100 anos: Jimmy Hagan
O ar fechado e sisudo que ostentou à chegada à Luz em 1970 cedo deixou antever o treinador duro, frio, exigente e intratável que se revelou. Em três anos somou três títulos de campeão, proeza que mais nenhum treinador alcançou em Portugal.
Hagan tinha por hábito treinar no próprio dia do jogo. No dia da festa de despedida de Eusébio, pôs toda a gente a correr à volta do campo e, às tantas, Toni, Humberto Coelho e Nelinho, já cansados, deixaram-se atrasar e encurtaram o percurso passando por dentro das bandeirolas.
Hagan ameaçou multá-los com mil escudos e obrigou-os a treinar à tarde, deles prescindindo para o jogo da festa de Eusébio entre o Benfica e a selecção do Resto da Europa. Perdoou a multa, o treino da tarde, mas manteve o castigo de não participarem no jogo.
O presidente Borges Coutinho assumiu um braço-de-ferro com Hagan e ordenou aos jogadores que fossem equipar-se. O inglês, furioso, bateu com a porta da cabina e para o "banco" foi o seu adjunto Fernando Cabrita. No dia seguinte, Borges Coutinho recebeu uma carta com o pedido de demissão...
«No comments»
Há uma expressão tipicamente britânica que Hagan celebrizou em Portugal quando retorquia aos jornalistas com relativa assiduidade: "No comments".
Depois do Benfica levou o Estoril da III à I Divisão, deu um salto ao Kuwait onde encheu a conta bancária de petrodólares, treinou o Sporting, o Boavista, o V. Setúbal e o Belenenses. Fixou residência no Estoril e nunca deixou que a sua paixão por Portugal arrefecesse.