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Maré vermelha no Sado

Maré vermelha no Sado
• Foto: MIGUEL A. LOPES/LUSA

No futebol, está provado, não basta querer, é preciso saber. Ontem, no Bonfim, o Vitória sadino bem quis contrariar o favoritismo natural do Benfica, na sequência do que fora manifestado pelo seu treinador, mas o que se viu foi bem diferente do desejado por Domingos Paciência. As fragilidades coletivas e individuais da equipa local foram de tal ordem, que ainda antes do intervalo toda a gente sabia que só podia haver um vencedor. Foi uma maré vermelha que desaguou à beira-Sado, afogando os homens vestidos de verde e branco.

Consulte o direto do encontro.

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No primeiro minuto até tudo parecia ir confirmar a promessa de um jogo equilibrado e emotivo. Eliseu viu o cartão amarelo ao travar a corrida de Zequinha, pela direita, e isso poderia ter intimidado dos visitantes. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário, o Benfica depressa pegou no jogo e disse ao que vinha. Em dois lances consecutivos, Salvio levou perigo à baliza sadina e ao minuto 10 abriu mesmo o marcador.

A jogada nasceu de uma insistência de Enzo Pérez, sem que ninguém se atrevesse a travar o argentino, que serviu Salvio já perto da meia-lua e este, também sem oposição, rematou de pé esquerdo, colocado, ao ângulo superior esquerdo da baliza de Raeder.

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Promessas não cumpridas

Enganou-se quem esperava uma reação pronta dos locais. Na véspera, Domingos Paciência prometera que a sua equipa seria atrevida, iria procurar ter bola e enfrentar o adversário cara a cara, mas tal não passou disso mesmo, de uma promessa.

O Benfica depressa percebeu que bastava controlar o jogo pelo chão, explorar os flancos, por Salvio e Gaitán, e aproveitar os desequilíbrios conseguidos pela entrada de Talisca pela zona central, sempre e todos a serem servidos por um Enzo Pérez cada vez mais senhor da batuta.

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O único lance em que o V. Setúbal chegou a assustar, aos 19’, acabou num erro importante da equipa de arbitragem: Giovani fugiu a Luisão, colocou a bola dentro da baliza mas a jogada foi anulada por fora-de-jogo inexistente. Seria o filme diferente? Apesar de tudo, não.

Ainda antes do intervalo o Benfica chegou aos três golos de vantagem, com Talisca em destaque. Fez o 0-2 aos 38’ com um remate oportuno a aproveitar um erro dos defesas de Setúbal, e o 0-3 aos 43’, na marcação de um livre direto, fazendo a bola passar rasteira, mesmo ao lado da barreira.

Trocas falhadas

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No segundo tempo, percebendo que o jogo estava praticamente perdido, Domingos Paciência arriscou com as entradas de Vinícius e Forbes, redesenhando a defesa, com apenas três homens. O resultado, noutras circunstâncias, podia ter sido bem pior: o Benfica aproveitou os espaços e em velocidade, no contragolpe, fez logo o quarto golo.

E Domingos tão depressa arriscou como emendou a mão, fazendo entrar Ney Santos para tentar reequilibrar as coisas no meio-campo. O que só aconteceu porque também Jorge Jesus aproveitou para ir rodando os seus homens.

Já havia ganho a aposta ao colocar Samaris na posição mais recuada do meio-campo, dando total liberdade a Enzo Pérez e Talisca, acabando ainda por perceber que este ano parece poder, finalmente, contar com Ola John a sério. O holandês não só marcou o último golo da noite (depois de Talisca ter completado o seu hat trick), mas mostrou boas combinações com André Almeida, EnzoPérez e Lima.

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As notas de destaque individual no Benfica vão para o goleador Talisca, a confirmação de Samaris, as jogadas de Gaitán, mas acima de tudo o pensamento genial de Enzo Pérez. No final da noite, ninguém se lembrou que o V.Setúbal já não perdia em casa há nove meses... desde a última visita do Benfica.

Árbitro: João Capela (nota 2)

Duas manchas na exibição

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A primeira mancha no trabalho de João Capela aconteceu quando o auxiliar Tiago Rocha errou num fora-de-jogo a Giovani (18’). Aos 78’ não viu penálti de Samaris sobre Zequinha.

NOTA TÉCNICA

Domingos Paciência (2)

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Não conseguiu surpreender o Benfica e muito menos roubar-lhe a bola. No segundo tempo, arriscou com 3 centrais e reforçou o ataque, mas teve de voltar atrás para evitar males ainda maiores. Sem argumentos para mais.

Jorge Jesus (4)

Simplicidade de métodos com base na qualidade dos médios e dos franqueadores. Ganhou Samaris, libertando ainda mais Talisca e Enzo. Teve tempo para voltar a “ver” Ola John e dar a estreia a Cristante. Noite quase perfeita.

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O MELHOR EM CAMPO

Talisca. Na noite em que não houve Lima, Talisca mostrou dotes goleadores que pareciam escondidos. Começa sempre a combinar com Enzo e acaba perto ou dentro da área contrária. Uma gazua que parece abrir todas as portas.

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