Benfica-FC Porto, 0-1: FC Porto foi à Luz tirar as últimas dúvidas
O FC Porto que esteve ontem na Luz tirou as últimas dúvidas: sobre o futuro campeão e sobre quem é a melhor equipa do momento, conseguindo derrotar pela primeira vez o Benfica de Camacho. Um golo de Deco na primeira parte foi suficiente para vencer um jogo que a equipa dominou ou controlou do primeiro ao último minuto.
A primeira parte foi toda do FC Porto, que jogou quase sempre no meio campo contrário. O "pressing" alto da equipa de Mourinho só deixou o Benfica fazer o primeiro remate aos 34' (e aí a bola até raspou no poste), ou seja dois minutos antes do golo de Deco, e o primeiro canto foi mesmo depois desse remate decisivo do nº 10 portista.
Jogando com as suas linhas muito adiantadas, o FC Porto foi tendo a bola, criando uma, duas, três oportunidades de golo, enquanto Camacho gritava do banco com os seus jogadores. Foi de tal forma que era mesmo difícil perceber se havia alguma táctica ofensiva na equipa da casa. Tiago e Petit mais os centrais desdobravam-se na marcação a Deco e depois cada um estava no seu lugar no 4-4-2 habitual. Estava no seu lugar e não conseguia sair de lá, porque cada vez que apanhavam a bola eram encurralados por dois ou três portistas.
O mais interessante é que Mourinho conseguiu isto, apesar de jogar com Alenitchev (em vez de Costinha, ou seja com Maniche a trinco), e o russo, sabe-se, não é muito de defender. E ainda com Ricardo Costa a defesa-esquerdo – ele que jogou com um cartão amarelo desde o minuto 4 (puxão a Geovanni). Mas isto explica-se com o facto de a equipa jogar tão adiantada que defender era ter sentido de posição em campo e não a perder. E não andar a correr atrás de adversários lançados no ataque. Ou seja, o Benfica quase não conseguiu trocar a bola na primeira parte e o FC Porto ganhava-a muito depressa – depressa de mais para os interesses dos encarnados. E o golo nasceu assim: Hélder aliviou mal para perto da área, Maniche viu muito bem a desmarcação de Deco e golo em menos de um fósforo e sem ser necessária muita elaboração. Ganhar a bola com tanta facilidade no meio-campo adversário é muito mais de meio caminho para o golo.
É estranho, jogando em casa, mas ao Benfica restava jogar em contra-ataque. A equipa ainda deu um ar da sua graça no início do segundo tempo (com Sokota no lugar de um nulo Zahovic), Geovanni teve uma boa oportunidade logo três minutos após o recomeço (Baía defendeu com o pé), mas nunca conseguiu embalar. O FC Porto, com Deco a assumir a responsabilidade do jogo, mas com Maniche em grande, continuou a dar cartas. Camacho decidiu-se pela segunda substituição (Argel, que tinha um amarelo, por Armando), mas nada conseguiu mudar. E Petit por Andersson também não resultou em mais dinâmica. No minuto seguinte o vermelho directo a Ricardo Rocha, por agarrar Derlei, foi o canto do cisne. E o Benfica acabou com Tiago a defesa-central, Andersson e Simão (nunca se conseguiu soltar) no meio-campo e Nuno Gomes à direita, Sokota ao meio e Geovanni à esquerda. Camacho não tinha mais opções a não ser Drulovic. E o jogo foi escorrendo nesses últimos 20 minutos, com o FC Porto mais perto do segundo golo do que o Benfica do empate. Depois de ganhar em Alvalade, em Guimarães e no Bessa, faltava a Luz. Está feito e sem deixar dúvidas.
António Costa fez uma arbitragem sempre próxima da bola. A expulsão de Ricardo Rocha é aceitável, mas o amarelo também o era, porque Derlei estava ainda a 50 metros da área.