Aos 61 anos, José Morais parte para a segunda época no Al Sharjah, emblema dos Emirados Árabes Unidos. Na primeira temporada, na qual entrou em dezembro, festejou a conquista da Supertaça da Liga dos Emirados e Supertaça Qatar/Emirados e, em entrevista a Record, olha com otimismo para os próximos desafios. Na carreira conta ainda com etapas como elemento na equipa técnica de José Mourinho no Inter, Real Madrid e Chelsea. A amizade com o Special One mantém-se, assim como a confiança de que vai voltar a ter sucesso neste regresso ao Real Madrid. E, nesta conversa, também houve tempo para falar com José Morais sobre o Benfica, emblema onde esteve dez anos no futebol de formação - chegou a treinar a equipa B dos encarnados.
RECORD - Também se conhece a sua ligação ao Benfica, onde trabalhou muitos anos. Como vê este Benfica de Marco Silva?
JOSÉ MORAIS - Creio que o Benfica quer ser campeão, mas que também não pode prometer ser campeão. Os nomes não ganham campeonatos, são as equipas que ganham campeonatos. O grande desafio é transformar um grupo de jogadores numa grande equipa. Esse é o desafio que Marco Silva vai ter. No entanto, num clube com a ambição do Benfica, nem os jogadores, nem a estrutura, pode transformar a ambição em ansiedade, porque a ansiedade acaba por ser prejudicial. Tudo isto tem de ter um equilíbrio. O Marco Silva quer criar uma equipa com identidade e, para isso, necessita de tempo de trabalho. Creio que jogadores para fazer isso, terá. Acho que os adeptos do Benfica podem esperar uma equipa ambiciosa e trabalhadora, que os vai representar com orgulho.
R - Quem considera ser o principal candidato ao título?
JM - Portugal tem três clubes que lutam pelo título mais acerrimamente, que são Benfica, FC Porto e Sporting, e depois tem um clube que se tem vindo a estruturar e ganhar cada vez mais capacidade competitiva para se poder intrometer na luta pelo título, que o SC Braga. O FC Porto parece-me ser o clube está mais unido dentro da sua gestão. Creio que, tendo sido campeão, é o clube que começa como referência. Sá há ainda uma jornada, em que o Benfica e o Sporting não começaram tão bem, mas o campeonato está agora no seu início. Os campeonatos não se ganham em agosto e vamos ter de ver qual é a consistência dos resultados. Acho que o presidente do FC Porto tem demonstrado, na sua liderança, grande capacidade de transformação e afirmação da cultura portista. E isso parece-me fazer a diferença. Neste momento, vejo o FC Porto com vantagem em unir energias naquilo que são os objetivos do próprio clube que é ganhar.
R - Voltar a Portugal é um objetivo?
JM - Sim, é um objetivo. Logo que a oportunidade surja. Obviamente que estou comprometido com aquilo que estou a construir aqui e quero construir algo importante no Al Sharjah. Tenho orgulho e carinho por, a partir da próxima época, por exemplo, se as coisas acontecerem, poder pensar seriamente na possibilidade de poder disputar o campeonato em Portugal, na primeira liga.
Por David Novo