O destino alterado à última da hora, o dinheiro não declarado no contrato ou até mesmo os 20 pares de sapatilhas que comprou só porque sim. A transferência de Sergei Yuran do Dínamo de Kiev para o Benfica, em 1991, foi uma verdadeira peripécia com um guião perfeito para um filme digno de Hollywood.
O antigo internacional russo, que também chegou a representar em Portugal o FC Porto, voltou atrás no tempo esta quarta-feira, em entrevista exclusiva a um podcast russo sobre desporto, e recordou o momento em que o Benfica se intrometeu nas negociações entre o avançado e o Liverpool e como tudo se desenrolou de forma suspeita.
"O Dínamo Kiev na altura estava a trabalhar com o famoso empresário Pini Zahavi, ele disse-me que íamos viajar para Liverpool. Eu pensei: 'Bem, fantástico, romântico'. Eu já tinha o visto [para viajar para Inglaterra] e à última da hora dizem-me: 'Vais para o Benfica' e aí eu pensei: 'Bem, ótimo, Portugal'. O que aconteceu é que o Liverpool tinha oferecido 2 milhões de euros e o Benfica chegou com 2,8 M€. Mais tarde, descobri que eles [empresário e o Dínamo Kiev] nem quiseram conversar mais [sobre o negócio]", começou por recordar Sergey Yuran, antes de revelar como se desenvolveram as negociações com as águias, num hotel em Lisboa.
"O diretor financeiro e o tradutor vieram ter comigo à noite e deram-me 50 mil dólares (cerca de 42 mil euros). Eu pensei: 'Porra, agora vai haver aqui alguma provocação'. Afastei-me. O tradutor disse que eu tinha de assinar. Eu disse: 'Não, vou assinar a minha própria sentença. Por andar com moeda estrangeira posso ficar preso até 10 anos. Eles estão a recrutar-me desta forma'", lembrou.
"Fiquei uma hora e meia sentado sem assinar, o diretor financeiro mostrou-me os documentos, mas nem toquei em nada para não deixar as minhas impressões digitais. Aí, o tradutor diz-me: 'Isso está incluído no contrato, o resto estará na tua conta bancária'. Eu respondo: 'Bem, sim, eu sei. O resto não será necessário. Acho que é uma falsificação, com certeza'. Depois ligaram-me e eu falei com eles. Peguei no dinheiro e imediatamente comprei 20 pares de ténis da Adidas. Também comprei umas calças. Já na caixa, eles olharam para mim e eu pensei: Não importa, e se de repente eles vendem tudo e não vai haver mais? No início foi difícil viver outra realidade", concluiu.
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