_
As saídas de Grimaldo e Cher Ndour foram outros dos temas abordados por Rui Costa na entrevista à BTV. O presidente do Benfica enalteceu que o clube fez de tudo para segurar o lateral espanhol. Já quanto ao jovem médio, o dirigente máximo das águias reiterou que ele "quis ir para outro clube" e quando assim é não pode "obrigar os jogadores a ficar no Benfica".
"Fizemos os possíveis para manter o Grimaldo dentro do plantel, sabendo da importância que tinha na equipa. Era um dos jogadores mais experientes dentro do clube, com mais anos de casa e tinha um papel fundamental dentro do campo. Estávamos a fazer de tudo para o manter no Benfica, não tínhamos completado ainda as negociações mas também tínhamos percebido, como o próprio justificou, que procurou respeitosamente outro desafio. Não deixou de nos representar até ao último dia com grande profissionalismo e dignidade. Nos últimos jogos, que foram essenciais para a conquista do título, o Grimaldo esteve a patamares altíssimos. Nada a dizer sobre isso, respeitando que quis e preferiu outras paragens, ter outra experiência. Temos que respeitar, ainda que com a pena de ter saído um jogador que queríamos manter", começou por referir Rui Costa.
"O Cher é diferente. Estava no início da carreira dele, estava para renovar contrato. Negociámos bastante com ele e com os seus agentes, mas entendeu que o seu futuro não passava pelo Benfica e que iria à procura de outras soluções. Depois apareceu-lhe o PSG e assim fechou. É um jogador que até quisemos muito ficar com ele porque acreditamos no potencial dele, mas não posso de maneira nenhuma obrigar os jogadores a ficar no Benfica. Há pouco falei do João Neves, da renovação dele, mas não posso ter todos os jogadores iguais ao João Neves. Fazemos tudo aquilo que é possível para manter os jogadores que queremos dentro de casa, sem nunca entrar em loucuras estapafúrdias porque isso nunca iremos fazer. Não foi possível segurar o Cher essencialmente porque ele também quis ir para outro clube", explicou, dizendo mesmo sentir que há falta de paciência na formação do Benfica.
"Muitas vezes prende-se com a questão da paciência. E há aqui um dado também importante: quando havia poucos jogadores da formação no plantel principal, curiosamente, havia mais paciência. Se calhar vou ser o primeiro ou o segundo. Hoje, em 25 jogadores do plantel temos 9 da formação, outro item da parte estratégica desportiva do clube. Representa 35% do plantel. O facto de termos tantos jogadores da formação no plantel principal pode parecer que todos têm que caber lá. E já disse mais do que uma vez que não é assim que funciona. Estará lá quem merece e quem quer estar. Portanto, muitas vezes tem a ver com paciência. Os jogadores têm menos paciência porque hoje também há uma oferta muito maior e eu respeito isso. Como há uma oferta muito maior, aparecendo outros clubes com outro poderio financeiro ou a dar naquele momento outras condições aos jogadores, muitas vezes vão pelo imediato e não pelo futuro. Depois são eles que têm que gerir a carreira deles, não somos nós", vincou.
Rui Costa afirmou ainda que o Benfica foi ao mercado de forma equilibrada e voltou a abordar a transferência de Gonçalo Ramos. "Essencialmente uma ida que torna-se equilibrada com a saída de Gonçalo [Ramos], como é óbvio. Mas foi uma ida na tentativa de equilibrar contas, sim, mas apontar muito àquilo que era a planificação da época em termos desportivos. E acho que isso foi completamente atingido. Mais do que olharmos para os números, é perceber se estes números são benéficos ou não para o Benfica. Acredito, e repito o que digo desde o início, estou satisfeito com o mercado. Trouxe-nos, a meu ver, mais-valias para o plantel, mais soluções e conseguimos faze-lo de forma equilibrada financeiramente. Penso que quando assim é, é muito positivo", frisou.
Por Record