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José Manuel Meirim, especialista em direito desportivo, recusa a tese de corrupção no caso das ofertas do Benfica aos árbitros e denunciadas pelo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho.
À CMTV, este especialista explica que "não é apenas o valor que está em causa". "Primeiro, é preciso que as ofertas não sejam consideradas simbólicas ou de cortesia", sublinha, acrescentando: "O segundo aspeto é que as ofertas sejam acompanhadas de solicitação a árbitro ou dirigente de arbitragem para que venha a falsear resultado. E, ainda mais, é necessário que na prática venha a verificar-se."
Para Meirim, não faz sentido falar-se, nesta altura, em possíveis penas a aplicar ao Benfica. "Há diversas possibilidades, mas o que está em cima da mesa e para onde estão apontados os holofotes é a descida de divisão. Não acredito nela", diz, não vendo onde possa apoiar-se a tese de corrupção.
O docente universitário, de 58 anos, não percebe, por outro lado, a exigência de Bruno de Carvalho em ver já decisões. "O que deu o mote à intervenção da FPF e do Ministério Público foram as declarações do presidente do Sporting. Ele saberá que um processo disciplinar deste tipo precisa de um tempo muito mais alargado", diz, adiantando que o presidente leonino "já foi notificado para prestar declarações por escrito à Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga".
Fala em limite de 300 euros
Meirim contraria o que se tem dito sobre o valor máximo admitido pela UEFA em relação às ofertas aos árbitros, dizendo que são 300 euros e não 183. "Não há código de ética, há é orientações da UEFA, de 2014, aos árbitros das competições europeias."Mesmo assim, refere que isso "não é significativo"; o importante é perceber se há ou não solicitação para falseamento de resultado.