"Penalty" no final dá triunfo às águias

É preciso recuar 34 anos para encontrar um Benfica-Vitória de Setúbal tão importante para a definição dos lugares cimeiros do campeonato como o de amanhã. A 15 de Março de 1970, os encarnados receberam os sadinos sob pressão, pois a formação orientada por José Maria Pedroto estava em segundo lugar com dois pontos de vantagem em relação ao clube da Luz.

E as coisas pioraram para as hostes benfiquistas logo no princípio do encontro. Aos 4 minutos, Tomé fugiu pelo flanco direito e fez um centro forte e com efeito. O esférico tabelou nos pés de Calado e traiu José Henrique.

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O Benfica acusou o golo e tardou em reagir. Foi preciso o técnico, José Augusto, substituir Simões por Torres para alterar o rumo dos acontecimentos. O "Bom Gigante" entrou aos 61 minutos e, pouco depois (65'), restabeleceu a igualdade graças a um cabeceamento perfeito a cruzamento da direita de Eusébio.

Os sadinos - considerados de forma unânime como uma das equipas que melhor futebol praticava nessa época - foram remetidos à defesa. Nem o excelente momento de forma dos malogrados Vítor Baptista e Jacinto João salvou o Vitória da derrota.

Contudo, venderam-na bastante cara pois só tombaram no último minuto e de "penalty". O defesa Alfredo carregou irregularmente Torres dentro da grande área. Chamado a converter, Eusébio fez o 2-1 e juntou mais um golo ao pecúlio que o consagrou, pela sexta vez, o melhor marcador do campeonato.

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Nas quatro jornadas que ainda faltavam disputar, o Benfica venceu sempre - bateu o FC Porto, nas Antas, por 2-1 - o que lhe permitiu terminar em segundo lugar com dois pontos de avanço sobre os sadinos.

Sporting campeão

A derrota do Vitória de Setúbal com o Benfica, aliada ao triunfo (2-1) do Sporting sobre o Belenenses, permitiu aos leões conquistar o título destronando os encarnados. Isto numa época atípica para o Benfica.

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A renovação de Eusébio e a conquista da Taça de Portugal diante do Sporting foram os pontos altos, enquanto a dança dos treinadores a meio da época e a insólita eliminação da Taça dos Campeões, com o Celtic, por moeda ao ar (!), foram os marcos negativos.

Luz interdita explica jogo no Jamor

O decisivo Benfica-V. Setúbal da época de 1969/70 foi disputado no Estádio Nacional devido à interdição da Luz na sequência de incidentes graves ocorridos em Janeiro.

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Em jogo da 16ª jornada, frente ao Belenenses, o árbitro João Nogueira - curiosamente, de Setúbal - teve de acabar o desafio aos 43 minutos e fugir para os balneários, protegido por Toni, após a invasão de campo de milhares de adeptos benfiquistas em fúria. As expulsões de Torres e Malta da Silva e um alegado "penalty" não assinalado a favor da equipa da casa espoletou a revolta.

A FPF acabou por homologar o 0-0 e interditou a Luz por oito jogos.

Campeonato de Lisboa deu duas alegrias

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Apesar de ter tradição no futebol português, o Vitória de Setúbal não bateu muitas vezes o pé aos grandes. Basta dizer que os sadinos só terminaram a prova duas vezes à frente do Benfica. E ambas na década de 20 quando ainda não se disputava um campeonato nacional na verdadeira acepção do termos.

Nas épocas de 1925/26 e 26/27, o Vitória de Setúbal superou os encarnados no campeonato de Lisboa. Aliás, na segunda época conquistou mesmo o troféu. Desde então, o melhor que conseguiu foi o 2º lugar em 71/72 a dez pontos do Benfica.

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