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20 setembro

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16/09/2026

Marco Silva: a "noite quase perfeita", "ambição de chegar à final" da Liga Europa e a torcer por Amorim

A conferência do treinador do Benfica após a vitória histórica (0-2) frente ao AC Milan em San Siro

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Marco Silva: a "noite quase perfeita", "ambição de chegar à final" da Liga Europa e a torcer por Amorim
23:02 16.09.2026

«O Benfica é um clube enorme, verdadeiramente histórico»

Após dez anos na Premier League, qual é o impacto de entrar no mundo do Benfica?

"O Benfica é um clube enorme, verdadeiramente histórico. Para mim não é algo totalmente novo: é a primeira vez que treino o clube, claro, mas, sendo um treinador português, sei perfeitamente o significado e a exigência de assumir este cargo numa instituição desta dimensão. Em termos pessoais, no meu íntimo, nada mudou. Posso parecer mais jovem, mas tenho maturidade e experiência suficientes para saber a responsabilidade que recai sobre mim nesta posição. O meu objetivo é simples: tomar as decisões certas em cada momento, sempre a pensar no melhor para o clube e em fazê-lo caminhar na direção correta. Essa é a nossa prioridade. É um clube com um apoio extraordinário e com uma grande história, e estamos todos aqui a trabalhar para o melhor do Benfica."

Termina a conferência.

23:01 16.09.2026

«Ruben sabe que, sempre que não jogar contra mim, estarei a torcer por ele»

Será fácil controlar a euforia do balneário do Benfica, depois de uma noite histórica. Como é que será agora a abordagem para o jogo do FC Porto? Ruben Amorim disse-lhe alguma coisa no final do jogo, depois de uma vitória tão clara?

"A relação que tenho com o Ruben é muito boa. Ele sabe que, sempre que não jogar contra mim, estarei a torcer por ele, e ele naturalmente faz o mesmo por mim. Há um respeito muito grande entre nós. O que falámos fica connosco, mas não foi nada de extraordinário: teve muito mais a ver com questões pessoais e de família do que propriamente com o jogo. Em relação à outra questão, é muito simples: começámos muito bem a fase de liga da Liga Europa, nada mais do que isso. Foi, como disse, uma vitória histórica entre dois grandes clubes europeus a defrontarem-se. Já tinham disputado finais europeias, mas em jogos oficiais o Benfica nunca tinha ganho aqui, pelo que fica esse bom gosto de o termos conseguido. São simplesmente três pontos, começámos com o pé direito esta fase. Conheço perfeitamente o grupo de trabalho que tenho comigo: precisam de confiança, mas são suficientemente humildes para perceber que estamos no início. Conseguimos três pontos, fizemos uma vitória muito boa e proporcionámos uma noite fantástica a mais de cinco mil adeptos nossos aqui em Milão. É extraordinário, mas fica por aí. Hoje descansamos, amanhã viajamos para Lisboa. Não há tempo para celebrar rigorosamente nada: foram três pontos. Há tempo, sim, para aproveitar ao máximo os dias que temos até ao jogo de domingo, que será mais um desafio muito importante. Vai fechar este primeiro ciclo da época, que tem sido muito desgastante em termos de jogos, mas os jogadores têm respondido muito bem. Tenho a certeza absoluta de que não há qualquer tipo de euforia. Há satisfação e realização pelo bom jogo que fizemos e pela resposta de uma equipa que mudou nove jogadores de uma partida para a outra. Não vou precisar de intervir nesse aspeto: toda a gente tem a calma necessária para entender que, tal como disse a seguir ao jogo com o Gil Vicente, teremos muitas batalhas pela frente."

22:59 16.09.2026

«Tenho tido dúvidas no onze, o que é um bom sinal»

Sai com muito mais dúvidas relativamente ao onze que irá apresentar no jogo com o FC Porto, tendo em conta as boas exibições destes jogadores que tinham sido menos utilizados. Por que razão optou por retirar Lenglet e não Tomás Araújo, tendo em conta o pé preferencial de cada um dos seus centrais?

"Em relação às dúvidas, tenho tido algumas. Não se tem notado tanto no onze, mas tenho tido dúvidas, o que é um bom sinal. Quando temos repetido muitas vezes a mesma equipa não dá tanto a entender isso, mas é positivo ter dúvidas e os jogadores têm-me colocado essas questões. Daqui a um ou dois meses vão criar-me ainda mais, porque muitos deles vão estar num patamar físico diferente. Isso é algo que quero ter; na minha forma de ver o futebol só faz sentido assim. Um clube que disputa quatro competições e tem aspirações em todas não pode ter apenas 13, 14 ou 15 jogadores. Às vezes os atletas não compreendem tão bem, mas em determinados momentos temos de lhes dar a confiança e demonstrar que acreditamos neles. Esta noite foi-lhes dada essa oportunidade. Não é fácil mudar desta forma e eles responderam muito bem. Fico satisfeito e sei que no futuro vão criar-me ainda mais dúvidas, porque temos jogadores de qualidade que se estão a adaptar ao clube. Há atletas que não tiveram o melhor início e o jogo do Kaminski hoje é um bom exemplo. Este tipo de partidas adequa-se muito mais às características dele do que jogos contra equipas em bloco muito baixo, onde tantas vezes atuamos. O trabalho tático que ele fez hoje, quase a fechar numa linha de cinco, demonstra as suas valências. Noutro tipo de jogos, em que estejamos mais em cima do adversário, já não será tanto para ele, e cabe-nos gerir consoante as necessidades. Quanto à opção de tirar o Lenglet em vez do Tomás: o Lenglet tem muito mais jogos do que o Tomás. Começou a jogar no dia 23 e praticamente só descansou um jogo, acumulando muito mais minutos. A idade do Tomás é diferente da idade do Lenglet e todas essas questões pesaram na decisão. Acabámos por não ter aquela saída com o pé esquerdo de que tanto gostamos e que é importante para nós, mas hoje construímos muito mais a quatro do que a três. Tínhamos vindo a construir a três com o Dahl mais posicional e hoje, como tínhamos o Dodi [Lukebakio] à direita, não íamos ter o lateral tão subido num primeiro momento. Estrategicamente sabíamos que era importante ter os dois laterais um pouco mais baixos na primeira fase de construção. Na primeira parte isso foi visível: encontrámos praticamente sempre o Souffian [El Karouani] ou o Banjaqui sozinhos a virar o sentido de jogo. Optámos por aí por todas essas razões."

