«Vamos tentar jogar sempre para ganhar e ir o mais longe possível, que é chegar à final. Essa é a nossa ambição»
Começava por lhe perguntar se, para si, foi uma noite perfeita. Depois, como sei que responde sempre sem rodeios, serei bastante direto: assume-se como candidato a vencer esta Liga Europa?
"Acaba por não ser uma noite perfeita porque é muito difícil haver perfeição no futebol e na vida. Foi uma noite muito boa para nós, sem dúvida. Sabia claramente que estava a correr riscos. Quando se mudam nove jogadores de um jogo para o outro, há grandes riscos inerentes, independentemente da competição — seja na Taça de Portugal, na Taça da Liga ou no campeonato. Num jogo desta dimensão, os riscos são muito elevados. Em termos motivacionais são menores, porque num contexto destes a motivação está nos píncaros; não há muito a fazer para motivar os jogadores, há muito mais trabalho tático a desenvolver. Nesse aspeto, os jogadores estiveram brilhantes. Dizer que foi uma noite muito boa, mas não perfeita, porque temos muitas coisas a melhorar. Hoje demonstrámos isso novamente: em alguns momentos do jogo temos de ter a capacidade de defender um pouco mais alto do que defendemos na segunda parte, tomar decisões diferentes que nos podiam ter permitido criar ainda mais oportunidades. Dar os parabéns aos jogadores, foram extraordinários na forma como interpretaram um registo um pouco diferente. Começámos a falar sobre isso esta semana: há momentos em que tem de ser um registo diferente. Apresentámos algumas nuances táticas distintas, especialmente no posicionamento do Kaminski sem bola. Os jogadores foram extraordinários na forma como assimilaram em dois dias de trabalho e conseguiram executar em campo. O golo cedo ajudou-nos, não há que esconder. A forma como marcámos cedo trouxe-nos a confiança e a tranquilidade necessárias para encarar a partida de outra forma. Explorámos muito bem, sobretudo na primeira parte, os espaços concedidos. Na segunda parte fomos perdendo algumas bolas que não podíamos nem devíamos perder, caso contrário teríamos criado ainda mais. Defensivamente estivemos sólidos e não permitimos que o Milan criasse muito, tirando um pouco mais no segundo tempo. Esperava alguma fadiga e falta de energia em alguns jogadores, porque olhando para a nossa equipa hoje, vários completaram 90 minutos pela primeira vez: o Souffian, o Alessandro Circati, o próprio Dodi... O Kaminski já não jogava há algum tempo; apesar de ser muito físico, notou-se alguma quebra, assim como no Durán. O Fredrik, como sabem, está a chegar ao seu melhor ritmo. Senti que isso ia acabar por acontecer; não podemos fazer todas as substituições, senão teria feito ainda mais. Mas, de forma geral, a equipa realizou um excelente trabalho. Ganhar ao Milan não é fácil. O Benfica é um clube enorme, tal como o Milan, mas é a primeira vez que o Benfica ganha em jogos oficiais ao Milan. Tivemos essa conversa na última reunião antes de sairmos para o estádio. Tive bons sentimentos, um deles quando cheguei e fui ver o relvado com os jogadores: a receção que os adeptos do Benfica fizeram naquele momento foi especial e poder retribuir com os três pontos é fantástico. Relativamente a sermos candidatos ou favoritos, não vou entrar por aí. Disse na minha apresentação que um clube como o Benfica, estando na fase de liga da Liga Europa, pela sua dimensão — sabendo que estão lá outros clubes de grande dimensão —, tem de se apresentar com grandes ambições e aspirações. Tivemos de disputar seis jogos para estar aqui e agora não faria sentido estarmos com receio de jogar futebol ou de encarar os adversários como encarámos esta noite. Não vai ser sempre assim, mas vamos tentar jogar sempre para ganhar e ir o mais longe possível na competição, que é chegar à final. Essa é a nossa ambição. Se vamos conseguir ou não, faremos as contas no fim. Há grandes equipas nesta prova, com um poderio financeiro enorme, mas a nossa ambição mantém-se intacta."