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– Ficou ou não em terra, com a mala na mão?
– Não, não fiquei em terra nem com a mala na mão. Conhecia desde o início todo o processo, porquanto estou em contacto directo com Luís Filipe Vieira, António Simões e o próprio José Antonio Camacho, com quem, de resto, almocei domingo, dia imediato à sua chegada a Portugal. O novo técnico, no exercício legítimo das suas atribuições, tem concepções próprias relativamente a várias matérias, entre as quais a do 'staff' que deve acompanhar a equipa técnica nos estágios.
– Mas ficou surpreendido quando soube que não ia para estágio?
– Surpreende-me, isso sim, que tivesse 'virado' notícia pelo facto de não ter estado no estágio, para lá, claro, dos dislates que se disseram a esse respeito, tanto mais que, atempadamente, tornei-me conhecedor da situação. E digo-lhe mais: subscrevo a posição do novo treinador do Benfica.
– Claro, não tem outro remédio...
– Não, digo-o com toda a franqueza. A filosofia do novo técnico não me agride, não me belisca. Tanto sirvo o Benfica no estágio, como fora dele. Servir o Benfica não implica dormir no hotel. O que é que tem de anormal não acompanhar a equipa no estágio? Por que é que isso deu origem a uma notícia tão importante? Porquê?! Porquê?!
– Talvez por não ser normal. Mas, voltando atrás, se soubesse que não seguia com a equipa, não diria aos jornalistas que a conferência de Imprensa não poderia demorar, porque, cito-o, "temos de ir para estágio"...
– Apelei aos jornalistas no sentido de não ultrapassarem, por indicação do José Antonio Camacho, os 15/20 minutos, porquanto a partida estava marcada para as 12 e 30. Utilizei a primeira pessoa do plural porque o faço sempre que falo em nome da instituição. Tem sido assim ao longo de dois anos, excepto quando se trata de fazer a defesa pessoal.
– A voz do Benfica, e disso é que parece não restar dúvidas, foi silenciada. A decisão é sua, é dos seus superiores ou das duas partes?
– Silenciado?! Nem pouco mais ou menos. No último mês, bem ou mal, a administração da SAD decretou a contenção verbal e, solidariamente, integrei-me nesse espírito. Para contrariar essa visão, basta dizer que, no famigerado dia em que fomos eliminados pelo Gondomar, fui o único responsável do Benfica a aparecer na sala de Imprensa a comunicar a posição do clube.
– Mas os "briefings" diários acabaram. Isso parece elucidativo.
– Mas podem surgir a qualquer momento. O treinador falou, os jogadores falaram e o António Simões também o fez. Amanhã, se tiver de falar... falo. Estamos, é verdade, numa fase de refelexão de contenção de despesas de comunicação. Não fizemos nenhum "blackout". Fizemos, sim, com aviso prévio, uma contenção verbal.
– Isso é um eufemismo.
– Não é. Fizemos por razões ponderadas e estimáveis. Aliás, sou e serei, sempre, um defensor dos jornalistas.
«Fui o primeiro a desejar vinda de Leonor Pinhão»
– Com a entrada de Leonor Pinhão na estrutura do Benfica perdeu protagonismo. Estamos perante um caso de mera coincidência?
– A primeira pessoa na estrutura do Benfica a desejar que essa grande jornalista e grande benfiquista chamada Leonor Pinhão colaborasse mais assiduamente com o clube fui eu. Mais: é um grande privilégio trabalhar, de há dois meses a esta parte, diariamente, com essa grande senhora e grande amiga.
«Cumplicidade e solidariedade recíprocas»
– Fonseca Santos e Luís Filipe Vieira criticaram a política de comunicação do Benfica. O presidente da SAD até disse que o pingue-pongue com Pinto da Costa não era um problema do Benfica, mas, sim, dos dois, de si e do líder portista. Que comentário lhe mereceram tais reparos?
– O dr. Fonseca Santos, quando abordou, publicamente, a política de comunicação do Benfica, jamais, segundo o testemunho do próprio, se reportou ao meu papel. Percebo e subscrevo o conjunto das suas preocupações e sobre elas temos, amiudadamente, trocado impressões. Quanto a Luís Filipe Vieira, a sua intenção, estimável, foi feita no sentido de demarcar-se de um suposto conflito pessoal, para o qual não revela a mínima apetência, sobretudo tendo em conta o seu entendimento do futebol, enquanto vertente empresarial. É imperativo dizer, aliás, que é a pessoa com quem mais proximamente trabalho. E sei, também, que a cumplicidade e solidariedade não são relativas, mas, sim, absolutamente, recíprocas.