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22:56 16.09.2026

«Vamos tentar jogar sempre para ganhar e ir o mais longe possível, que é chegar à final. Essa é a nossa ambição»

Começava por lhe perguntar se, para si, foi uma noite perfeita. Depois, como sei que responde sempre sem rodeios, serei bastante direto: assume-se como candidato a vencer esta Liga Europa?

"Acaba por não ser uma noite perfeita porque é muito difícil haver perfeição no futebol e na vida. Foi uma noite muito boa para nós, sem dúvida. Sabia claramente que estava a correr riscos. Quando se mudam nove jogadores de um jogo para o outro, há grandes riscos inerentes, independentemente da competição — seja na Taça de Portugal, na Taça da Liga ou no campeonato. Num jogo desta dimensão, os riscos são muito elevados. Em termos motivacionais são menores, porque num contexto destes a motivação está nos píncaros; não há muito a fazer para motivar os jogadores, há muito mais trabalho tático a desenvolver. Nesse aspeto, os jogadores estiveram brilhantes. Dizer que foi uma noite muito boa, mas não perfeita, porque temos muitas coisas a melhorar. Hoje demonstrámos isso novamente: em alguns momentos do jogo temos de ter a capacidade de defender um pouco mais alto do que defendemos na segunda parte, tomar decisões diferentes que nos podiam ter permitido criar ainda mais oportunidades. Dar os parabéns aos jogadores, foram extraordinários na forma como interpretaram um registo um pouco diferente. Começámos a falar sobre isso esta semana: há momentos em que tem de ser um registo diferente. Apresentámos algumas nuances táticas distintas, especialmente no posicionamento do Kaminski sem bola. Os jogadores foram extraordinários na forma como assimilaram em dois dias de trabalho e conseguiram executar em campo. O golo cedo ajudou-nos, não há que esconder. A forma como marcámos cedo trouxe-nos a confiança e a tranquilidade necessárias para encarar a partida de outra forma. Explorámos muito bem, sobretudo na primeira parte, os espaços concedidos. Na segunda parte fomos perdendo algumas bolas que não podíamos nem devíamos perder, caso contrário teríamos criado ainda mais. Defensivamente estivemos sólidos e não permitimos que o Milan criasse muito, tirando um pouco mais no segundo tempo. Esperava alguma fadiga e falta de energia em alguns jogadores, porque olhando para a nossa equipa hoje, vários completaram 90 minutos pela primeira vez: o Souffian, o Alessandro Circati, o próprio Dodi... O Kaminski já não jogava há algum tempo; apesar de ser muito físico, notou-se alguma quebra, assim como no Durán. O Fredrik, como sabem, está a chegar ao seu melhor ritmo. Senti que isso ia acabar por acontecer; não podemos fazer todas as substituições, senão teria feito ainda mais. Mas, de forma geral, a equipa realizou um excelente trabalho. Ganhar ao Milan não é fácil. O Benfica é um clube enorme, tal como o Milan, mas é a primeira vez que o Benfica ganha em jogos oficiais ao Milan. Tivemos essa conversa na última reunião antes de sairmos para o estádio. Tive bons sentimentos, um deles quando cheguei e fui ver o relvado com os jogadores: a receção que os adeptos do Benfica fizeram naquele momento foi especial e poder retribuir com os três pontos é fantástico. Relativamente a sermos candidatos ou favoritos, não vou entrar por aí. Disse na minha apresentação que um clube como o Benfica, estando na fase de liga da Liga Europa, pela sua dimensão — sabendo que estão lá outros clubes de grande dimensão —, tem de se apresentar com grandes ambições e aspirações. Tivemos de disputar seis jogos para estar aqui e agora não faria sentido estarmos com receio de jogar futebol ou de encarar os adversários como encarámos esta noite. Não vai ser sempre assim, mas vamos tentar jogar sempre para ganhar e ir o mais longe possível na competição, que é chegar à final. Essa é a nossa ambição. Se vamos conseguir ou não, faremos as contas no fim. Há grandes equipas nesta prova, com um poderio financeiro enorme, mas a nossa ambição mantém-se intacta."

22:52 16.09.2026

Marco Silva toma a palavra

Após a vitória histórica (0-2) do Benfica diante do AC Milan, em San Siro, Marco Silva fala aos jornalista na conferência pós-jogo.

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