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O DEPOIMENTO de José Manuel Capristano, ontem no Tribunal da Boa-Hora, pareceu a papel químico o do próprio Va- le e Azevedo. José António Barreiros, advogado de defesa, de- ve ter-se sentido consolado no final da sessão, em contraste com os membros da acusação – Ministério Público, Benfica e o particular Eusébio Gouveia.
O vice-presidente do clube da Luz durante os três anos de gestão Vale começou por recordar o caso Ovchinnikov. A memória traiu-o por momentos, mas o que recordou coincidiu, a cem por cento, com o depoimento do arguido: o técnico Heynckes não pretendia o jogador e aconselhou a contratação de outros guarda-redes. O Benfica vendeu o seu passe a Paulo Barbosa, mas não recebeu tudo a que tinha direito porque devia uma verba elevada ao agente FIFA. O restante chegava para contratar o argentino Bossio.
Capristano lembra-se de ter assinado o contrato da transferência mas esqueceu-se de outros pormenores. Recorda apenas que o negócio foi tornado público na data em que o grupo de trabalho partiu para a Áustria (meados de Julho). Como Ovchinnikov ficou em terra, os responsáveis do Benfica sentiram que já não havia condições de omitir o negócio à Imprensa – Vale e Azevedo defende que o negócio foi feito antes de ser tornado público (Junho de 1999). Da acusação consta que o dinheiro foi investido na aquisição de uma embarcação.
Única contradição
O antigo dirigente afirmou também, sem que ninguém lhe perguntasse, que o dinheiro foi canalizado para uma conta do financeiro inglês David Fordham, no sentido de este disponibilizar garantias bancárias para a aquisição de Rushfeldt.
Aqui reside a única contradição com o depoimento de Vale. Capristano esteve na apresentação de Rushfeldt aos sócios, no campo número três da Luz, mas não se apercebeu de qualquer problema urinário do avançado norueguês. "Não me apercebi: cada um olha para onde lhe apetece olhar", afirmou.
De resto, o ex-dirigente benfiquista consolidou o testemunho de Vale e Azevedo em todos os pontos. Nomeadamente, num ponto essencial: o do pagamento a empresários com estatuto de agente FIFA de comissões, através de David Fordham e Steve Archibald, para colocarem Bossio no mercado espanhol.
Capristano confirmou que saíram dos cofres do clube 60 milhões de pesetas, em doze prestações idênticas de cinco milhões cada. O negócio não se concretizou porque o treinador Heynckes deu um parecer técnico contrário e ameaçou demitir-se.
A acusação defende que estas verbas serviram, isso sim, para pagar a manutenção do célebre iate "Lucky Me", actualmente denominado "Horn".
«Sou credor de Vale e não do Benfica»
José Capristano disse que emprestou dinheiro a Vale e Azevedo e não ao Benfica por uma questão de princípio: "Nunca quis ser credor ou devedor do Benfica; por isso emprestei dinheiro ao presidente, o que é uma prova de confiança". O ex-dirigente não se referiu em pormenor às quantias investidas mas falou em centenas de milhar de contos.
«Deixámos clube melhor do que encontrámos»
"O Benfica estava num estado caótico. Era um poço sem fundo. Podemos não o ter deixado bem, mas deixámo-lo seguramente melhor do que quando o encontrámos", afirmou José Capristano. O dirigente disse ainda que o clube tinha vindo de "uma presidência fraca" e que com Vale e Azevedo passou a ter "um presidente com personalidade".
«E nos actuais órgãos sociais? Não mudou o Conselho Fiscal?»
Um dos pontos em que o Ministério Público e os assistentes de acusação insistiram foi no da demissão do Conselho Fiscal da era Vale e Azevedo. José Capristano respondeu: "E nos actuais órgãos sociais, os membros do Conselho Fiscal não se demitiram já todos?" A acusação releva o facto de o órgão fiscalizador da anterior gestão questionar a legalidade de alguns contratos de jogadores.
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