Barcelona-Benfica, 2-0: A águia desceu à terra

A aterragem da viagem pelo céu europeu foi mais suave do que seria de esperar depois de tantos minutos de temporal em Camp Nou

Barcelona-Benfica, 2-0: A águia desceu à terra
Barcelona-Benfica, 2-0: A águia desceu à terra • Foto: Miguel Barreira
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Foi uma viagem linda, que terminou com uma aterragem suave em Camp Nou. Ao contrário do que chegaram a sugerir adeptos e alguma imprensa catalã, foi mesmo preciso haver jogo para se mostrar quem merecia atingir as meias-finais da Liga dos Campeões. Essa foi, de resto, a maior vitória encarnada na noite de ontem: descer à terra em paz consigo mesma, certa de ter cumprido o dever, fazendo-o em segurança, com o prestígio intacto, passando incólume momentos de verdadeiro temporal na visita a Camp Nou. Tal como em Lisboa, o Benfica deu meia parte de avanço (pode mesmo dizer-se que não jogou), rectificando atitude, posições e imagem pelo que fez no decorrer da segunda metade. Antes do golo de Eto’o, aos 89’, o campeão nacional criou e desperdiçou duas ou três excelentes ocasiões, que o aproximaram da qualificação mais do que seria de esperar.

Um susto

O Benfica jogou em Camp Nou o prolongamento de um sonho bonito, que o devolveu aos grandes palcos europeus, mas cedo deu a entender que a sua manta era curta de mais para as ambições que o sustentavam. Uma equipa excessivamente encolhida, que defendeu muito atrás e não se estendeu até ao meio campo adversário; uma equipa nervosa que foi acumulando erros graves e sucessivos, até atingir o ponto em que corria e lutava apenas para se salvar.

Nem a grande penalidade defendida por Moretto, logo aos 5’, inverteu essa tendência. Nem o Benfica se motivou e inspirou com o empurrão psicológico de ver o seu guarda-redes começar o jogo em grande, nem o Barcelona deu sinais de perturbação. O jogo prosseguiu nos mesmos moldes, com os catalães em ritmo de cruzeiro ao ataque da baliza encarnada e os portugueses sem capacidade para sacudir essa pressão – uma equipa, diga-se, organizada de forma diferente no seu ataque, tendo Simão actuado nas costas de Miccoli, o que deu ao sector intermediário a forma de losango.

Excesso de confiança

O golo de Ronaldinho, aos 19’, selou a superioridade e criou ao jogo um cenário estranho. Com o resultado em 1-0, ou seja, com o Benfica ainda na corrida, o Barça agiu como se estivesse a ganhar por quatro ou cinco. O excesso de confiança alastrou ao relvado, com tudo o que a imprudência pode implicar na concentração dos jogadores.

O Benfica chegou ao intervalo com o moral em cima: manteve a desvantagem mínima e partiu para o descanso com o seu único remate da primeira parte, aos 45’+3. Pegando nessa deixa, os encarnados subiram no terreno à entrada para o período complementar. Ganharam uns metros, pressionaram melhor os jogadores do Barça, obrigando-os a cometer erros e aproximaram-se da baliza. O perigo resultou no espaço maior que abriram nas suas costas, mas não demorou muito para se concluir que valia a pena o risco.

Ameaça

O tempo foi um aliado dos benfiquistas, que se tornaram cada vez mais ameaçadores. Aos 61’, Simão desperdiçou a grande ocasião do jogo, isolado na cara de Valdés e, a partir daí, o contra-ataque encarnado constituiu ameaça permanente, ainda que nem sempre concretizada da melhor forma. O Barça, que agiu durante largo período como se tivesse ganho por decreto, assustou-se e só explodiu para a festa quando apontou o segundo golo, aos 89’. No fim, a águia desceu à terra. E dela tem o futebol português razões para se sentir orgulhoso.

Árbitro

Lubos Michel (1). Arbitragem suficientemente caseira para merecer repúdio. Sem critério nem firmeza nas decisões, foi habilidoso do princípio ao fim.

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