"Tenham cuidado, ele é perigoso, ele é o Oscar Tacuara Cardozo". O cântico dos adeptos do Benfica destaca a perícia e eficácia do avançado à frente da baliza, mas nesta altura, à luz do que sucedeu no domingo, em pleno relvado do Estádio Nacional, o paraguaio é temido fora do campo e por outras razões.
De cabeça perdida, depois de confirmada a derrota na final da Taça de Portugal diante do Vitória de Guimarães (1-2), Cardozo confrontou o técnico Jorge Jesus, empurrando-o, com o adjunto Raul José a merecer igual tratamento. Está agora sob alçada disciplinar do clube, como seria de esperar.
O comportamento explosivo de Cardozo não é novidade para o Benfica, que o ficou a conhecer logo na temporada de estreia do goleador, quando este "chocou" com Binya no treino da tarde de 22 de fevereiro de 2008.
Na altura, Cardozo lutava ainda por se impor como titular indiscutível no onze do espanhol José Antonio Camacho e, na "peladinha" dessa sessão entrou de forma mais dura sobre o médio, que reagiu de imediato.
A resposta do paraguaio foi dar uma palmada no braço do companheiro de equipa, valendo a pronta intervenção de Freddy Adu e de outros futebolistas a travar a escalada.
Mas o incidente só ficou definitamente sanado quando o adjunto Pepe Carcelén, que substituiu o ausente Camacho, forçou os dois futebolistas a fazerem as pazes, para a fotografia.
Pega com Pako Ayestaran
Em 2008/09, Quique Flores substituiu o compatriota Camacho e o primeiro contacto com Cardozo aconteceu num contexto de alguma perturbação motivada pela vida privada do avançado.
O paraguaio regressou da férias nos seu país apenas a 20 de julho de 2008. Foi devidamente autorizado pela SAD encarnada a adiar a viagem para Portugal, de forma a dar assistência ao filho recém-nascido, Oscar Tiago, que teve problemas de saúde.
O pior veio depois, no início de setembro, quando Quique Flores afastou Cardozo dos treinos. O avançado foi suspenso pelo clube depois do técnico ter reportado um incidente que aconteceu entre este e o seu homem de confiança, o preparador físico Pako Ayestaran.
O responsável pela equipa encarnada não gostou de ver o jogador não cumprir uma ordem do seu adjunto, na sequência da falta de empenho no trabalho, e afastou-o.
A "suspensão" durou dois dias e não houve lugar à instauração de processo disciplinar, isto num contexto em que o agente de Tacuara, Pedro Aldave, chegou a dizer: "Se o treinador não o quer ele vai-se embora."
Em 2010/11, já com Jorge Jesus, Cardozo voltou a atrasar-se no regresso de férias, agora na quadra natalícia, de novo por causa de problemas de saúde do filho.
Regressou a 31 de dezembro de 2010, com uma mais de uma semana de atraso, e teve de esclarecer declarações a uma rádio do Paraguai, nas quais insinuou que o então diretor desportivo, Rui Costa, não autorizara a sua permanência no país.