António Simões: «Pegar na dor e sentirem-se mais fortes»
O ex-jogador reforça que é "preciso substituir o vazio deixado pela morte" e encontrar nestes momentos de dor "um estímulo"...
António Simões está convicto que os jogadores do Benfica vão responder, domingo frente ao FC Porto, da melhor forma apesar das horas difíceis vividas desde domingo com a morte de Eusébio. O ex-jogador do clube da Luz avalia este momento, tendo o exemplo do que se passou quando Fehér faleceu.
"Quando os jogadores reconhecem quem desapareceu como um bocadinho de cada um, só podem ficar mais unidos. Não é apenas o desejo de dedicarem a vitória a Eusébio, é quererem demonstrar que este desaparecimento os tornou mais fortes", diz a Record.
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Simões reforça que é "preciso substituir o vazio deixado pela morte" e encontrar nestes momentos de dor "um estímulo".
"É importante que passem a ideia: 'estamos prontos'. Corresponder à vontade de vencer que Eusébio sempre manifestou. Eusébio tornou-se uma lenda mas sempre vincou isso, o que é bem revelador da humildade que tinha", reforça.
António Simões sabe como é complicado gerir estes momentos e por isso lembra que é preciso passar ao lado da pressão.
"Quando foi a morte do Fehér acabou por ser pior para os jogadores. A viagem à Hungria foi mais desgastante do que estes dois dias mas teve de ser. Não se podia deixar de ir. Foram três horas para cada lado, um dia terrível. Levar a dor até lá e trazê-la de volta. Agora ficou em casa", recorda.
No jogo que se seguiu à morte do húngaro, a Luz vestiu de negro e o Benfica venceu a Académica por 2-0 com golos de Zahovic (28) e Geovanni (67). No final, José Antonio Camacho, treinador das águias, disse: "O tempo cura tudo, a bola é um sedativo psicológico nos treinos e nos jogos. Todos vivemos algo difícil de esquecer, mas temos de o superar porque a equipa tem de jogar. Fehér estará para sempre connosco no balneário".
António Simões fazia parte da equipa técnica de Camacho e diz agora que os jogadores devem "concentrar-se nesses 90 minutos" com o FC Porto, domingo na Luz, e "sentir que Eusébio está no coração de cada um".