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O final de tarde era de crença total, mas quando ainda as equipas nem sequer tinham entrado em campo, a famosa águia não só não “aterrou” no local indicado como fugiu do Estádio da Luz, mesmo os adeptos mais crentes começaram a desconfiar da sorte. E viriam a ter razões para isso, já que de Paços de Ferreira nunca surgiram boas notícias para os mais de 50 mil que se deslocaram ao recinto benfiquista, a maioria deles de ouvidos também na rádio.
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O jogo com o Moreirense acabou por ser o final angustiante de um campeonato que tão cedo não será esquecido pelos encarnados. Angustiante pela forma como foi perdido para o FC Porto, mas também pela forma como a equipa se apresentou em campo (sobretudo na primeira parte), mostrando toda a frustração pelos resultados das últimas semanas. Acabaria por ser também angustiante para a equipa de Moreira de Cónegos, que durante 80 minutos teve a permanência assegurada.
Os jogadores benfiquistas começaram por demonstrar bem cedo que não acreditavam que fosse possível o FC Porto deslizar em Paços.Pelo menos, a julgar pela atitude que começaram por demonstrar. Quem julgava que os encarnados iriam tentar entrar fortes, pressionantes e em busca de um golo rápido capaz de colocar pressão no adversário direto na luta pelo título, enganou-se. Jorge Jesus até escolheu o melhor onze possível mas os jogadores surgiram lentos, apáticos e sem dinâmica, porventura fruto do cansaço proveniente da final da Liga Europa em que caíram aos pés do Chelsea.
Cónegos com fezada
Do outro lado, Augusto Inácio traçou uma estratégia inteligente para uma equipa que se tivesse jogado sempre da forma organizada como o fez na Luz, de certeza que não estaria agora a chorar a descida de divisão. O 4x2x3x1 traçado pelo técnico tinha nuances interessantes, como o facto de os extremos recuarem muito quando os cónegos não tinham posse de bola. Assim sendo, estavam tapados os caminhos para as investidas de Maxi e Salvio (na direita) e Ola John na esquerda. No meio-campo, FábioEspinho também recuava algumas vezes, na tentativa de criar superioridade face à dupla Matic-Enzo. No momento da saída, o possante Ghilas era a referência para segurar a bola e esperar pela chegada da segunda linha. OMoreirense conseguiu sempre criar perigo e o golo surgido a dois minutos do intervalo (aproveitando uma desatenção gritante da defesa encarnada) colocou justiça no marcador, para quem mais tinha feito por isso.
Gaitán para agitar
Ao intervalo, se pudesse Jesus teria, por certo, alterado mais de meia equipa, mas limitou-se a tirar Ola John, que mal tinha aparecido no jogo. Com a entrada de Gaitán, oBenfica ganhou não só quem dava alguma organização ao processo ofensivo da equipa – o argentino alia bem o facto de jogar na linha com as derivações interiores – como também alguém que agitava as hostes e os colegas. E nasceria do camisola 20 encarnado o golo do empate por Cardozo.O Benfica estava, finalmente, por cima do jogo e Jesus resolveu arriscar tudo colocando Urreta, passando a ficar unicamente Matic com as tarefas de cariz defensivo. A 10 minutos do final Lima marcaria o segundo golo e o brasileiro até acabaria por bisar num resultado que até foi injusto para o Moreirense, pela forma como conseguiu equilibrar a partida durante grande parte do tempo. As duas equipas abandonariam o relvado da Luz carregadas de frustração.
Árbitro: Marco Ferreira (Nota 2)
Conseguiu acumular demasiados pequenos erros num jogo sem dificuldade. As falhas estiveram essencialmente no capítulo técnico e não tiveram influência no resultado, mas acabaram por manchar a atuação do juiz madeirense. A terminar cometeu (em conjunto com o auxiliar) o erro mais grave quando assinalou grande penalidade por mão de Paulinho, numa altura em que a bola já tinha entrado na baliza defendida por Ricardo Ribeiro.
NOTA TÉCNICA
Jorge Jesus. Acreditou. Lançou o melhor onze no jogo, ao intervalo mexeu para ganhar e arriscou tudo a um quarto de hora do final jogando com cinco avançados. (4)
Augusto Inácio. Delineou uma estratégia inteligente para parar os pontos fortes dos encarnados e a equipa foi sempre atrevida. Fez o que pôde com o que tinha. (3)