passou com o próprio. 

"A propósito de camisolas em campos de futebol, sinto-me quase obrigado a contar uma pequena estória:

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Há pouco tempo atrás publiquei aqui uma foto em que eu e o meu amigo José Manuel Pureza, no estádio do Restelo, confraternizámos no Belenenses-Académica, cada um com o adereço do seu clube. Sucede que à entrada, um oficial de polícia visivelmente embaraçado, me informou que não podia entrar no estádio do Restelo com a camisola do Belenenses porque naquela bancada estariam maioritariamente adeptos da Académica. Eram essas as orientações que tinha e tinha de as fazer cumprir. A solução, para eu não ficar em tronco nu, foi entrar com uma camisola emprestada pelo meu amigo João Nuno Amaral, que é da Académica, e só depois de instalado entre os adeptos da Académica pude exibir a camisola do Belenenses e tirar fotos com muitos deles. É claro que eu poderia assistir ao jogo na bancada reservada aos sócios do Belenenses, mas decidi juntar-me aos visitantes, por amizade e cortesia, e ninguém levou a mal", começou por contar, para depois tecer críticas.

"Quando vi agora a cena indecorosa de obrigarem uma criança a retirar a camisola do seu clube, no caso o Benfica (podia ser qualquer outro) porque naquela bancada estavam os adeptos do Famalicão (podia ser qualquer outro) acho que alguém devia refletir sobre por quem e como são estabelecidas estas regras e com que dose de bom senso são aplicadas. Eu sei que a violência no desporto é uma triste realidade que tem de ser combatida. Também sei que há muito fanatismo à solta no futebol e que claques de clubes oponentes devem ser separadas. Agora proibir adeptos de clubes diferentes (que até podem ser familiares) de confraternizar num estádio de futebol com adereços dos seus clubes, fora dos espaços reservado exclusivamente aos sócios de um só clube ou às claques organizadas, é uma insensatez que contraria o espírito que deve presidir ao fenómeno desportivo", frisou, para depois concluir: "E então quando estão em causa crianças, apetece citar o poeta: Mas as crianças, senhor?."

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Por Record
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