A chuva intensa de ontem, com os reflexos que necessariamente terá no estado do relvado, a segurança defensiva habitualmente exibida pela equipa da casa e a perspetiva de um dérbi importantíssimo para a Liga já no domingo fazem com que o Benfica tenha de encarar a deslocação a Penafiel com mais atenção do que a que normalmente se dá a um desafio em casa de uma equipa que alinha numa divisão inferior. A lista de convocados benfiquistas, sem poupanças, prenuncia que, entre começar já a pensar na receção ao Sporting e dedicar todas as atenções à partida dos quartos-de-final da Taça de Portugal, hoje, Jesus escolheu a segunda opção.
O sétimo jogo do Benfica em pouco mais de um mês que leva o ano de 2014 não terá margem de erro: é a eliminar. E pela frente está uma equipa que pede meças a muitas das que andam pela Liga principal. O Penafiel é um dos três líderes da Liga de Honra e só perdeu duas vezes em casa nesta época: contra o Sp. Covilhã e, mais recentemente, frente ao Sporting, na Taça da Liga. Por isso, e porque este será um desafio de enorme carga motivacional para os donos da casa, é normal que Jesus não se alargue em poupanças. Já se sabe que Oblak fica de fora e que joga Artur na baliza, mas além disso é normal que o Benfica apresente os titulares do costume, sobretudo do meio-campo para a frente. Admite-se até a possibilidade de o Benfica de hoje ser mais robusto do que o habitual: se o relvado estiver muito pesado haverá margem para um meio-campo de combate, com Fejsa, Amorim e Enzo Pérez, com o sacrifício de uma unidade ofensiva.
Frente ao Benfica, os penafidelenses completam uma série completa de seis jogos contra as equipas principais e as equipas B dos três grandes em menos de um mês. Até aqui, os resultados têm sido coerentes: três vitórias contras os B (1-0 ao Sporting e ao FC Porto, 2-0 ao Benfica) e duas derrotas contra os A (0-4 com o FC Porto e 1-3 com o Sporting). Em destaque tem estado Aldair, o jovem atacante guineense que já marcou ao Sporting A e ao FC Porto B, e que pode hoje completar uma tripla invejável se conseguir desfeitear Artur. Ainda que, é bom lembrá-lo, para a equipa de Miguel Leal, esse seja apenas metade do caminho.
Águia obrigada a ir ao desempate
O Benfica defronta o Penafiel pela terceira vez na Taça de Portugal. Nas duas ocasiões anteriores, seguiu em frente, mas passou por dificuldades e foi obrigado a ir ao desempate.
Em 1985/86, as duas equipas cruzaram-se nas meias-finais, a 9 de abril de 1986, no Estádio 25 de Abril. O encontro terminou com um nulo e houve necessidade de recorrer a segundo jogo. Na Luz, 14 dias depois, o conjunto orientado por John Mortimore, já com o campeonato perdido, venceria por 4-1, e acabaria por erguer o troféu, impondo-se na final ao Belenenses.
O sorteio voltaria a juntar os dois clubes na época 2008/09, no Estádio da Luz. A 19 de outubro de 2008, na quinta eliminatória, os comandados por Quique Flores só vergaram (5-3) os durienses nas grandes penalidades, depois de um nulo no final dos 120 minutos. Nesse desempate, Moreira defendeu uma grande penalidade e Amorim assinou um dos golos.
MUITO PROVÁVEL
Jorge Jesus e Miguel Leal vão apresentar onzes muito próximos dos que costumam utilizar nos jogos da Liga, pois o jogo é difícil
O relvado alagado pode provocar um jogo de combate, com muitas bolas pelo ar, o que favorece o Penafiel. Se estiver apenas molhado e rápido, a vantagem é do Benfica
POUCO PROVÁVEL
O jogo não deve ir para prolongamento. A elevada carga competitiva das duas equipas faz com que isso não interesse a nenhuma
Que faltem golos. O Penafiel só ficou duas vezes em branco em casa nesta época (Beira-Mar e Covilhã) e o Benfica vai em 15 jogos seguidos sempre a marcar, desde Atenas