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A partir de Loris Benito não fez grande mossa entre os adeptos benfiquistas, não só porque o lateral esquerdo nunca foi opção a sério para Jesus mas também porque, na última década, a posição maldita tornou-se alvo de chegadas e partidas constantes.
Foram nada mais, nada menos do que 18 laterais esquerdos recrutados em 10 anos, sendo que quase nenhum obteve uma passagem de sucesso pela Luz, o que levou os treinadores a aumentarem ainda mais o número de soluções adaptando outros jogadores àquela posição.
A contagem começa com Manuel dos Santos e Léo em 2005/06. O primeiro perdeu espaço depois de ter assegurado a posição na temporada anterior, enquanto o segundo começou a construir uma sólida ligação com as águias que viria a durar três temporadas e meia.
A verdade é que, durante esse período, o pequeno brasileiro não teve concorrência à altura: o romeno Sepsi e os portugueses Miguelito e Jorge Ribeiro ainda envergaram a camisola das águias mas foi sol de pouca dura.
Era Jesus
Em 2009/10, com a chegada de um novo treinador, vieram também dois reforços para a lateral esquerda. Já sem Léo, a Jorge Ribeiro juntaram-se César Peixoto e Shaffer. A história da dupla não acabaria bem, embora o Benfica tivesse chegado ao título nesse ano: o português até jogou no meio campo mas a saída da Luz foi turbulenta; já o argentino foi às lágrimas logo na pré-temporada ao ouvir das boas de JJ e acabou cedido. A estrela foi Fábio Coentrão, adaptado ao lugar, e que ainda hoje aguça o apetite dos responsáveis e adeptos encarnados quanto a um possível regresso.
Nos anos seguintes chegou mais um “pack” de laterais canhotos: o desconhecido Carole, o veterano Capdevilla e o jovem português Luís Martins. Todos chegaram a jogar mas nenhum a convencer.
Emerson foi outro caso. Utilizado preferencialmente em casa, talvez pela maior segurança na aposta, o jogador ganhou a irritação das bancadas e os assobios sucederam-se. Ao contrário, Melgarejo conseguiu agarrar o lugar, superando as lacunas com a vontade de vingar na equipa. Na temporada 2012/13, o Benfica contou ainda com Luisinho, de quem Jesus chegou um dia a dizer que para o campeonato “dava”.
A promessa Bruno Cortez, considerado o melhor lateral do Brasileirão dois anos antes, chegou à Luz em 2013 e cedo se percebeu que a adaptação não seria fácil, tanto que Luís Filipe Vieira chegou a bom porto nas negociações por Guilherme Siqueira, emprestado pelo Granada.
Para atacar o bicampeonato, os encarnados contaram com Eliseu e Benito, sendo que o segundo já rumou ao estrangeiro. Resta o internacional português.
Os 18 laterais esquerdos que jogaram no Benfica na última década:
*Já tinham estado no Benfica antes do período analisado.
Futuro para evitar socorristas
Em alturas de crise, quer por lesões ou castigos, a equipa foi remendada à esquerda com jogadores de outras posições. Foram os casos de André Almeida e David Luiz, Sílvio a certa altura, e Coentrão com o sucesso que se conhece.
No plantel para 2015/16, as águias contam, para já, com Eliseu e o reforço Marçal. Ainda assim, continuam no mercado por mais uma solução e Grimaldo pode ser o senhor que se segue. O Barcelona B desceu de divisão e o jovem de 19 anos pode ter em Lisboa um filão para continuar o seu desenvolvimento.