Mauro Xavier, gestor e um dos fundadores do movimento Unum, aproveitou a Assembleia Geral do Benfica deste sábado para lançar críticas à gestão liderada por Rui Costa, exigindo maior prestação de contas e mudanças concretas após três temporadas sem a conquista do campeonato nacional.
Perante os sócios, recordou intervenções anteriores para acusar a direção de repetir promessas sem apresentar respostas sobre os insucessos desportivos. “São três épocas sem sermos campeões. Mudaram as palavras, mas o discurso é o mesmo: promete sem esclarecer”, afirmou, questionando quais foram as medidas que falharam, que decisões se revelaram erradas e o que será alterado no futuro.
Apesar das críticas, Mauro Xavier reconheceu alguns aspetos positivos da atual administração, destacando o novo contrato com a Adidas, a criação do Emirates Lounge e o recorde de quotização alcançado pelo clube. Ainda assim, considerou que os problemas estruturais permanecem por resolver.
O gestor centrou grande parte da intervenção na situação financeira da SAD e do grupo Benfica. Segundo referiu, os custos operacionais aumentaram mais de quatro por cento, enquanto as receitas diminuíram cerca de três por cento. Defendeu ainda que, sem as receitas provenientes de transferências de jogadores e os cerca de 15 milhões de euros associados à chegada de José Mourinho, o défice operacional rondaria os 75 milhões de euros. Alertou igualmente para o impacto da ausência da Liga dos Campeões, estimando uma quebra entre 30 e 35 milhões de euros nesta época.
Mauro Xavier sublinhou que, apesar da redução do número de jogadores sob contrato em comparação com 2021/22, as amortizações e imparidades aumentaram 23 por cento, para 52,2 milhões de euros, enquanto os gastos com pessoal do grupo se aproximam dos 160 milhões. "Gastamos cada vez mais para ganhar cada vez menos", resumiu.
Na sua perspetiva, o atual modelo de gestão encontra-se esgotado. “O Benfica não pode vender os melhores jogadores para equilibrar as contas. Tem de equilibrar as contas para manter os melhores jogadores”, defendeu.
Por Record