Benfica admite vender para comprar reforços

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O BENFICA encara, por necessidades financeiras, a possibilidade de negociar os passes de alguns dos seus jogadores para adquirir os reforços -- poucos, mas de qualidade -- pretendidos por Juup Heynckes. Nesse sentido, não há jogadores inegociáveis, mas há alguns que são mais negociáveis que outros. Estão neste caso, Hugo Leal, Paulo Madeira, Calado e Bruno Basto, pelos quais o Benfica já recebeu propostas concretas para a sua aquisição por parte de clubes estrangeiros.

Nas últimas semanas houve abordagens directas ao Real Madrid e ao empresário espanhol Miguel Santos para a eventual aquisição do médio defensivo Jaime, bem conhecido de Juup Heynckes da sua passagem pelo clube merengue, ao defesa central russo Nikiforov, do PSV Eindhoven, também representado pelo mesmo Miguel Santos, e ao ponta-de-lança espanhol Pizzi, actualmente ao serviço do River Plate, e a quem o Benfica tentou "lançar a rede" pela segunda vez. No caso deste último o Benfica teria de pagar apenas 1 milhão e 800 mil dólares correspondentes a valores em dívida do clube argentino ao jogador; nos casos de Jaime [cerca de 350 mil contos] e de Nikiforov [meio milhão de contos] o Benfica teria de abrir um pouco mais os cordões à bolsa. Mas a dificuldade em obter as garantias bancárias exigidas inviabilizou estas três hipóteses, da mesma forma que permitiu ao Sporting ganhar a corrida ao Benfica pelo argentino Hanuch, cuja contratação era considerada prioritária por Jupp Heynckes.

De resto, o que se passou com o guarda-redes Enke é elucidativo, nesta fase, da escassa disponibilidade financeira do clube.

A bom termos chegaram as negociações com o presidente do clube argentino, Estudiantes de La Plata, Edgardo Valente, para as aquisições do guarda-redes argentino Bossio, justificada pela "passagem em trânsito" de Enke pela Luz, e do lateral-esquerdo, Rojas, internacional paraguaio.

BAKERO DEIXOU DE INTERESSAR

Entretanto, Vale e Azevedo desistiu da aquisição do jovem promissor Bakero, que se revelou esta época ao serviço da U. Leiria, ao tomar conhecimento da situação contratual do jogador, cujo passe pertence metade ao empresário Jorge Mendes e outra metade à U. Leiria que, entretanto, já cedeu os direitos ao empresário José Veiga. Um imbróglio que inviabilizou a transferência, uma vez que esta teria sempre de passar pela vontade do próprio Bakero, insensível às abordagens que lhe foram feitas no sentido de se desligar do seu representante, Jorge Mendes.

Quando percebeu que o jogador não pertencia à U. Leiria, Vale e Azevedo recuou na intenção de o contratar, na certeza de que o caso iria ser, previsivelmente, dirimido em Tribunal. Aliás, os 50 por cento do passe que pertencia ao clube foram dados como garantia da dívida reclamada pelo ex-dirigente Artur Menezes no processo que este moveu à Direcção da U. Leiria.

De resto, já o Sporting mostrara interesse no jogador em contactos mantidos com o presidente da U. Leiria, João Bartolomeu, interesse esse arrefecido pela mesmas razões que levaram Vale e Azevedo a afastar-se e a negar que tenha querido contratá-lo com a justificação de que seria um absurdo o Benfica pretender um jogador que se assume publicamente como simpatizante do FC Porto.

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