100 anos: Gaspar Pinto

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Tinha o perfil de lutador indomável, filho de uma realidade social própria da velha Lisboa. Não tinha estatura exuberante, mas também nesse capítulo entendeu que tinha a obrigação de provar aquilo que já se sabia: os homens não se medem aos palmos. Era um defesa intratável, duro e nem sempre despojado de maldade nas lutas que travava – ficaram célebres os duelos com Fernando Peyroteo, nos quais, soube-se mais tarde, foi longe de mais na picardia e até no desrespeito pela integridade física e moral do antagonista. Dele se dizia o que é normal nas circunstâncias em que um jogador de qualidade se dispersa e perde o rumo. Marcou uma época no futebol português e muito particularmente o Benfica, que representou entre 1934 e 1946, ou seja, doze épocas ao longo das quais assinou 152 jogos na máxima competição nacional – 45 na I Liga e 107 na I Divisão – marcando quatro golos. Na selecção nacional participou em sete encontros, dois dos quais ainda ao serviço do Carcavelinhos, onde foi considerado o substituto do inesquecível Carlos Alves.

O conflito com Peyroteo

Tornou-se um defensor de qualidade e a partir dos duelos com Peyroteo passou a ser, também, um jogador odiado. Nos despiques directos, Gaspar Pinto usava todas as técnicas de jogo sujo para desnortear o adversário, muitas utilizando as palavras. Um dia, Peyroteo não resistiu e agrediu o seu marcador. Foi um caso nacional, que parecia resolvido mais tarde na festa de homenagem de Alfredo Valadas. Mas no jogo seguinte, tudo voltou ao início.

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